<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209</id><updated>2012-02-17T01:41:19.458-03:00</updated><title type='text'>.o umbigo de cristo.</title><subtitle type='html'>.idiossincrasias literárias.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>84</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5101117412014784279</id><published>2011-09-17T20:29:00.005-04:00</published><updated>2011-09-18T02:04:52.598-04:00</updated><title type='text'>.da saudade e sobre sinapses e algorítimos.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-1QZUAZ35Rac/TnU7v34Km_I/AAAAAAAAA8M/rFgEwTSKAII/s1600/psiisiis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-1QZUAZ35Rac/TnU7v34Km_I/AAAAAAAAA8M/rFgEwTSKAII/s320/psiisiis.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653490600872942578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se te deixei ir foi por descuido, por um capricho bobo - desses que a gente se arrepende quando vê o sorriso lhano que exibes no rosto. Vez ou outra tento esboçar um elogio, uma palavra mais afável, mas me embruteço por conta da minha burrice. Ecoam palavras e aquelas propostas diagnosticadas como demasiado lascivas. Música alta, versos soltos e com rima de sentir. Uma prata, baú. O que, &lt;a href="http://www.fotosdecelebridades.com.br/wp-content/uploads/2011/08/gilberto-gil-black.jpg" target="_blank"&gt;Gil&lt;/a&gt;? Sim, meu bem, eu me &lt;s&gt;alemmbro&lt;/s&gt; lembro de tudo, da confusão minha neste momento aquele que fizeste tão bem. É necessário ir para voltar? Por isso faço sons em teu corpo, ecôo instintos e concebo em ti um solo vocal. Volto num verso, o reverso do &lt;s&gt;umiverso&lt;/s&gt; universo que poderia ter nos tornado buraco negro. De nós, da ausência e da saudade. E nós nos abrindo em gerúndio, numa &lt;s&gt;falra&lt;/s&gt; falta pretérita e inodora. Com &lt;s&gt;quele ritrmo&lt;/s&gt; aquele ritmo solto, louco, &lt;s&gt;vorz&lt;/s&gt; voraz. E por eu ter errado - concebendo o que fiz como algo lisérgico demais para o meu &lt;s&gt;coraç]ao&lt;/s&gt; coração carola -, percebo que de quando em vez desejo ser o correto do errado, o paradoxo &lt;s&gt;rítimico&lt;/s&gt; rítmico que me contradiz. E eu que mal &lt;s&gt;consifo&lt;/s&gt; consigo me mexer, e lembrando o que irei fazer. A &lt;s&gt;respitraão&lt;/s&gt; respiração apavorada. Sim, uma demora. Sambando desejos, cantando vontades e lembrando de &lt;s&gt;feliidades&lt;/s&gt; felicidades de outrora. Aquele dia em que cedi a cadeira para sentares. Uma saudade doída, daquelas que tira o ar, aperta o peito e torce &lt;s&gt;i ciração;&lt;/s&gt; o coração. O vocal duplo explicando o mundo em versos bonitos, melodiosos. Tantas páginas &lt;s&gt;qyue&lt;/s&gt; que foram lidas e que me lembram do que vivi em notas de rodapé. Lembro-me de tantos dias da minha vida, de antigos dias e de até pouco tempo, quando eu chovia em mim solitário e misantropo. Não era pose, acreditem. E isso, meu bem, eu &lt;s&gt;embro&lt;/s&gt; lembro num lapso de tempo. E vem aquela música que traz lembranças boas, dessas carinhosas em que dançamos em desencontro. O nariz sangra de tanto atrito. E a repetição vai fazendo os efeitos &lt;s&gt;pssarem&lt;/s&gt; passarem. Sabem disso, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E num circo montado na beira dos meus lábios, a evangélica é abordada por uma cigana manca que &lt;s&gt;trointila&lt;/s&gt; tintila os dentes como um triângulo. Baião psicodélico. A cigana sussurra: &lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt;Vem cá, deixa eu ler sua mão!&lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt;, e a crente - de saia bordada em salmos inéditos e de cabelos sebosos como tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e tal e num dous mil ano-luz do teu corpo. E numa saudade nova que me tatua os sonhos. Num movimento torto eu &lt;s&gt;colntino&lt;/s&gt; continuo. A &lt;s&gt;evamgélica resoonde dutamente&lt;/s&gt; evangélica responde duramente para a cigana, que ouve tudo em tons intimistas: &lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt;Eu sou alfabetizada, se tivesse alguma coisa escrita aqui eu saberia ler!&lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt; Talvez tenha sido este o meu erro: ter lido demais as linhas da tua &lt;s&gt;mao&lt;/s&gt; mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é &lt;s&gt;cidad~]ao&lt;/s&gt; cidadão, num tom brega &lt;s&gt;dpodree&lt;/s&gt; de podre música americana sem sentimento. A pena capital, o feto dos nossos rancores. Mas ainda há tempo de dublares estes meus podres e pobres risos, a conversa boba sobre o bloqueio contra Cuba. E aquelas saudades de amigos, daqueles que &lt;s&gt;diviram tsntas&lt;/s&gt; dividiram tantas linhas do tempo minhas. Retas verticais convergentes. E tenho &lt;s&gt;saudadde&lt;/s&gt; saudade desse tempo que sei que não vai voltar. E que vai ficar só comigo, assim como nossos dias. Num som latino e de complexo arranjo, desses que o &lt;i&gt;fading&lt;/i&gt; incita a imaginação a urdir odes as &lt;s&gt;possiveis combinaçãoes&lt;/s&gt; possíveis combinações. &lt;s&gt;as asqueles&lt;/s&gt; Aqueles arranjos que nos tornam bobos, a voz francesa que me encantou. E não estou fora do país ou de mim. Talvez tenha me tornado o almejado buraco negro. E imaginem eu me contorcendo em erres ruidosos, ou num um andar ébrio e sensual. A &lt;s&gt;juvntude&lt;/s&gt; juventude arredia e solitária. E &lt;s&gt;lembran do&lt;/s&gt; lembrando de dias tão específicos, tão certos e precisos. &lt;s&gt;lemmbro&lt;/s&gt; Lembro de cada cousa! De dias em que vizinhos brigaram e tivemos de intervir. Do beijo do amigo na namorada cima do peso. E o que será que &lt;s&gt;fom&lt;/s&gt; com eles aconteceu? É o mistério das chances. Sim, &lt;s&gt;[e idso&lt;/s&gt; é isso. Por isso penso em chorar. Melodioso e cínico. Aquelas musicas &lt;s&gt;qe arrepppspiam&lt;/s&gt; que arrepiam. Olha isso! Olha o filho que morreu, a pintora de sobrancelhas coladas. Num quadrinho sexual, com a voz grave e agressiva. Uma &lt;s&gt;m[usica&lt;/s&gt; música tão... tão! E daí se não sei explicar: sinto, e não me teriam &lt;s&gt;palabras&lt;/s&gt; palavras no mundo para descrever o que sinto. E muito &lt;s&gt;dissso&lt;/s&gt; disso do que sinto é alimento em ti e sobre ti, um &lt;s&gt;aérto&lt;/s&gt; aperto de &lt;s&gt;mãioa&lt;/s&gt; música que idiotiza. Movimentos, &lt;s&gt;slsso sls 303dk&lt;/s&gt;. Sabe aquele riso naquele verso? E aquele &lt;s&gt;sprriso&lt;/s&gt; sorriso? &lt;s&gt;Iimáciencia&lt;/s&gt; Impaciência. Boa noute, &lt;s&gt;confus~so;&lt;/s&gt; confusão. Confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é bem isso mesmo, mesmo sendo precoce o sentimento de nostalgia: não, nada de nada... Sim ,eu &lt;s&gt;nãp&lt;/s&gt; não lamento nada... Nem o bem que me fizeram ou mesmo &lt;s&gt;o&lt;/s&gt; o mal, pois isso tudo me é bem igual! E se carrego em mim no &lt;s&gt;memso&lt;/s&gt; mesmo número de páginas, é porque não te li direito ainda. Anda, esquece estas minhas outra saudades. Quero só de ti me ausentar para sentir isso. &lt;s&gt;E d e&lt;/s&gt; E isso me &lt;s&gt;deix =a&lt;/s&gt; deixa deveras &lt;s&gt;conrante&lt;/s&gt; contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5101117412014784279?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5101117412014784279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5101117412014784279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5101117412014784279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5101117412014784279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2011/09/da-saudade-e-sobre-sinapses-e_17.html' title='.da saudade e sobre sinapses e algorítimos.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1QZUAZ35Rac/TnU7v34Km_I/AAAAAAAAA8M/rFgEwTSKAII/s72-c/psiisiis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-603998513558814085</id><published>2011-08-25T00:03:00.003-04:00</published><updated>2011-08-25T00:11:01.725-04:00</updated><title type='text'>Sobre castelos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-vz5max9PaG8/TlXJvW4l7pI/AAAAAAAAA6U/c2pk7YXLOE0/s1600/IMG_17242.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 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Seria mais fácil apagar as palavras que ilustram as paredes. Não, isso não. Melhor queimar tudo e aproveitar as cinzas para enegrecer o silencia que outrora era tão agradável. Num samba torto, num ritmo ébrio e cheio de porém, eu hesito o momento de riscar o fósforo. Mas sei que é chegada a hora. Essas lembranças tão cheias de cores, tão cheias de perfume, tão quentes, tão... Sim, essas e estas lembranças devem partir. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tornar-me-ei viúva numa mesóclise misantrópica, numa simbiose manca.&lt;/span&gt; E quando as paredes do tal castelo de papel estiverem no chão, por favor, não pisem – humildemente peço – nas margens que me tomam o ar. Preciso respirar fundo antes de iniciar novas construções. Minha faculdade inútil me persegue. Ergo de cinco a mil castelos por dia, quase um vício, tal qual uma melodia repetitiva que se perpetua no assovio do ócio. Linguagem viciada, métrica incomum. Meu ofício, difícil, é de arder a pele de raiva quando um cálculo errado entorta um corredor. Sempre além de ladrilhos simples, sempre além de azulejos ilustrados azulejos ilustrados azulejos ilustrados azulejos ilustrados sempre. Não preciso explicar os meus mandos e desmandos. Ao menos isso eu domino bem. Essa lascívia, este desejo fotográfico, aquele medo de um &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;aspas&lt;/b&gt;bom dia&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;aspas&lt;/b&gt; sensual. E no criado mudo palhas enfeitam nossas noutes em claro, e por elas nossos sons orquestram sensações. As mesmas sensações que influenciam nossas demolições. Acredite, eu preciso te destruir sempre para acreditar em novos sentimentos. O marasmo, infiro, mata nossos prazeres. Esbanjemos novidades, meu bem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal; font-family:arial;"&gt;&lt;span style="Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;font-size:85%;" &gt;Há quem tenha a chave e há quem saiba pular os muros altos destes castelos. Paredes de papel: quedas possíveis quedas. Estardalhaços desnecessários, convenhamos. O que é preciso – e isso eu com sacrifício informo – é afinar, afinal, as cordas que erigem as janelas dos castelos. É por elas que iremos desafiar os olhares e consumar nossos pecados. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sim, Deus é um aprendiz neste mundo arquitetônico.&lt;/span&gt; Mundo este demasiada e erroneamente arquitetônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-603998513558814085?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/603998513558814085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=603998513558814085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/603998513558814085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/603998513558814085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2011/08/sobre-castelos.html' title='Sobre castelos'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vz5max9PaG8/TlXJvW4l7pI/AAAAAAAAA6U/c2pk7YXLOE0/s72-c/IMG_17242.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6747721934281983661</id><published>2011-04-19T19:30:00.002-04:00</published><updated>2011-04-19T19:36:36.093-04:00</updated><title type='text'>.sobre esta volta.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-TRla308uZbY/Ta4bTD8ZTAI/AAAAAAAAA5M/sb0IXAhVdec/s1600/passtex.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-TRla308uZbY/Ta4bTD8ZTAI/AAAAAAAAA5M/sb0IXAhVdec/s200/passtex.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597441401158192130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.e então, depois de tanto tempo longe de ti. longe de tis, palavras. aos poucos tento me acostumar com tudo mais uma vez. ser estranho e estranhar. entranha vazia, desistente. aos poucos me retoma a necessidade de rabiscar muros e de tocar um piano diferente. ao som dessa ou daquela música, deste ou daquele canto. e num canto, assobio a ti a fim de encontrar um pouco do teu fio, um pouco do teu voo. um encanto xadrez num degradê cinematográfico, num trópico cancerígeno que excita. a lascívia num simples olhar ou depois de uma tarde peculiar - em voos estranhos e incomuns. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e de repente a gente para.