
Não foi por maldade, mas tive de arrancar os dedos das mãos dele. Eu queria ter para sempre as impressões que ele tinha do meu corpo, da minha geometria irregular e moldada a insuficiências sentimentais. Esperei o momento certo, a hora exata. Arranquei dele os dedos, e guardei todos numa caixa prateada. Esperei que apodrecessem para abrir a caixa e sentir o perfume natural daquele que foi o homem que mais me satisfez. Sentia-me excitada com tal aroma, com ele sublimado entrando de novo em mim – e de alguma forma me satisfazendo outra vez. Eu abria a caixa religiosamente duas vezes todos dos dias. Ia eu trabalhar com ele ainda fresco em mim, alimentando memórias e me completando alucinadamente. Era uma espécie de vício, confesso. Eu ficava mais desperta, mais amável com as pessoas. E de noute, quando já desbotada pelo cotidiano, eu abria a caixa e me masturbava com ele preenchendo o quarto. Eu desligava a luz e deixava só o fiapo claro por baixo da porta que vinha da sala como testemunha do meu prazer. Uma música qualquer de fundo para abafar meus sustos, meus espasmos. E assim eu vivia até a pele sumir, até o cheiro desvanecer e virar um resquício de lembrança, um resto de memória.
Quando esvaziei a caixa prateada, senti um aperto no peito, uma falta de ar. Eu ia ao encontro do cotidiano cabisbaixa, decepcionada com a efemeridade dos seres humanos. Fiquei umas duas semanas chorando pelos cantos e regurgitando prazeres oníricos. Até comungar da idéia de me enamorar outra vez.
1 .palavras.:
Masturbação ana ou vaginal? Dizem que isso faz muita diferença....
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