sexta-feira, 15 de agosto de 2008

.uma confissão infeliz.


É sério. Eu só me lembro de ter ouvido o padre sair gritando aspasSai pra lá! Sai! Este pecado é horrível demais!aspas

O sol ia alto em seu grito luminoso. Um calor desgraçado. A mesa quadrada – carcomida e enferrujada e amassada e com a pintura gasta e com uma enorme propaganda de uma cerveja-outra – era o depositário de conversas amigáveis. Os dous malandros se cumprimentaram então. De olhos vermelhos, cheios e mágoa. Uma cerveja, dous copos.

– Calor, né?, bicho. Então, é sério, Z.. A cousa tava feia. Apavoro mermo, sabe? Eu fui pra missa pra encontrar a F., só pra isso. Aí cheguei tarde. Ontem eu tinha saído sem avisar nada pra ela. Tava até com bafo de cachaça. [Z. ri discretamente.] Mas fui mermo assim. Cheguei lá [Ele pára para beber um generoso gole de cerveja, dá uma fungada, faz careta e continua.]; cheguei lá e a missa já tinha acabado. Entrei mermo assim. Vai que ela ficou lá dentro me esperando, né? Aí entrei. [Ele se levanta sem aviso já com um sorriso no rosto.] Opa! E aí, W.?! Quanto tempo, rapá! Senta aí com a gente. Aqui: esse aqui é o Z.. Z., esse é o W., aquele que te falei do tamanho do pau. [Os três riem. Z. cumprimenta W. com a cabeça, sem se levantar ou estender a mão.]

– Só na cervejinha então?
Opa, senão ninguém agüenta o rojão, como diz o C.. Senta aí, W..
– Não, não. Valeu. Tem uns lances aí pra fazer. Falou, moçada.

[E foi W. descendo a ladeira preguiçosamente sob o sol impiedoso.]

– Esse bicho ta de rolo com uma branquinha gata que teve filho esses tempos. E é feio, né não? [Os dous riem mecanicamente.] Então, como eu te falava. Entrei na igreja e não tinha mais ninguém. Uma ou outra velha rezando pra vela. Mas em silêncio, sabe? Como se santo lesse pensamento... [E toma mais um gole de cerveja. Z. força um riso, mas a fisionomia mais parece desgosto com o que acabara de ouvir.] Sentei num banco e descansei as pernas. Aí comecei a pescar. E tal, pescava, e nada da morena. Aí só ouço o padre gritando aspasSai pra lá! Sai! Esse pecado é horrível demais! Não confessa pra mim! Sai daqui! Sai!aspas Cara, foi uma cous–

Acordou assustado. O coração sambando no peito. A respiração na batida do surdo, mas pesada, doída. Desamassou a cara com força, furando os olhos dos sonhos. Apertou os olhos e hesitou pensar no óbvio.

Vestiu a camisa do fluminense e foi primeiro matar o padre. Depois mataria P..

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