&lt;/span&gt; parei, confesso. e aqui, a algumas asas de distância de ti, concentro-me em ventos distintos. carrego comigo apenas as rimas, e aguardo de ti o riso para construirmos juntos estrofes safadas. desculpa se não te convenci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;talvez eu esteja ainda muito cansado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6747721934281983661?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6747721934281983661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6747721934281983661&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6747721934281983661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6747721934281983661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2011/04/sobre-esta-volta.html' title='.sobre esta volta.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TRla308uZbY/Ta4bTD8ZTAI/AAAAAAAAA5M/sb0IXAhVdec/s72-c/passtex.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3681938580170914824</id><published>2010-09-30T19:46:00.002-04:00</published><updated>2010-09-30T19:58:24.366-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TKUhiEZmGAI/AAAAAAAAA2w/45ivW_Eu1XU/s1600/naogozonao.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 130px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522857387220146178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TKUhiEZmGAI/AAAAAAAAA2w/45ivW_Eu1XU/s200/naogozonao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;.sim, porque o gozo, o &lt;span style="font-size:78%;"&gt;prazer&lt;/span&gt; e tudo mais um pouco não fazem parte dessa fornicação chamada &lt;em&gt;vida&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3681938580170914824?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3681938580170914824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3681938580170914824&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3681938580170914824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3681938580170914824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/09/blog-post.html' title=''/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TKUhiEZmGAI/AAAAAAAAA2w/45ivW_Eu1XU/s72-c/naogozonao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1979043212210134120</id><published>2010-07-19T23:32:00.008-04:00</published><updated>2010-07-20T09:36:00.428-04:00</updated><title type='text'>.um conto cuiabano.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TEUZNhAI3nI/AAAAAAAAA08/CJ1vZp9iao8/s1600/002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495826640263503474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 138px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TEUZNhAI3nI/AAAAAAAAA08/CJ1vZp9iao8/s200/002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi Deus fumando base na Miguel Sutil. Visivelmente virado, com os olhos fundos e com as pontas dos dedos amareladas, queimadas até. O polegar direito simulava mecanicamente o movimento do isqueiro, item essencial para o famigerado vôo de &lt;em&gt;helicóptero&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Ele queimava, estava em febre na lei do óleo e era possível ver o Diabo tatuando escrituras apócrifas nas suas costas.&lt;/strong&gt; A barba há dias sem ser feita e cheia de perdigotos e de um ou outro grão de arroz que comera apressadamente. Deus estava invernado em pleno calor de Cuiabá, numa parte qualquer da Miguel Sutil. O sol ao meio dia apontando rumos que até eu duvido que existam de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A roupa estava aos fiapos, suja, mijada. De longe era possível sentir o fedor de bosta. Os pés estavam nus, sujando passos nas suas outrora respeitadas linhas tortas. Desaprendera a escrever, a ler e a discernir o que era real e o que era fruto de sua verve divina. Vigiava sempre, claro. Isso é de praxe, como muita gente sabe. Vigiar, vigiar e vigiar. &lt;strong&gt;Quando menos se espera o sono vem, a loucura passa e é hora de sair novamente em busca da Bailarina.&lt;/strong&gt; Quatro da tarde, nove da noute, cinco da manhã. Não importa, pois a Bailarina sempre tem algo – nem que seja &lt;em&gt;uma cabeça miada&lt;/em&gt;. Mas quando se está instigado, qualquer para é suficiente para uma redentora &lt;em&gt;paulada&lt;/em&gt; ao meio dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Quando vi Deus fumando base na Miguel Sutil, imaginei cousas horríveis.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Ao Diabo!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, devia ter dito Ele ao desistir das gratificações que fiéis – e Deus, como bem sabem os adesivos de carro, é fiel – dão sem pestanejar a caubóis que pregam a palavra em showmícios televisionados. Ele desistiu de uma vida pacata de adoração e culpas aceitáveis – Foi Deus quem quis assim, como dizem por aí – para se perder nos meandros da lata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A epistemologia do caos é simples até. Uma cerveja que se bebe vagarosamente. Seca-se bem o interior, amassa-se o centro do corpo dela e com o anel fazem-se os furos da perdição. Os &lt;em&gt;diamantes da desgraça&lt;/em&gt; são cuidadosamente depositados sobre as &lt;em&gt;cinzas do apocalipse&lt;/em&gt;, que por sua vez devem ser postas sobre os pequenos buracos. &lt;strong&gt;Nesse momento Deus peida, e muitas vezes, é bom que se saiba, até se caga todo.&lt;/strong&gt; Só de imaginar o cheiro Ele já se treme. Com o isqueiro de um e cinqüenta Ele pilota o helicóptero, e tão logo se incendeia em fumaça. Depois é tarde. E Deus, quem será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gagueira incontida, tremores descompassados, suor e muito suor unido a um olhar perdido, solto numa esquina escura ao meio-dia. Passei justamente, confesso, nesse momento. Como filho Dele, pedi a segunda. Afinal, tudo o que eu quiser o cara lá de cima vai me dar. Mas Deus me negou a segunda. No alto de sua divina hierarquia, Ele apenas segurou a fumaça que estava dentro da lata. &lt;strong&gt;Vigiou o outro lado da rua, sacudiu a barba e conferiu o restante da parada.&lt;/strong&gt; Senti que eu não era bem-vindo naquele instante, que eu deveria ter deixado de escutar todas aquelas súplicas, e que também deveria eu ter deixado de lado esperanças e o sentimentalismo maldito que corrói e estraga a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus continuou a sua &lt;em&gt;saga&lt;/em&gt;, noute a dentro e dia afora. Um coral de vozes, sirenes e cores. Uma orquestra sem cordas e com o maestro de um movimento só. Como Deus mesmo lera um dia na contracapa de um disco &lt;em&gt;indie&lt;/em&gt;: a vida é tão fácil para quem não a vive. Ele estava vivendo a Dele, a vida que pediu a si mesmo. &lt;strong&gt;De um surrealismo barato, de uma poesia desnecessária e de uma taquicardia deprimente.&lt;/strong&gt; De isso tudo e de nada mais. O calor a derreter o cérebro ainda mais, a corromper os arquivos da memória, a destituir a auto-estima em prol de uma loucura vencida, com efeitos colaterais para além-mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento, achei que Deus estivesse cansado daquilo. Solfejando súplicas e ladainhas venais, era possível ao longe ver a roupa puída, o dorso magro. &lt;strong&gt;E Ele exibia sem pudor a face que um dia foi quase imortalizada por um Irigaray já sem tatuagens.&lt;/strong&gt; O filho Dele havia passado com ajuda, com remédios e com versículos e canções de louvor. Em vão, é bom adiantar. Deus estava decidido a se experimentar num dilúvio de desesperanças, num eterno e &lt;em&gt;grande tombo&lt;/em&gt;. E cambaleando Ele subia e descia avenidas e ruelas, certo de que alguém oraria por Ele e para Ele. Um orgulho febril e quase diabólico O afligia, e sem querer o resto do mundo era olvido por quem o criara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Criador era a sua própria besta em dias de fartura. E Ele se contentava num ato de auto-comiseração regado a generosas baforadas do que mal o Diabo ousa experimentar nas horas de folga. &lt;strong&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1979043212210134120?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1979043212210134120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1979043212210134120&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1979043212210134120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1979043212210134120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/07/um-conto-cuiabano_19.html' title='.um conto cuiabano.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/TEUZNhAI3nI/AAAAAAAAA08/CJ1vZp9iao8/s72-c/002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1320779960725940152</id><published>2010-04-02T22:33:00.002-04:00</published><updated>2010-04-02T22:41:25.117-04:00</updated><title type='text'>.arte contemporânea – ou um conceito deleuzeano para frivolidades sociais.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S7apgIsXI2I/AAAAAAAAAxo/AqR8AfLKOv8/s1600/001.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 161px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455734368160392034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S7apgIsXI2I/AAAAAAAAAxo/AqR8AfLKOv8/s200/001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez por descuido, ou por mera alegria mal disfarçada. Aconteceu. Cortou as vísceras, os pulsos e um pouco a garganta. A cabeça pendia para o lado esquerdo, quase como quem tem dúvida ou como quem, de novo por descuido, demonstra dúvida. Os sons não eram muito compreensíveis – ainda mais de tanto aspirar algo que todo mundo acredita ser cocaína. Sentia-se cheio de cerveja, com cevada até os olhos, e os joelhos úmidos pela espuma dispensável. O gosto amargo, amargo e amargo. Beijo algum, só um ou outro cumprimento mais lascivo que apenas se concretizava em pensamento. Estava um pouco de saco cheio das palavras sem sentido, daqueles poemas ditos por incúria e sem a devida intenção poética. Arte pela arte... Aquilo não era arte, poesia ou tesão. Era tudo ao contrário, um vice-versa descontrolado. Não havia como suportar aquilo, mesmo com os olhos estatelados e com a boca levemente torta pelo amaro gosto que descia a garganta de quando em vez. &lt;strong&gt;Sentia-se um lixo, a escória da humanidade, um artista incompreendido por nada fazer.&lt;/strong&gt; E de fato, se pensasse bem, o era. Estava ali por descuido, por uma comemoração desmedida e sem sentido. Quem faz sentido é soldado, poeta? Então és um milica desgraçado, supõe-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa estava descompassada. Alguns dançavam, outros conversavam bobagens fingindo uma erudição aquosa, sem gosto, anódina mesmo. E a cabeça continuava torta, como cachorro que tenta entender um som diferente. As mãos fingiam acordes, e os pés sambavam num tempo diferente – contratempos de um entendimento sem forças. Estava visivelmente em outra estação, prestes a desembolsar controvérsias. De repente, o gosto amargo de um iminente vômito. Não fez questão de segurar ou correr ao banheiro. Vomitou nos pés de todos que estavam próximos. E enquanto lhe escorria pelo nariz os restos de um jantar às pressas, via de relance o asco alheio, a pouca amizade em compreender a desgraça que lhe ocorria. Passou a mão no vômito que ilustrava o chão quadriculado e limpou-a na camisa branca. &lt;strong&gt;Ameaçou um riso adrede sem graça, mas no fundo insuportável por sua sinceridade desmedida.&lt;/strong&gt; Pessoas se irritaram, claro, e foram embora. O dono da casa trouxe um balde e um pano, limpou com raiva – queria esfregar ali a cara de quem fez aquela arte imunda. Ninguém veio acudir ou mesmo consolar quem vomitou. O cheiro irritava o nariz. O “artista”, porém, não se importava nem um pouco. Pediu mais uma cerveja e foi ao banheiro se inserir uma vez mais na loucura da qual todos compartilhavam – seres pensantes! Voltou com uma aparência nova, anos a menos e com um sorriso menos cínico. Ficou em pé balançando e tentando entender do que todos riam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos a alegria foi se transformando em desilusão, e todos se cansavam das mesmas piadas, da mesma história. Impotentes diante da mesmice, os que não foram embora por causa do vômito começaram a demonstrar uma falsa esperança, um otimismo vencido. Não havia mais o que fazer ali, não havia muito o que esperar. Estavam todos em estações diferentes, em sintonias estranhas e com fisionomias pouco fotogênicas. Bocas tortas, caretas, narizes escorrendo – vivam as águas deste nosso planeta azul! – e toda uma gama de situações corpóreas desnecessárias e ridículas. Pensou em passar a mão na bunda dela, em afagar os seios dela e, claro, em beijá-la. Mas ao mesmo tempo em que desejava isso, sentia o nariz escorrer e escorrer. E lascivamente lambia o líquido aquoso e amargo, e fazia a careta mais compreensível do momento – assim como todos faziam. Cansado de balançar entre figuras e de tentar entender dos versos e das teorias e de todo o arsenal filosófico e artísticos dos convidados, deixou-se escorar numa pilastra. Ficou ali por alguns minutos. De repente, todos no quarto, e num outro instante, todos fora – devidamente com as mãos nos narizes e com o vocabulário de assuntos renovado. &lt;strong&gt;Sentia-se uma vez mais a escória da humanidade, o micróbio que consumiria o intestino de todos os presentes naquele recinto.