terça-feira, 18 de novembro de 2008

.prosopopéia.


– Dá-me tua próclise para eu ficar ênclise de ti.
– Não posso ainda.
– E por que não?
– Porque há uma mesóclise entre nós.
– Esquece isso.
– Como esquecer, se a parábola é clara e tuas metáforas não me cativam como outrora?

Apenas silêncio. Os corpos nus respirando mecanicamente. E o pensamento fulgurando sotaques algures.

– Vamos ficar assim então?
– Como poderia ser diferente se sou analfabeta de ti até hoje?
– Mas sabes me interpretar ainda, então eu ach-
– Não aches nada. Não existe mais prazer.
– Meu hipérbato pode resolver a tua semântica. Eu garanto.
– Não adianta, somos antíteses desde sempre e não percebemos.
– E não há como reverter essa nossa linguagem figurada?
– Só se desaprendermos o vernáculo e inventarmos outra gramática, outras regras.

Vestiram suas respectivas roupas com preguiça. E foram adrede sem mais dizer palavra alguma.

Um comentário:

Insolente disse...

poesia é um porre e sua linguística é extasiante.