terça-feira, 8 de julho de 2008

.um pouco de literatura diária.


Catastrófico. É pouco, quase nada. Ridículo, é mais conveniente. Providencial, até. Necessário. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. Sempre a mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. Sempre. A mesma cousa. A mesma cousa. É complicado. A admissão da vergonha não mitiga a cena, o ridículo. Ninguém tirou as notas das mãos tuas. Batias nas peles alheias sem a verve de outrora. Envergonhaste os amigos sem a intenção verdadeira. Vestiste-te de palhaço pubicamente. A máscara manchada de suor, a bebida na mão trêmula. Ator cínico. Envergonhaste a ti mesmo, negaste tua parca inteligência e a já abalada fé na vida. Conversaste com a deidade usando uma cascata de palavras sem-fim. Hífen, crase e risos. Lembrança fraca. Não, memória fraca. Sono. Não, agora não. E a vergonha obliterada pela falta de sonhos aos poucos se acendia na memória. O mundo não girava. Perdeste a chance de envolver a deidade num parágrafo kafkaniano. Ridículo é pouco. Dançando no salão. Sem te agüentar em pé. Uma pancada na cabeça anestesiada. A ressaca do bom senso veio bater forte na orla do dia seguinte, quando as velas já não respiravam a brisa: o barco iria afundar.

Depois a verdadeira história. Os detalhes omitidos. O porquê do não-riso. O encontro amarelado. A desconfiança do convite. Riso. Riso. Riso. Riso. As orelhas acesas, pertinentes. O pessimismo. A hora errada de ouvir a verdadeira história. Cabeça solta, morrendo sem ar nas páginas em branco. As idéias não batiam, não comungavam do mesmo Cristo. O mesmo Cristo há dous mil anos. Não entra nessas questões. Volta ao círculo obnubilante. É, podes voltar. Vê as palavras certas. Muda o caminho. É isso: muda o caminho. Vai ser estranho. Não é preciso te importar. Relaxa os pés. Ajeita a coluna. Revisa o relato. Não deixa subliminaridades em baixo das unhas – ouriçadas pela desconfiança. Pessimismo! É demais. Ainda mais depois do fiasco. Desconfia. Toma o remédio. Anda, escreve mais uma linha. Acaba com isso. Pára de ouvir música. É óbvio demais, eu diria. Tréplica malfeita. Horrível. Apaga logo, pois o tempo vai eternizar o momento infeliz. E a lembrança dos erros não esvanesce tão facilmente assim. Vais te arrepender, sabes disso.


A literatura da vida cotidiana não aceita trema.


2 comentários:

Pri disse...

se arrependeu???

a mesma coisa sempre??? isso poderá mudar, né?!?!!?

mil ósculos
;)

i. bê. gomes disse...

.sempre pode mudar. e há cousas - e principalmente pessoas - que com um riso fazem a gente se arrepender de arrepender.

,)