&lt;/strong&gt; Por isso ficou por uns instantes numa mesa-ensaio analisando o seu tamanho enquanto artista, enquanto verme. O copo de cerveja ao centro e uma pequenez mesquinha do Outro, do grande outro. Ficou por uns tempos sem se mexer, apenas ouvindo os murmúrios, os risos e a pedante conversa dos transeuntes mundanos daquela festa de putas mal pagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou a cerveja esquentar para beber com urgência. Não agüentava mais aqueles instantes de loucura comedida. Foi ao banheiro de novo, mas dessa vez não houve renovação. &lt;strong&gt;A raiva reinava em sua mente florida de idéias artísticas.&lt;/strong&gt; Um tiro certeiro, daqueles estilo dragão-de-Komodo. Passou na cozinha e furtivamente pegou um saca-rolha e um garfo. Era o suficiente. Era esperar que todos fossem ao quarto novamente, e, enquanto isso, com uma cerveja nova na mão esquerda acariciava a si mesmo com a outra – sem vergonha, sem pudores jornalísticos ou preceitos evangélicos. Um ou outro convidado estranhou aquilo, mas entendiam que artista costuma se fazer por doudo, por tarado ou algo do gênero. Ao primeiro sinal de que iriam adentrar o espaço para novos encontros intelectuais via canudo, preparou-se. Era o momento da ação-mor, da instalação mais significante que todos ali veriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira a sair foi a mulher do anfitrião, e ela então foi, infere-se por obviedade, a primeira a ser golpeada. Sem gritos, pois a garganta trancada – sinal de um pó bom, muito bom – impedia qualquer reação sonora. Com o garfo furou fundo o seio esquerdo dela, e com o saca rola furou um dos seus olhos castanhos. Foi tudo muito rápido. Ao que saiu um convidado qualquer – e naquele instante todos eram quaisquer convidados –, enfiou o garfo na garganta do infeliz. &lt;strong&gt;Dessa vez houve gritos, pois o desgraçado esperneou pelo chão tentando estancar o sangue que esguichava.&lt;/strong&gt; Os demais saíram assustados, e ficaram mais ainda quando viram a artista – a mesma do vômito – arrancando o olho do rapaz com o saca-rolha. Antes que alguém lhe chutasse a cara e os dentes e as costelas e a virilha e todo o seu corpo tenso, riu pelo canto da boca, tomou da cerveja e exibiu o globo ocular do convidado infame. Por instinto ou por incúria, solfejou uma melodia demasiado álacre para aquela hora, e foi esse o motivo de todos odiarem aquela instalação contemporânera-pós-surrealista de tons medievais. Inconformada, deixou a cabeça pender para esquerda e fechou os olhos bem antes de levar o primeiro chute que a tatuaria um novo riso no rosto. A glória vem aos ousados, pensou. Aos ousados, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1320779960725940152?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1320779960725940152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1320779960725940152&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1320779960725940152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1320779960725940152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/04/arte-contemporanea-ou-um-conceito.html' title='.arte contemporânea – ou um conceito deleuzeano para frivolidades sociais.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S7apgIsXI2I/AAAAAAAAAxo/AqR8AfLKOv8/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2543674445916051219</id><published>2010-03-09T21:24:00.008-04:00</published><updated>2010-03-09T21:34:34.291-04:00</updated><title type='text'>.tudo bem, eu aceito ser teu nome fantasia por hoje e para um sempre com os dias contados pois sei bem do teu caleidoscópio.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b2T2lN0tI/AAAAAAAAAw0/edSPZ2CMZVQ/s1600-h/0011.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 104px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446811620280750802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b2T2lN0tI/AAAAAAAAAw0/edSPZ2CMZVQ/s200/0011.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b2EsGUt9I/AAAAAAAAAws/sDfmK9cGS9A/s1600-h/0022.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 101px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446811359768786898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b2EsGUt9I/AAAAAAAAAws/sDfmK9cGS9A/s200/0022.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b16G85uyI/AAAAAAAAAwk/nC-ayMja_qE/s1600-h/0033.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 101px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446811177998465826" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b16G85uyI/AAAAAAAAAwk/nC-ayMja_qE/s200/0033.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2543674445916051219?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2543674445916051219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2543674445916051219&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2543674445916051219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2543674445916051219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/03/tudo-bem-eu-aceito-ser-teu-nome.html' title='.tudo bem, eu aceito ser teu nome fantasia por hoje e para um sempre com os dias contados pois sei bem do teu caleidoscópio.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S5b2T2lN0tI/AAAAAAAAAw0/edSPZ2CMZVQ/s72-c/0011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-9151644452551887218</id><published>2010-03-01T00:35:00.007-04:00</published><updated>2010-03-02T00:22:57.688-04:00</updated><title type='text'>.set list.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4tEJm7676I/AAAAAAAAAuE/4mDtNdXV1-g/s1600-h/001a.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 146px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443519506468761506" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4tEJm7676I/AAAAAAAAAuE/4mDtNdXV1-g/s200/001a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estava em silêncio, comentando consigo mesma todos os impropérios que podia imaginar. Excitada com aquilo tudo, inegavelmente, ela estava. Era muita gente, muitos rostos novos, gente bonita, possíveis parceiros. Vestida com uma saia curta e uma blusa com um vistoso coração retalhado, o corpo parecia maior com aquela bota. &lt;strong&gt;Os seios muxibentos não fariam a menor diferença.&lt;/strong&gt; Logo ela, tão intelectualizada e ligada à parte filosófica do movimento anarquista. Não, definitivamente não fariam a menor diferença. Ficou num canto com uma lata de cerveja na mão. Seria questão se minutos até que alguém a chamasse para uma conversa ou mesmo para algo mais tórrido, mais prático e menos deleuziano – ou qualquer cousa do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Do outro lado da cidade, um vendedor de picolé estava voltando para casa. Foi assaltado. E espancado por querer se defender mostrando a bíblia que levava para baixo e para cima. Chegou em casa sem o devido dinheiro, com a cara amassada. &lt;strong&gt;A auto-estima cutucava as costelas de Jesus.&lt;/strong&gt; A mãe pediu para que rezasse, pois era tudo muito natural na lógica divina. Uma lógica que parecia casar com outra que diz: viver é sofrer. Pouco importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;No palco, a banda estava incompleta.&lt;/strong&gt; Foram dous bateristas e um baixista que parecia querer vomitar a cada nota. Depois de algumas músicas irreconhecíveis aos ouvidos mais atentos, eles estavam com o riso mais constrangido, mais sem graça. Inevitável. Sempre olhando para os músicos convidados para dar instruções desnecessárias – pois eles errariam do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enquanto isso, no canto da casa de shows, uma garota chocava uma lata de cerveja. Moribunda e com uma aparência estilo anos 1980. Ela parecia ter saído de uma revista, de um vídeo-clipe ou de um sonho de local e data indeterminados. Na penúltima música ela se aproximou do palco, olhou com certo encanto um dos violeiros, limpou o rosto dos perdigotos do mesmo e, sorrateiramente, pegou o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;set list&lt;/i&gt; displicentemente jogado no palco. Achou que estava sendo subversiva ou algo assim. &lt;strong&gt;Pouco importa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando molhou o rosto e se olhou no espelho, já havia perdido quanto tempo estava tomando aquela cerveja e nada de ninguém chegar para uma conversa filosófica. Tateou os seios exíguos, deu tapa leve no rosto. &lt;strong&gt;Desandou a chorar – ali mesmo, na porta do banheiro.&lt;/strong&gt; Tirou o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;set list&lt;/i&gt; da bolsa e leu os títulos das músicas que nunca havia ouvido. Foi empurrada por outras que queriam usar o banheiro. Fingiu dureza. Comprou outra cerveja e logo esqueceu das filosofias e de todas as ideologias – na verdade, espécies de peneiras. Prestou atenção e cantou os últimos versos do último refrão. Mas sabia que eles não fariam diferença para ela naquele momento de tamanho abismo, de tamanha descrença – uma ousada dodecafonia &lt;?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em Braille. Não"&gt;em Braille. Não&lt;/st1:personname&gt;, definitivamente não fariam a menor diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;A lógica divina não faz tanto sentido.&lt;/strong&gt; Mas viver, definitivamente, é sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;*Set list d'osviralata de um show-jam-session peculiar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-9151644452551887218?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/9151644452551887218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=9151644452551887218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9151644452551887218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9151644452551887218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/03/set-list.html' title='.set list.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4tEJm7676I/AAAAAAAAAuE/4mDtNdXV1-g/s72-c/001a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-678135852416128243</id><published>2010-02-26T18:08:00.009-04:00</published><updated>2010-03-02T00:23:31.170-04:00</updated><title type='text'>.desencanto.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4hGl_HIbAI/AAAAAAAAAt4/DS23wVcxAC8/s1600-h/0012.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 122px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442677768087694338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4hGl_HIbAI/AAAAAAAAAt4/DS23wVcxAC8/s200/0012.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estava puto com tudo aquilo, com toda aquela situação.&lt;strong&gt; Ah, como estava puto!&lt;/strong&gt; Se tivesse uma arma, mataria quem estivesse por perto: mãe, pai, filho, puta, padre, freira, cachorro, vigia, cangaceiro, intelectual burro, gordo, magro, drogado, careta, crente, ateu, doente, são e tudo mais que pudesse matar enquanto tivesse munição. E tudo porque ele comprou dela as lembranças de uma festa que não pôde ir. A alegria, os risos, as cenas engraçadas, as pequenas rusgas, os olhares, a bebedeira, a desgraça dos cumprimentos, a falsidade gratuita, os vestidos cafonas, as roupas caras, os sapatos limpos, os perfumes enjoativos, as músicas irritantes, as conversas sem rumo, a comida cara, a cerveja quase quente, a preocupação de voltar para casa, a lembrança do gasto, a sensação de que nada valeu a pena, a irritação de ver os outros felizes com pouca cousa, a satisfação de se sentir o maioral sabendo que não passa de um merda, os elogios atrasados, os entendimentos desnecessários, as memórias datadas, a inexplicável vontade de cagar e de ter um revólver para matar mãe, pai, filho, puta, padre, freira, cachorro, vigia, cangaceiro, intelectual burro, gordo, magro, drogado, careta, crente, ateu, doente, são e tudo mais que pudesse matar enquanto tivesse munição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pagou barato, claro. &lt;strong&gt;Logo se enfastiou com tanta cousa não vivida por ele.