sexta-feira, 19 de setembro de 2008

.catequese.


Observei carinhosamente o umbigo dela. Escrevi dous versos ao redor dele, e quando ela respirou profundamente, caíram eles nele. E era assim com todas as palavras-letras que eu rabiscava ao redor do umbigo. Escrevi estrofes a conta-gotas, pílulas de minha poesia cutânea. Ela respirava profundamente e as palavras deslizavam enquanto ela descansava os desejos. Sonhava dragões, rosas e páginas em branco. Enchi-a com uma poesia rala, e prenhe de versos meus ela acordou. Lentamente abriu os olhos e cegou o olhar do mundo. Esquentou as minhas retinas. Arrotou rima e enjambemant, neologismos e vírgulas desnecessariamente usadas. Depois de muito enjôo, deu ela a luz a um livro com páginas nuas. Antros imaculados de inspiração. Enfileiramos a escassa hóstia oriunda da parede, cheiramos em câmera lenta e, a partir daquele momento de lúcida embriaguez, começamos a escrever a nossa própria bíblia.



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