quarta-feira, 14 de novembro de 2007

.sobre a imagem.


Sorveu do riso triste algum fiapo de alegria e, ungindo as mãos com as lágrimas ímpias, batizou o herdeiro que está prestes a chegar. Uma cópia em miniatura de toda aquela beleza, serena figura em quadro renascentista, adorno vivo na mais simpática moldura. Segura um mundo novo, um universo prestes a explodir e se expandir para os limitados anos de uma vida – tão-somente uma vida.

Foram dias de uma gestação calma e sem experimentações alheias, sensações e frutas de uma feira perigosa. Apenas cuidados e algum sono, algumas olhadelas em estrelas, e uma missiva prometida que nunca foi enviada. É compreensível, convenhamos. As palavras podem esperar três, sete, nove meses ou até mais – e elas sempre esperam, estão acostumadas.

O riso contido denuncia a imensa alegria de se fazer luz para dar vida a um novo universo. Alegria lhana que aperta o coração e assobia uma melodia em comum; alegria que se ouve em notas fantasmas, intencionalmente tímida, pianíssimo. E ela é agora só grito, toda ela um grito que não pode ser contido ou explicado. Um grito que desafia o silêncio, pois o choro iminente já é quase ouvido. Alegria em estado bruto, meiguice materna.

O nome do novo horizonte já foi definido – pelo menos já se lê e ouve propostas. Será ele um passageiro nela, dela. Será ainda a saudade mais lancinante e bonita, as noutes em claro, a voz a acariciar o sono e o alvo mais desejado dos afagos maternos. Enfim, um universo que caberá no colo e que poderá ser ninado ao som de Elliot Smith. A tatuagem mais bonita que ela pode ter desenhada em carne viva.

2 comentários:

Sabrina disse...

se tudo sabe quem te faz chegar mais tarde

Morteboa disse...

Surpresa ficou essa mãe quando viu o texto.

Ela agradece. ;)