&lt;/strong&gt; Imprimiu algumas cenas e as guardou num álbum escuro para às vezes – e só às vezes –, quase que furtivamente, deixar-se irritar com toda aquela baboseira social. Repetia triste consigo mesmo, quase sem força: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Vai morrer pra lá!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-678135852416128243?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/678135852416128243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=678135852416128243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/678135852416128243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/678135852416128243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/02/desencanto.html' title='.desencanto.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S4hGl_HIbAI/AAAAAAAAAt4/DS23wVcxAC8/s72-c/0012.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8275158707566686846</id><published>2010-02-04T00:18:00.003-03:00</published><updated>2010-02-04T00:23:53.282-03:00</updated><title type='text'>.de um Gregor qualquer.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S2o9MX7SdgI/AAAAAAAAAtc/Qa2mcNF4hhk/s1600-h/083.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 146px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434223183166338562" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S2o9MX7SdgI/AAAAAAAAAtc/Qa2mcNF4hhk/s200/083.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não havia mais saída, tampouco rima ou solução. A métrica estava errada e a melodia chorosa era outra, definitivamente diferente do que outrora tocava o peito murcho do rapaz. Ah, quanto descuido! Sentado em sua rotina inevitável, chorando pequenas alegrias e com a mesquinhez desnecessária para com as tristezas mais lhanas e feéricas: esta era a triste figura, o seco molambo que curvado caminhava entre as conquistas alheias. Comumente se imaginava mordendo com raiva um garfo: os dentes trincando, os olhos lacrimejantes e o nariz a escorrer sangue. Um murro, uma briga perdida, uma humilhação gratuita por uma boa ação. O carnaval de outrora se tornou quarta-feira de cinzas, uma eterna quarta-feira de cinzas. Pulou demais, sambou demais. Tudo em silêncio, num sepulcral silêncio. &lt;strong&gt;Exilado de si mesmo, fugindo de saudades.&lt;/strong&gt; Um sujeito estranho que sofria em câmera lenta, e que preguiçosamente se apressava em se explicar para tudo e por todos. Mal entendido era pecado, e se submeter a enganos a melhor penitência. Sofrimento por uma questão de classe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O beco sem saída, destarte, apresentava-se como inevitável. Mas eis que questões outras suprimiam aos poucos a suposta falta. Cocaína, adereços, cachaças baratas, sambas incomuns e ilustrações mudas cujas cores destilavam a mais inofensiva lascívia. Todo aquele catálogo de tristezas – uma para cada dia da semana, e com direito a alguns brindes para momentos inoportunos: improvisos e afins – se mostrava inútil diante de tanto egoísmo alheio. &lt;strong&gt;Era apenas mais um, um a mais a apenas matar o tempo ao invés de viver.&lt;/strong&gt; Um dom deixado de lado por contrato. Queria deixar de ser aquela nota de rodapé no livro alheio, aquela citação imprópria que intelectualmente sequer servia ao texto. As esperanças de antigamente, frustrantes e mal fodidas, todas elas estavam vencidas há tempos. Depois de tudo – ah, depois de tudo! – é que percebeu o quão inútil foi aquele descuido desmedido. Ali, parado em frente de si mesmo no beco – um istmo para suas decepções rizomáticas –, não havia muito o que fazer. Não, não havia. Inundado de imagens descoloridas, ficou sem ação por muito tempo. Literato de bula de remédio, seu &lt;em&gt;enjambemant&lt;/em&gt; mais bonito aproximava doença e Deus. Mas sua fé de nada valia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma valsa embalava seus pensamentos sutilmente agressivos. Três para lá, três para cá. Uma matemática desigual. Convencia a si mesmo que era o fim. O céu amarelado em tom desesperador fazia suas angústias parecerem aquarelas. Tanta saudade de nada e para nada. &lt;strong&gt;Coçava o ego e reconhecia a sua insignificância perene, sua passagem trivial por uns e por outros.&lt;/strong&gt; Vasto em sua importância de botequim, ébrio querido dos mais íntimos desimportantes – amigos ocasionais. O verdadeiro Gregor de um dia-a-dia assaz ridículo. Beijos azedos, hálito podre, humor de cotovelo e dores afins: um diagnóstico sem precedentes no que diz respeito a cousa alguma. Um brinde à mediocridade! Um brinde!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abatido, chocho, murcho... Queria apenas voltar aos dias de inocência, período em que não confundia educação com libido, esperteza com mau-caratismo. Era tarde, e sabia muito bem disso. Um caso a mais nas elucubrações perdidas de mesas de bar, um causo a mais nos confins de arquivos mortos. Salvou-se adrede em disquete para ser esquecido, e assim foi. &lt;strong&gt;Arrependimento algum pagava aquela sensação única.&lt;/strong&gt; Queria apenas mofar, virar peça de museu pessoal, utensílio de afago ao ego de colecionador impotente – motivo para ejaculações precipitadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma rotina infame em prol da mediocridade. Sem quadros, irmãs, mães, pais, empregadas e patrões. Apenas uma janela e o céu cinza. &lt;strong&gt;Um bonito esboço do que poderia ser.&lt;/strong&gt; Faltou esforço e sorte, apenas isso. E isso, de fato, era justamente o essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8275158707566686846?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8275158707566686846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8275158707566686846&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8275158707566686846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8275158707566686846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2010/02/de-um-gregor-qualquer_04.html' title='.de um Gregor qualquer.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/S2o9MX7SdgI/AAAAAAAAAtc/Qa2mcNF4hhk/s72-c/083.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2856684684118566754</id><published>2009-12-21T01:07:00.000-03:00</published><updated>2009-12-21T01:15:04.864-03:00</updated><title type='text'>.triste.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sy72BjXlxdI/AAAAAAAAAr8/8q8Nk4Dj0QI/s1600-h/002.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 146px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417537908307772882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sy72BjXlxdI/AAAAAAAAAr8/8q8Nk4Dj0QI/s200/002.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2856684684118566754?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2856684684118566754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2856684684118566754&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2856684684118566754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2856684684118566754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/12/triste.html' title='.triste.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sy72BjXlxdI/AAAAAAAAAr8/8q8Nk4Dj0QI/s72-c/002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8542179887827667740</id><published>2009-12-16T23:39:00.001-03:00</published><updated>2009-12-16T23:41:54.651-03:00</updated><title type='text'>.pseudo-agaquê.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SymaS4N4P-I/AAAAAAAAArk/7sL8ZU422y8/s1600-h/001.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 142px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416029676008652770" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SymaS4N4P-I/AAAAAAAAArk/7sL8ZU422y8/s200/001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; .capa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8542179887827667740?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8542179887827667740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8542179887827667740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8542179887827667740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8542179887827667740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/12/pseudo-agaque.html' title='.pseudo-agaquê.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SymaS4N4P-I/AAAAAAAAArk/7sL8ZU422y8/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3522530275743711062</id><published>2009-12-14T23:22:00.002-03:00</published><updated>2009-12-14T23:32:00.720-03:00</updated><title type='text'>.this is an offer to better the last let-go.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Syb0VFKzLjI/AAAAAAAAArc/8XNnInLK5x4/s1600-h/with.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 143px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415284244961504818" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Syb0VFKzLjI/AAAAAAAAArc/8XNnInLK5x4/s200/with.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3522530275743711062?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3522530275743711062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3522530275743711062&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3522530275743711062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3522530275743711062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/12/this-is-offer-to-better-last-let-go.html' title='.this is an offer to better the last let-go.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Syb0VFKzLjI/AAAAAAAAArc/8XNnInLK5x4/s72-c/with.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4434838307225122732</id><published>2009-11-30T00:12:00.001-03:00</published><updated>2009-11-30T00:14:51.763-03:00</updated><title type='text'>.do dilúvio.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SxM4TndtjFI/AAAAAAAAArA/tZjnUUEu-N0/s1600/dodil%C3%BAvio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 188px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409729487064370258" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SxM4TndtjFI/AAAAAAAAArA/tZjnUUEu-N0/s200/dodil%C3%BAvio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397859474356502546" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SukMl8R_ABI/AAAAAAAAAqU/6FSgfOEfadM/s200/001.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A porta se abriu de novo, lentamente. A casa se desfazia na memória, desmanchava aos poucos. Ficou parado de frente para o mar, e preguiçosamente respirava a brisa. Pendurava lembranças numa parece alva, e contava as tábuas que forravam o quarto. Os olhos estavam semicerrados, um riso involuntário se insinuava e nas mãos inertes se embolavam as linhas que outrora foram traçadas a esmo. Ouvia de leve os ruídos, as escadas caindo, as estantes despencando, os livros sendo arrastados e todo o arsenal de memórias sendo consumido. Um pandemônio nostálgico, um circo de saudades. Tudo muito sem graça, claro. Tudo muito dramático. Virou-se sem muito ânimo, e viu um inofensivo incêndio na sala de estar. A fuligem enegrecia o peito, mas a falta de ar não o incomodava. Voltou mais uma vez o olhar cansado ao mar, à brisa. Fechou os olhos por uns segundos, e sentiu medo de toda a eternidade vivida em poucos meses, em algumas semanas, em dias, horas, palavras, beijos. Uma eternidade deveras bonita, dessas que ilustram as cores mais comuns aos gênios. Um tempo eterno que havia começado numa manhã rouca, depois de uma noute barulhenta. Isso foi há tempos, e naquele instante o medo logo se transformou em algo lancinante, num sentimento que o fazia querer subir mais uma vez a escada para poder beijar a fonte lasciva. Queria inda mais uma vez ver de perto o riso, marcar a silhueta com os dedos ou mesmo observar a construção de sonhos nos quais ele era coadjuvante. Queria tudo ao mesmo tempo agora mesmo tudo ao tempo mesmo agora ao mesmo tempo. Virou o corpo para mais uma olhadela, e viu que, de repente, a destruição havia parado. Uma palavra, uma conversa talvez. A desconstrução simplesmente parou. Pendeu a cabeça para o lado como quem custa a crer no milagre em plena igreja, e até se sentiu culpado por desacreditar em tamanha alegria. O sermão seria outro! Afinal, quem poderia garantir que, por incúria ou demasiado otimismo ele se permitisse perambular por quartos, salas e quintais e, sem mais nem menos, tudo pudesse mais uma vez ruir? Era arriscado, e ele sabia muito bem. Mas a construção ao avesso parou! E ele então foi ao encontro da silhueta, dos risos e de tudo mais que tanto o encantava enquanto estava distante! E se sentiu tão bem! &lt;strong&gt;No andar superior, concluiu rabiscos, criou elogios e insinuou palavras no corpo cujo idioma aprendera em manhãs dominicais e em ocasiões outras tão belas quanto singelas.