quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre castelos


Continuo construindo castelos de papel, desses que a gente queima nas horas de raiva ou desespero. Seria mais fácil apagar as palavras que ilustram as paredes. Não, isso não. Melhor queimar tudo e aproveitar as cinzas para enegrecer o silencia que outrora era tão agradável. Num samba torto, num ritmo ébrio e cheio de porém, eu hesito o momento de riscar o fósforo. Mas sei que é chegada a hora. Essas lembranças tão cheias de cores, tão cheias de perfume, tão quentes, tão... Sim, essas e estas lembranças devem partir. Tornar-me-ei viúva numa mesóclise misantrópica, numa simbiose manca. E quando as paredes do tal castelo de papel estiverem no chão, por favor, não pisem – humildemente peço – nas margens que me tomam o ar. Preciso respirar fundo antes de iniciar novas construções. Minha faculdade inútil me persegue. Ergo de cinco a mil castelos por dia, quase um vício, tal qual uma melodia repetitiva que se perpetua no assovio do ócio. Linguagem viciada, métrica incomum. Meu ofício, difícil, é de arder a pele de raiva quando um cálculo errado entorta um corredor. Sempre além de ladrilhos simples, sempre além de azulejos ilustrados azulejos ilustrados azulejos ilustrados azulejos ilustrados sempre. Não preciso explicar os meus mandos e desmandos. Ao menos isso eu domino bem. Essa lascívia, este desejo fotográfico, aquele medo de um aspasbom diaaspas sensual. E no criado mudo palhas enfeitam nossas noutes em claro, e por elas nossos sons orquestram sensações. As mesmas sensações que influenciam nossas demolições. Acredite, eu preciso te destruir sempre para acreditar em novos sentimentos. O marasmo, infiro, mata nossos prazeres. Esbanjemos novidades, meu bem.

Há quem tenha a chave e há quem saiba pular os muros altos destes castelos. Paredes de papel: quedas possíveis quedas. Estardalhaços desnecessários, convenhamos. O que é preciso – e isso eu com sacrifício informo – é afinar, afinal, as cordas que erigem as janelas dos castelos. É por elas que iremos desafiar os olhares e consumar nossos pecados. Sim, Deus é um aprendiz neste mundo arquitetônico. Mundo este demasiada e erroneamente arquitetônico.




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