segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

.uma lembrança.



Calei-me, enfim.

Queria eu que ela só me levasse pela mão, que esquecesse meus impropérios, minhas lamúrias desmedidas. Eu só desejava naquele momento que o caminho fosse outro, que ela aceitasse meus lânguidos pedidos de desculpas – mas ainda sim com um descompassado sentimento de sinceridade, de real necessidade de afeto. Eu só almejava aquele olhar de outrora, aquela tortura velada e carinhosa, um afago em estado bruto. Eu pedia demais, choramingava demais e perdia o tempo de nossas canções preferidas. Eu estupidamente errei ao solfejar prazeres de outras épocas – e em galáxias tão distantes que nem as retinas opacas conseguiam mais ver em meu álbum P&B de memórias tristes. Falei por ser idiota, só para incomodar quem só queria um pouco mais. Eu mesmo só queria um pouco mais.

Joguei mágoas em seu vestido. Manchei com rancor a nossa curta história, e deixei em todo e qualquer sentimento recíproco um câncer. Um soluço, um riso amarelo, e a certeza de um iminente caminho solitário e vagabundo. Abençoei drogas, joguei pinga para Deus e o Diabo, disse a ela que exorcizava demônios. Nem isso nem aquilo.

Calei-me, enfim. E deixei que ela sumisse no horizonte que não era mais meu.

3 comentários:

Sabrina Gahyva disse...

não é possível.

Talia disse...

Só um quadro.
Calei-me.

Dino disse...

Identificado. Não Beba