&lt;/strong&gt; Um ou outro pedaço de concreto caía inda da construção, mas nem se deu conta. Perdeu os olhos, queimou os navios. A mesma história dos desvarios. E não fazia diferença, enfim. A égide de outros tempos estava de volta. Podia sentir o desembaraçar na palma das mãos. A calma e prazerosa terapia alternativa, a mesma vontade de gaguejar palavras em língua estrangeira. Uma viagem, um desenho novo e todo o debuxo de uma história que pode ser animada quadro a quadro – mas que também pode ganhar dimensões mais, cores e texturas outras, palavras e imagens diferentes. Talvez seja muita cedo para projetar tal película. Além do mais, a casa precisa ser reerguida, as paredes precisam ser pintadas e o azulejo precisa ser manchado uma vez mais para sangrar demônios e chistes. O orçamento foi feito com uma margem de erro aceitável – se é que existe tal margem, uma vez que todo o caudaloso rio de sentimentos foi assoreado. Não há como negar: ele está raso, mas também não há como negar a força da correnteza. Apenas se deixa levar, pois não se afoga mais, mas quem não sabe nadar também não sobrevive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Corta!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltemos ao diálogo. As elucubrações filosóficas a gente grava amanhã. Você fala agora, nem que seja num simples comentário. &lt;strong&gt;Eu espero as palavras.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4264028146833111081?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4264028146833111081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4264028146833111081&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4264028146833111081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4264028146833111081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/10/16mm-ou-uma-imagem-roubada-de-uma.html' title='.16mm – ou uma imagem roubada de uma película de cores oníricas.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SukMl8R_ABI/AAAAAAAAAqU/6FSgfOEfadM/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2971836970589305450</id><published>2009-10-10T09:34:00.004-04:00</published><updated>2009-10-10T09:44:57.644-04:00</updated><title type='text'>.do que não mais vou libar.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/StCODGr7gXI/AAAAAAAAApk/dBEeurHJqCA/s1600-h/m%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 140px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390964937948103026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/StCODGr7gXI/AAAAAAAAApk/dBEeurHJqCA/s200/m%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;Valêncio Xavier. E Miran.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;**&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;As palavras pediram férias. Assim será. Até.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2971836970589305450?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2971836970589305450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2971836970589305450&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2971836970589305450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2971836970589305450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/10/do-que-nao-mais-vou-libar.html' title='.do que não mais vou libar.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/StCODGr7gXI/AAAAAAAAApk/dBEeurHJqCA/s72-c/m%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5551332653240955585</id><published>2009-10-08T19:56:00.003-04:00</published><updated>2009-10-08T20:01:51.465-04:00</updated><title type='text'>.do nada.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ss58SbTg01I/AAAAAAAAApY/eul6-t67j5w/s1600-h/.please..jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 103px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390382460018152274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ss58SbTg01I/AAAAAAAAApY/eul6-t67j5w/s200/.please..jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para não conseguir mais falar, sentir ou duvidar. &lt;strong&gt;Simplificar tudo.&lt;/strong&gt; Um mero exercício para o ego. Afinal, não vale a pena ter grandes idéias. Elas não se concretizam. Coincidentemente elas não se concretizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5551332653240955585?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5551332653240955585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5551332653240955585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5551332653240955585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5551332653240955585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/10/do-nada.html' title='.do nada.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ss58SbTg01I/AAAAAAAAApY/eul6-t67j5w/s72-c/.please..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8231352475830117851</id><published>2009-10-06T16:58:00.011-04:00</published><updated>2009-10-06T17:24:53.869-04:00</updated><title type='text'>.da conversa casual.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssuv2WBkZ9I/AAAAAAAAAoI/kF0WA9ims6I/s1600-h/07.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389594727238887378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssuv2WBkZ9I/AAAAAAAAAoI/kF0WA9ims6I/s200/07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssu1hIGDKAI/AAAAAAAAApQ/-LADVU22g3U/s1600-h/b.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389600959792097282" style="WIDTH: 140px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssu1hIGDKAI/AAAAAAAAApQ/-LADVU22g3U/s200/b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuyKdch-NI/AAAAAAAAAoo/jQpfTL0sT0w/s1600-h/09.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssu00ezkmaI/AAAAAAAAApI/fuznmXaz__k/s1600-h/09.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389600192794499490" style="WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssu00ezkmaI/AAAAAAAAApI/fuznmXaz__k/s200/09.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuycRGFGKI/AAAAAAAAAow/8AJ8_sbDBEo/s1600-h/10.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389597577773914274" style="WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuycRGFGKI/AAAAAAAAAow/8AJ8_sbDBEo/s200/10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuzKGIkiUI/AAAAAAAAAo4/iQV0JyD_d9E/s1600-h/13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389598365105555778" style="WIDTH: 140px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuzKGIkiUI/AAAAAAAAAo4/iQV0JyD_d9E/s200/13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuzhL1q-7I/AAAAAAAAApA/Ft3App0YCmI/s1600-h/12.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389598761773890482" style="WIDTH: 140px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SsuzhL1q-7I/AAAAAAAAApA/Ft3App0YCmI/s200/12.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8231352475830117851?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8231352475830117851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8231352475830117851&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8231352475830117851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8231352475830117851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/10/da-conversa-casual.html' title='.da conversa casual.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Ssuv2WBkZ9I/AAAAAAAAAoI/kF0WA9ims6I/s72-c/07.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3984854567659290195</id><published>2009-09-25T16:32:00.001-04:00</published><updated>2009-09-25T16:36:08.613-04:00</updated><title type='text'>.do passeio.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sr0pL3eJn4I/AAAAAAAAAn8/PAx8v9paB28/s1600-h/0011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385506013250690946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 124px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sr0pL3eJn4I/AAAAAAAAAn8/PAx8v9paB28/s200/0011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E no meio da tormenta, encontrou um pedaço de terra para ancorar. Desafogou os olhos, murchou as tristezas e com cuidado tomou o ar necessário para iniciar a travessia. Abandonou os pesos, as alegrias e todas as palavras vazias. Deixou de lado também algumas vaidades, e licitou a si mesmo a coragem que tanto almejou ter. Era tarde quando partiu, e mais tarde ainda quando chegou. Do nada ao nada, numa valsa intranquila sobre o tapete azul. &lt;strong&gt;Versou tangos, rabiscou o ar.&lt;/strong&gt; Estava pronto, enfim, para desaguar em si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas queria mesmo é fazê-lo [em] lá. E &lt;strong&gt;em silêncio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3984854567659290195?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3984854567659290195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3984854567659290195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3984854567659290195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3984854567659290195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/09/do-passeio.html' title='.do passeio.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sr0pL3eJn4I/AAAAAAAAAn8/PAx8v9paB28/s72-c/0011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7308866409538470968</id><published>2009-08-27T01:25:00.004-04:00</published><updated>2009-08-27T01:56:32.195-04:00</updated><title type='text'>.sobre um hipotético fim.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpYY8DUI9CI/AAAAAAAAAmg/KkQ46QGOc8Y/s1600-h/casal2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374510625274262562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 142px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpYY8DUI9CI/AAAAAAAAAmg/KkQ46QGOc8Y/s200/casal2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez eu nutra sim algum magro otimismo, aquela tal esperança de tudo se ajeitar. Mas no fundo sei que não é mais possível. Algo desbotou a cor e também desafroxou o nó que nos sufocava em noutes incomuns e em manhãs ensolaradas. Não saberia eu explicar o que houve, pois foi algo repentino. Eu me sinto como que com um &lt;em&gt;tiro&lt;/em&gt; minuciosmente preparado para mim, mas com uma imensa vontade de espirrar. Eu posso ter um derrame, mas também posso perder a loucura, os devaneios e tudo mais. Tento segurar a respiração, ficar adrede sem ar... Cuspo o choro quando vejo uma foto tua, e instigo a minha criatividade para pensar em quatro, nove, mil cousas ao mesmo tempo. Infância, imagens, cidades, distâncias e viagens outras. Os olhos se afogam, e isso é inevitável. A questão, explico, é ter de me acostumar, ter de reacostumar. Mas isso eu acho que consigo, e o farei para o teu bem. Não imagino te ver triste, e nem desejo. Sabes da minha fraqueza, do meu sentimentalismo desmedido, exagerado. Se vou nesse instante é porque juntos perdemos a noção da hora, tal qual o casal da canção. Meus navios, todos queimados. Desvarios, os mais incansáveis possíveis. Foi tudo muito bonito, acredite. Não guarde mágoas de mim ou de situações sublimadas por beijos e afagos muitos. Não espalhe nossos segredos, não repita nossas pequenas pornografias. Até repita, não poderia eu te privar dos prazeres. Afinal, existe ética pós-relacionamento? A gente vai sentir isso na prática, não? Desculpa se vou tarde ou se pareço pouco apressado. Há todo um caminho a seguir, placas pedindo para serem ignoradas, destinos a serem corrompidos. Fecho os olhos na hora do &lt;em&gt;até mais&lt;/em&gt;, tento ser breve. Sei que vou sentir&lt;em&gt; muito&lt;/em&gt;, e que vais sentir também. Sintamos, pois somos os melhores poetas de nossos dias juntos. Somos quem melhor pode esboçar o tamanho da nossa tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será esse o nosso fim do mundo, o nosso &lt;em&gt;big bang&lt;/em&gt; ao contrário. Condensemos nossas massas, e sigamos esperando por iminentes e inevitáveis supernovas. E se opto não pelo &lt;em&gt;tiro,&lt;/em&gt; mas pela sanidade mórbida, não é por simples exercício do meu ego. Optar por um possível derrame não me é fácil, mas é providencial para não prolongar um vício deveras perigoso. Gostar de ti, entenda, é caso de polícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Este bilhete aqui escrito faz parte de um meme proposto por Daniele Vieira e que me chegou por &lt;a href="http://insolente4.blogspot.com/"&gt;Insolente&lt;/a&gt;. A proposta é que os indicados façam uma missiva como se rompesse com alguém. A idéia foi inspirada na exposição &lt;em&gt;Cuide de Você&lt;/em&gt;, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos.&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Regras do meme:&lt;br /&gt;I.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;II.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;III.: Indicar cinco pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados: &lt;a href="http://historietasmalcontadas.blogspot.com/"&gt;Isa&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://prosacaotica.blogspot.com/"&gt;Maira Parula&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://ondeestagenebra.blogspot.com/"&gt;Alfaia&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.google.com.br/"&gt;Deus&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://penaelanaoterumblogparaisso.algumacousa.com/"&gt;Little Rabbit&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7308866409538470968?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7308866409538470968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7308866409538470968&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7308866409538470968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7308866409538470968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/08/sobre-o-fim.html' title='.sobre um hipotético fim.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpYY8DUI9CI/AAAAAAAAAmg/KkQ46QGOc8Y/s72-c/casal2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8485944230476941932</id><published>2009-08-25T00:36:00.008-04:00</published><updated>2009-08-25T01:11:31.286-04:00</updated><title type='text'>.sobre estações idiossincrásicas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpNq3n078_I/AAAAAAAAAmY/fBWAq1hJrk0/s1600-h/debuxo3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373756284199498738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 142px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpNq3n078_I/AAAAAAAAAmY/fBWAq1hJrk0/s200/debuxo3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou aos poucos arrancar as folhas da copa outrora frondosa. Vou murchar minhas esperanças, secar os horizontes. &lt;strong&gt;Exibirei com timidez o meu outono mais sincero, a minha primavera ao contrário, o avesso do meu verão.&lt;/strong&gt; Se não rio mais não é culpa de alguém ou de uma situação deveras alheia ao meu entendimento raso, mas por não ter mais a graça em mim. Talvez não rir de mim mesmo seja a pior das mazelas. Não que isso signifique muito, pois no fundo sei que pouca diferença vai fazer ser ou não a pior das mazelas. É apenas uma questão idiossincrásica que reverbera pouco na acústica dos meus sentimentos. Egoísta que sou, desses que mesquinham olhares e roubam alheios sorrisos bonitos muito, não sei lidar com situações de extrema pobreza - seja de esperança, pespectivas ou de qualquer natureza. A pobreza me encanta por excitar a criatividade, mas ao mesmo tempo me castra de discernimentos peculiares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei lidar com a distância também. Acho que nunca soube, ou me enganava que sabia. Cartas e ademanes descompassados não são suficientes. Não, não são. Aprendi isso há pouco tempo, quando por incúria eu adrede imaculei as páginas brancas de um bem-querer cheio de malícia. Não foi possível ter todo o respeito, malgrado o carinho não chegar a ser pornográfico. Não, nunca foi. Temas e sons ecoando num espaço-tempo desafiador. As memórias bonitas, as lembranças num mosaico cujas cores embaçam a vista. Eu não estou preparado para lidar com a distância ou com a extrema pobreza sentimental. Fazer o pior tudo ao mesmo tempo agora pior ao mesmo tempo e fazer tudo agora o pior mesmo ao pior tudo o pior ao mesmo tempo agora tudo pior ao mesmo tempo e fazer tudo agora o pior mesmo ao pior. Eu sou o pior, acredito. &lt;strong&gt;Só posso ser o pior, a linha torta da simetria.&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ggILnSuDZEU"&gt;Simetria!&lt;/a&gt; A carta, o calendário do ano passado ou mesmo a feérica tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas adianto que não é fingir ser o sofredor, o que precisa de atenções e necessidades especiais. Sou um excepcional do pessimismo, um doente da desesperança e crente na minha fé do acaso ruim. &lt;strong&gt;Sou também um vai e vem desgraçado, o desinventar da alegria.&lt;/strong&gt; Talvez se soubesse me relacionar melhor com a distância eu pudesse ver as entrelinhas e ler as cores em garrafais letras. Mas sei que o &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; e o &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; são cadeados da certeza: destroem obras, corrompem elucubrações oníricas e distorcem os mais suaves sentimentos. São aditivos de uma criatividade torta, e mesmo sendo eu &lt;em&gt;gauche&lt;/em&gt; - pelo menos assim acredito ser -, tal qual o poeta, não consigo lidar com isso tudo, com esse emaranhado de universos. É um &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QFwQIRwuAM0"&gt;preço&lt;/a&gt; deveras alto para um conselho tão inesperado, mas não há do que reclamar, pois a crença é minha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em meu outono forçado, não irei mensurar a falta. Sim, a falta. &lt;strong&gt;O buraco no qual eu me consumo, no qual eu me caio.&lt;/strong&gt; O momento de silêncio, de desvincular os planos e de descolar as pétalas outrora rabiscadas com pressa, desespero. A manhã ofegante e tão aguardada, os dizeres sussurrados com esmero. Não, não pode ser. Trata-se apenas de um&lt;em&gt; trailer&lt;/em&gt; caseiro, as imagens na penumbra não virarão fotos clássicas, e aquele abraço lancinante não renderá elogios ou canções. A &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MTAnmUj4bXs"&gt;ausência&lt;/a&gt;, apenas. É uma questão de crença, afinal. E desacreditado sou estou desacreditado e sou. Não irei verbalizar meus temores, minhas dúvidas e outras questões de ordem secundária. Entender como movem as pás de um moinho: essa é a questão! São monstros, dragões, e em meu exangue Rocinante desafio - em meu outono descolorido - as mais sinceras esperanças que escondo de mim mesmo. Canto em falsete versos que antes me eram quistos, aforismos que em tempos outros eram essenciais ao bom entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que os &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; e os &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; são os piores algozes que existem. Eles destróem relacionamentos, amputam sonhos. Os &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; podem tornar obras incompletas, macular de dúvida a mais certa das cousas, o mais sincero olhar ou a mais pungente lágrima. Os &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; também: quebram pernas, dedos, braços. Eles torcem esperanças e pisam no jardim outrora florido. Convenhamos: otimismo demais, mesmo que incúria, só pode resultar nisso mesmo. Um tapa! Um murro! Um cuspe! O escarro, a pedra, o afago e o beijo. A falta de ar, o riso amarelo, a apatia. &lt;strong&gt;O mundo se torna um soluço e as palavras se afogam a cada tentativa de se fazer entender.&lt;/strong&gt; E então voltamos aos aforismos, à distância descosturada, à conversa derradeira com os olhos marejados de uma sinceridade já conhecida. Uma dependência estranha, uma falta de palavras necessária - a dramatização está nisso, acredito - mas ao mesmo tempo inoportuna, pois era aquele o momento para se dizer impressões, tristezas e para compartilhar uma &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DxCuxDjkewg"&gt;viagem egocêntrica&lt;/a&gt;, marcas e impressões que um dia foram mais bonitas. Não que hoje não exibam beleza, mas as cores não têm a mesma urgência. A miopia ajuda, talvez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois descobre-se que havia muito o que dividir, mas faltava algo. O que resta agora é o conformismo forçado, uma vontade de dizer não. E adiantaria? &lt;strong&gt;Quem sabe gritar no abismo do inconsciente e esperar por respostas. &lt;/strong&gt;Mas é certo que quando chicotearem o cavalo em praça pública, o aconselhável é pedir que não estranhem a minha demência, minha lisérgica reação exagerada. Eu sou propositalmente assim, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FOTdWLpoPPo"&gt;sem ritmo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8485944230476941932?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8485944230476941932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8485944230476941932&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8485944230476941932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8485944230476941932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/08/sobre-estacoes-idiossincrasicas.html' title='.sobre estações idiossincrásicas.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SpNq3n078_I/AAAAAAAAAmY/fBWAq1hJrk0/s72-c/debuxo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-920630828390876535</id><published>2009-08-02T22:55:00.007-04:00</published><updated>2009-08-02T23:15:11.902-04:00</updated><title type='text'>.sobre a festa e o lembrete onírico.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SnZRzAJOarI/AAAAAAAAAlk/_uT9lQRmX-M/s1600-h/berr.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365565942712396466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 152px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SnZRzAJOarI/AAAAAAAAAlk/_uT9lQRmX-M/s200/berr.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cancelou os compromissos para poder cortar as arestas que cutucavam a lembrança. Queria descansar saudades, acomodar imagens necessariamente coloridas – de um bronzeado lascivo. Estava com o semblante sujo, enegrecido por uma fuligem outrora suave, mas agora um tanto um quanto cancerígena. Ele queria esquecer os boatos alheios, os conselhos maliciosos de outrem e os pensamentos que, algures, o colocava num reino de poucos súditos. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Esquece isso&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt; foi o que tatuou a Bic no pulso esquerdo. &lt;strong&gt;Iria lavar pouco as mãos, e tampouco iria suar.&lt;/strong&gt; O nervosismo de um ósculo sequer o denunciaria, e por isso fez questão de mostrar a todos o lembrete rabiscado no pulso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentia-se preso numa camisa de força, atado e pronto para ser seviciado por algum demente sexualmente alterado pelo uso contínuo de entorpecentes vendidos por uma semi-analfabeta magricela que atende pelo nome de Bailarina e cuja fisionomia cadavérica contrasta com a riqueza de detalhes do seu corpo moribundo: pernas cheias de ferida, dentes enegrecidos e trincados, os olhos fundos e amarelados, o cabelo rizomático e as mãos secas. &lt;strong&gt;Um lapso apenas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas estava certo de que não iria se arriscar a obliterar peripécias imaginárias com outros corpos. Não, isso seria de um desrespeito descomunal. Depois de todos aqueles debuxos de planos e de tantas alacridades pontilhadas a mãos trêmulas de prazer! Não, não podia, devia ou sequer queria fazer isso. Que digam o contrário os que imaginam além da realidade, que pintem a libido num vestido verde os mais surrealistas ou mesmo que fotografem em carne viva qualquer sinal de dúvida. A melodia escrita em pautas encardidas era outra. &lt;strong&gt;A festa estava em outro estágio, num clima pouco ensaiado.&lt;/strong&gt; Não valia tanto a pena estar ali para ver uma ou outra figura irritantemente álacre, não compensava perder sono por essa ou aquela conversa vazia. Não valia tanto a pena sublinhar definições alheias sobre o que supostamente cada um aparanta ser. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Assine em baixo quem quiser&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, disse em tom baixo para não ser ouvido. Nem ele queria se ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levantou várias vezes da cadeira no intuito de controlar alguma vontade, malgrado saber que a vontade não era o óbvio aconselhável para instantes - uns diriam chances - como aquele. &lt;strong&gt;Sentia doer os olhos.&lt;/strong&gt; A pouca luz o fazia ficar cabisbaixo, e ele queria mais era enlouquecer. Ele almejava não sentir as metades que o rodeavam. Havia, claro, completudes dignas de uma conversa mais lapidada, mas ali não era o espaço. Não, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De súbito, enquanto todos se embriagavam e contavam vantagens, ele tirou do bolso o berrante ímpar que comprou num sebo no centro da cidade e começou a manchar o ambiente. Era aquela um instrumento muito peculiar, e isso todo mundo percebeu ao primeiro sopro. &lt;strong&gt;Um novo céu se formara, e uma luz soturna começou a confortar os pensamentos mais íntimos dos presentes.&lt;/strong&gt; O imbróglio inicial estava sendo aos poucos mitigado, e a sensação inefável de antes ganhava tons, intensidades e uma harmonia pouco usual. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podia ele ouvir o choro alheio, aquele ranço que surgia a cada fungada mais profunda e que, necessariamente, vinha acompanhada de uma careta. Na verdade alguém negou a ele o subterfúgio alvo que constantemente era alvo de complicações respiratórias. Pouco importa. A questão era atingir as notas mais azuis possíveis. &lt;strong&gt;Queria ele sinestesicamente provocar a raiva de uns e a admiração de poucos.&lt;/strong&gt; Infeliz poeta dos sons que era, sabia ele que no fundo não iria conseguir tamanha proeza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim ele tocou e tocou e manchou todo o ambiente. O corpo seco se sentia mais leve ainda, e logo ele pode visualizar demônios e afins numa épica orgia. &lt;strong&gt;Os tons de algo sagrado se misturavam aos muitos deboches que ele deixava perpassar em risos e soslaios.&lt;/strong&gt; Não entendia, enfim, como era possível aquele disparate. A cabeça fumava, os dedos amarelados tangenciavam loucuras e tudo ao mesmo tempo num agora que ele não podia prever nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aconselhado por uns poucos cientes no recinto, deixou de lado o instrumento musical e se deitou próximo da piscina. Aquele dia passaria despercebido, como a poesia chinfrim que escorria de versos alheios. &lt;strong&gt;Como sempre, ele não fazia questão de muita cousa.&lt;/strong&gt; A frase no pulso esquerdo, então, passou a ter mais do que nunca um sentido onírico. E por isso ficou ele com medo de fechar os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-920630828390876535?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/920630828390876535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=920630828390876535&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/920630828390876535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/920630828390876535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/08/cancelou-os-compromissos-para-poder.html' title='.sobre a festa e o lembrete onírico.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SnZRzAJOarI/AAAAAAAAAlk/_uT9lQRmX-M/s72-c/berr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-833857303803102981</id><published>2009-07-23T00:43:00.001-04:00</published><updated>2009-07-23T00:48:23.347-04:00</updated><title type='text'>.do casal.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SmfrON42WgI/AAAAAAAAAlc/HLLbIkrIq3k/s1600-h/pregadores2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361512510886664706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SmfrON42WgI/AAAAAAAAAlc/HLLbIkrIq3k/s200/pregadores2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi por acaso que nos conhecemos, um encontro casual. Ocaso das possibilidades impensadas. Eu estava murcho, já embebido de água alheia e apodrecendo aos poucos. Eu não me prestava condolências e tampouco nutria respeito a mim mesmo. Eu ignorava os tecidos outros que já belisquei em tempos hoje remotos devido a uma edição memorial precisa. Eu não me importava com os esmaltes que me apertavam, não percebia os trocadilhos e muito menos me interessava por novas experiências. Eu andava na corda bamba, eu era o equilibrista ébrio que sambava na linha: um malandro demasiado romântico, um cafajeste deveras sincero. Eu estava num limbo diferente, suspenso numa senda onírica que me bronzeava de um sol imaginário. &lt;strong&gt;Eu era e deixava de ser a todo momento, por puro prazer.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chegou sem avisar com aquela sua juventude ofegante, aquelas curvas desafiadoras. Estávamos suspensos por nossas respirações débeis, e balançávamos de acordo com o sopro da sorte. A princípio ela não estranhou o meu corpo carcomido, as minhas pequenas dores e meus sulcos úmidos. Ela sequer reparou que eu estava desacreditado de mim mesmo, e me abriu os braços para, depois de um dia inteiro prendendo a respiração de blusas e sutiãs e calcinhas e tecidos outros tecidos que vestiam a libido de outros de libido casual libido. Ela chegou assim, e há sim um modo de explicar toda a situação fora do comum. Não podia eu acreditar que aquilo era para mim: um mundo girando em cores e sorrisos e movimentos e perfumes. &lt;strong&gt;Invernos cadentes separavam nossas idades indecifráveis.&lt;/strong&gt; Eu era de uma geração ultrapassada e acreditava piamente nisso, mesmo sabendo que a diferença entre nós eram apenas algumas primaveras descoloridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisti e consegui um pouco da atenção dela. Enviei mensagens codificadas, textos apócrifos e pichações. Fingi em vão desacreditar que não era possível. E foi tão possível que hoje dividimos a mesma camisa, a mesma seda e suportamos a falta de ar. &lt;strong&gt;Ah, o desespero no meio da noute que me faz tossir e ficar sem fala!&lt;/strong&gt; Enquanto estivermos presos na mesma corda que nos mantém suspensos sobre um abismo deliciosamente ignoto, tudo vai ser possível. Deixaremos nossas marcas em fotografias artificialmente coloridas e reveladas a esmo. Viajaremos para outras linhas, outros itinerários sonâmbulos. A nossa intenção hoje é viver num cativeiro singelo, num polaroid adrede desbotado – só para aquarelarmos nossas mútuas decepções. Iremos recortar nossas alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando estivermos folgados, cansados de nos prendermos a um ideal em comum, vai ser tarde demais para arrependimentos. Teremos aproveitado imagens e impressões lúdicas, canções em francês e declarações descabidas. &lt;strong&gt;Não vai mais importar se tivermos sido piegas.&lt;/strong&gt; A gente pouco vai se importar. E então poderei de novo acreditar em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-833857303803102981?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/833857303803102981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=833857303803102981&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/833857303803102981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/833857303803102981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/07/do-casal.html' title='.do casal.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SmfrON42WgI/AAAAAAAAAlc/HLLbIkrIq3k/s72-c/pregadores2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1881045270585328071</id><published>2009-06-09T23:57:00.000-04:00</published><updated>2009-06-10T00:07:49.614-04:00</updated><title type='text'>.do suposto convite.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Si8v0Hc_4-I/AAAAAAAAAks/Ld1YYWLvpRw/s1600-h/text.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345543855112446946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 141px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Si8v0Hc_4-I/AAAAAAAAAks/Ld1YYWLvpRw/s200/text.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;.um dia as cousas se dividem e se transformam em dous caminhos distintos. nessa hora é preciso ter dúvida. &lt;span style="font-size:78%;"&gt;sempre&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1881045270585328071?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1881045270585328071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1881045270585328071&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1881045270585328071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1881045270585328071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/06/do-suposto-convite.html' title='.do suposto convite.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Si8v0Hc_4-I/AAAAAAAAAks/Ld1YYWLvpRw/s72-c/text.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1971425116872448338</id><published>2009-05-14T00:11:00.004-04:00</published><updated>2009-05-15T14:15:38.802-04:00</updated><title type='text'>.do noticiário.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SguaMx3l7lI/AAAAAAAAAkE/V9ssJMrZHvo/s1600-h/.sumi%C3%A7o..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335527727886102098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 106px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SguaMx3l7lI/AAAAAAAAAkE/V9ssJMrZHvo/s200/.sumi%C3%A7o..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não resistiu à pressão, e mesmo que quisesse, seria demais para o já combalido baú de frivolidades sentimentais que carregava no peito. O olhar estava tonto e largo, os passos cabisbaixos chutavam pedras, diamantes e algumas pétalas incautas. Estava meio perdido na inteireza do seu medíocre ser – sendo esta mediocridade até relativa, pois havia pessoas que gostavam de gastar encômios para as suas destrezas pouco alardeadas. No fundo isso pouco importa. &lt;strong&gt;A dialética das cousas não faz sentido na rigidez do cotidiano calcado a saudades e sensações.&lt;/strong&gt; A metafísica contida sob as unhas não esclarecia o suficiente aquilo que tirava o ar, que vinha em imagens coloridas em pleno sonho preto e branco. Aliás, os sonhos sempre vinham sem cor, e só depois dos malabares e de todo um olor de chocolate é que passaram a ficar coloridos, aquarelados. A água usada para enfraquecer a tristeza deixou vívida a impressão de que aquela geometria psicologicamente risonha – e carnalmente onírica – é a mais perfeita natureza a ser fotografada e desenhada em alvos papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por incúria, deixa sempre sumir um pouco da verve artística nas letras serifadas dos jornais-diários-com-notícias-de-ontem. Talvez seja só para atestar o afã de encontrar tamanha beleza – ou com certeza é apenas uma idéia apenas idéia uma apenas passageira idéia de como é possível sentir à distância. &lt;strong&gt;É saudade, uns dizem e cantam.&lt;/strong&gt; É isso ou aquilo, arriscam outros. E pode ser exatamente isso: uma sentença, um ponto de exclamação na memória que grita as melhores lembranças dos últimos tempos ou mesmo – e que irônico! – as melhores notícias. É algo egoísta, ordinário ao extremo – cousa para afagar ego, afogar o passado e se gabar para amigos imaginários. Mas é lhano e urgente, e há garantia lírica nessas belezas apuradas calmamente em manhãs agradáveis, em noutes serenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechemos a edição hoje – e tão-somente hoje – por conveniência, por capricho. Amanhã é um novo dia para se noticiar o que uns dizem e cantam e arriscam. &lt;strong&gt;Amanhã é sempre um bom dia para ver ao longe o arco descrito pelo barco que evita atracar no cais.&lt;/strong&gt; E sempre vai ser um bom dia para pintar em paredes as reminiscências de despedidas indesejadas – mas necessárias para a própria saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo isso deságua no mar traçado a nanquim, e se confunde na pororoca da memória.&lt;/strong&gt; É uma ressaca tardia que diariamente alfineta os tímpanos, cutuca o peito e avisa de longe: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Cuidado, a manchete é em caixa alta, e é preciso conjugar bem este substantivo chamado saudade!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1971425116872448338?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1971425116872448338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1971425116872448338&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1971425116872448338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1971425116872448338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/05/do-noticiario.html' title='.do noticiário.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SguaMx3l7lI/AAAAAAAAAkE/V9ssJMrZHvo/s72-c/.sumi%C3%A7o..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8077235438954696419</id><published>2009-04-21T23:54:00.003-04:00</published><updated>2009-04-21T23:58:31.249-04:00</updated><title type='text'>.do tédio sobre a diversão e a arte.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Se6VOZABcDI/AAAAAAAAAj8/dIr_pMY0dt4/s1600-h/abcde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327359483687563314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 138px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Se6VOZABcDI/AAAAAAAAAj8/dIr_pMY0dt4/s200/abcde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música estava alta e era uma qualquer. Um qualquer sucesso qualquer enfim. Não importava muito, para falar a verdade – mesmo que estivesse mentindo em seu âmago podre e se importasse muito com aquele som. Conhecia-se muito bem, e isso o magoava de um tanto... Foi apenas o amigo chegar para o sorriso se desmanchar em um tiro. Esqueceu-se da banda e dos amigos quase pouco afáveis que o acompanhavam naquela noute desigual. Sem a metade! E talvez por isso tenha pegado furtivamente o pequeno embrulho transparente que continha o tal antídoto contra a monotonia. No fundo não sentia falta, pois já estava ébrio, tonto. &lt;strong&gt;Sambava palavras com maestria e rimava conceitos com uma métrica alexandrina impecável.&lt;/strong&gt; Cumprimentava os conhecidos e até ameaçava risos outros. E foi exatamente numa dessas ameaças que viu o sujeito chegar risonho, com as intenções dignas de uma boca-de-fumo – mas essa era limpinha, sem pretos de bigode ralo ou brancos encardidos de cabelos ensebados. A casa era popular, cheia de fina gente, pessoas inteligentes, músicos competentes e tantos entes que mal era possível mensurar. Dessa vez não era um &lt;em&gt;moquifo&lt;/em&gt; empoeirado que cheirava a urina. Não, era uma casa de respeito – que por mais respeito que tivesse, sempre era possível se subverter os risos e olhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pegar o embrulho, dirigiu-se ao banheiro. Não ficava mais nervoso como antigamente. Era monge cujo hábito se delineava pelas pontas dos cartões e até pelas chaves pouco imponentes. Era um sujeito experiente em burlar os bons modos, em misturar as idéias e em lubrificar com pó a fala já tonta pelo álcool em excesso consumido. Foi cousa rápida, lance de gênio, futebol arte. Inalou duas vezes para garantir que usasse muito do que não contribuiu com um centavo sequer. Preocupação com o financiamento do tráfico ou com a suposta contribuição para a perpetuação da violência? &lt;strong&gt;Quem quiser o bem alheio que vá para a igreja, certo?&lt;/strong&gt; Ele não queria só comida, queria diversão e arte, mas sabia que a diversão incluía a arte do gênero tóxico. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Por que não?&lt;strong&gt;aspa&lt;/strong&gt;s, perguntaria Thompson. Afinal, porque não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal saiu do cubículo da privada branca – que, mesmo sendo numa casa de respeito, estava entupida de mijo e vômito –, já viu o amigo vindo com um largo sorriso. A lembrança de ter passado o embrulho é vaga, pois assim que ouviu a porta se fechar, caiu no chão sujo. Chão este feito de pequenos azulejos marrons retangulares que, dispostos um ao lado do outro, fazia pequenos cânions onde se acumulava mijo e água – água que caia das mãos que se molhavam de mijo e que, procurando limpeza, deixavam-se molhar por água limpa para depois sacudirem-se e deixar o chão salpicado por água limpa cuja união com os solados sujos dos fregueses fazia com que o chão ficasse coberto de uma lama preta e imunda e cujo cheiro era de puro mijo. &lt;strong&gt;E foi ali que caiu de cara, de rosto e barba e baba.&lt;/strong&gt; Arregalou os olhos e viu um ou outro sujeito estranho se virando para olhá-lo – sujeitos estes que não soltaram os respectivos paus, e que, assim, deixavam o mijo escorrer para perto do rosto dele. Rapidamente se arrependeu por ter &lt;em&gt;pensado&lt;/em&gt; na possibilidade de ter contribuído para o tráfico ou para o aumento da violência. Queria mais era que tudo se explodisse e que a sua cabeça fosse a primeira, pois o tédio era demasiado aterrador naquele instante. Mas tão-somente naquele instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8077235438954696419?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8077235438954696419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8077235438954696419&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8077235438954696419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8077235438954696419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/04/do-tedio-sobre-diversao-e-arte.html' title='.do tédio sobre a diversão e a arte.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Se6VOZABcDI/AAAAAAAAAj8/dIr_pMY0dt4/s72-c/abcde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6837701161482889703</id><published>2009-04-15T23:56:00.004-04:00</published><updated>2009-04-16T17:05:54.727-04:00</updated><title type='text'>.da angústia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SeasxykM76I/AAAAAAAAAjo/ulg1uThQmdI/s1600-h/.lembrete.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325133580799373218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SeasxykM76I/AAAAAAAAAjo/ulg1uThQmdI/s200/.lembrete.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Girar e girar e girar e ficar tonto e regurgitar as idéias mais esconsas e os pensamentos mais pueris e todos os demônios que nos lambes as vontades e sufocam os pecados diante de uma aparente salvação. Não há porquês suficientes que justifiquem qualquer tipo de sentimentalismo exacerbado, qualquer rebuscamento artístico ou satisfação profissional. Sejamos educados a girar e sermos redemoinhos e nos trançarmos uns aos outros numa costura vagabunda para sermos, enfim, o lenço vermelho que atiça o touro. &lt;strong&gt;Façamos parte deste espetáculo sangrento e gozemos e deixemos os pés em carne viva de tanto dançar em homenagem a deuses indiferentes.&lt;/strong&gt; Girar e girar e girar e ficar tontos o suficiente para cambalear pelos anos que se seguem ininterruptos, e quando por fim tudo findar, brindemos com beijos e abraços e sorrisos tudo que por incúria e egoísmo deixamos de fazer. Acrescentemos a isso o rancor de termos feito escolhas erradas diante de opções pouco atraentes. E quando estivermos satisfeitos, inventemos melodias bonitas – mas realmente bonitas, dessas que nos apertam o peito e nos afagam nos momentos em que, como disse o outro, a alegria recolhe a mão para não nos alcançar – para confortar aqueles mesmos deuses indiferentes. Eles perceberão que foram inventados, e como tais, não passam de mentiras com uma bela maquiagem: óleo sobre tela e poucas orelhas cortadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é aconselhável até deixar as cores mais apagadas, afogar os matizes numa aquarela preguiçosa e inundar o nanquim com movimentos outros. Às vezes nunca é sempre que quase a todo momento há desafios insignificantes, desses aos quais a gente dedica um muxoxo e sai por aí com a mão no bolso. Todos os superlativos e todos os adjuntos adverbiais e quase todas as orações compostas: ignoremos tudo isso. &lt;strong&gt;É preferível ficar mudo a sair profetizando mentiras.&lt;/strong&gt; Quase sempre é necessário olhar para esta vida mesquinha para nunca conseguir ler as entrelinhas que nos escrevem sem o nosso consentimento. Há muitas margens, muitas regras e reformas pouco ortográficas. A tontura, assim, não vale a pena. Não faz sentido girar e girar e girar para vomitar idéias e sentimentos e qualquer cousa que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso não pode funcionar &lt;span style="font-size:78%;"&gt;sempre&lt;/span&gt;. &lt;strong&gt;Definitivamente não.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esperemos enquanto nossos olhos lacrimejam cores demasiado salgadas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Seasl4jqKVI/AAAAAAAAAjg/V9ZDSOiHoms/s1600-h/derreter.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6837701161482889703?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6837701161482889703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6837701161482889703&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6837701161482889703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6837701161482889703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/04/da-angustia.html' title='.da angústia.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SeasxykM76I/AAAAAAAAAjo/ulg1uThQmdI/s72-c/.lembrete.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7492478160687757332</id><published>2009-04-06T20:43:00.003-04:00</published><updated>2009-04-06T20:52:15.707-04:00</updated><title type='text'>.do carinho edipiano ao pai.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SdqiD55g9ZI/AAAAAAAAAjE/K2ntYE_sA7o/s1600-h/edipop.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321744097657025938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 139px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SdqiD55g9ZI/AAAAAAAAAjE/K2ntYE_sA7o/s200/edipop.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Lambeu com nervosismo erótico a cicatriz que ela tinha no céu da boca. A língua percorreu toda a saliência que, úmida e lisa, fazia cócegas na ponta daquele músculo solto, lascivo e que de maneira escusa esconde as palavras. Perdeu a compostura por um momento, até abriu rapidamente os olhos para ser se estava sendo encarada por outros olhos, mas não: era tudo silêncio e cílios abraçados. Um balé de línguas e saliva, dentes e lábios, pus e sangue. Abraçava cada vez forte o corpo alheio para sentir os ossos, os órgãos e tudo mais que pudesse expelir sangue de alguma forma. De quando em vez se separava da boca outra e lambia o pescoço, deixava a língua escorrer pelas costas até o fim da coluna, e depois subia lentamente. &lt;strong&gt;Era permitido babar, cuspir, cheirar.&lt;/strong&gt; E cheirava, claro. Antes de iniciar a confusão erótica, havia tido um tórrido &lt;em&gt;envolvimento com a parede&lt;/em&gt;. Era evidente. Boca trêmula, queixo ruminando silêncio e mesma língua sufocada entre os dentes pouco higienizados. O olhar desafiava qualquer um, e a voz adrede fina sussurrava qualquer obscenidade sacra no ouvido alheio. As mãos tocavam um piano imaginário, e as teclas pretas, em sua alva imaginação, eram sustenidos imprestáveis. Queria acordes maiores, gritantes, com tapas, uivos e urina. E sentia-se murchar por causa do excessivo consumo de cerveja e tonto e com os olhos marejados de vontades duplas. A &lt;em&gt;parede&lt;/em&gt; é implacável, como todos sabem. E o gosto amargo que alegrava o coração se confundia com o gosto de cigarro da boca alheia. Alertava sempre que fumar é prejudicial, e fazia questão de se envolver com paredes confiáveis - aquelas que não são misturadas como os sofisticados cânceres que contém mais de 4.700 substâncias tóxicas que não permitem um nível seguro ao serem consumidas. Não, isso não. As &lt;em&gt;paredes&lt;/em&gt; devidamente empacotadas em pequenos e coloridos sacos plásticos eram alvas, utopicamente puras e saudáveis. Tinha alguns deles para um período considerável – o suficiente para obliterar o desejo por tanto tempo reprimido socialmente. Um perfume sólido que se desmanchava no beijo, amargava na língua e amortecia o desejo de tirar a roupa do corpo alheio e buliná-lo em momentos inoportunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos já tontos, as mãos aleijadas pelo piano invisível e toda a lascívia escorrendo no mijo que umedecia as calças. Imprestável e insensível e inútil e com o cérebro escorrendo pelos ouvidos. Pus e sangue, suor e medo. Delírio seria pedir demais, pois o ambiente era tenso. Não queria mais saber da cicatriz no céu da boca, e sim rasgar a boca. Queria forçar um sorriso. O quarto escuro do motel vagabundo não deixava que visse o riso que tanto encantava outrora. Rasgar a boca, novas cicatrizes. Quem sabe beijar uma vez mais a tatuagem feita no braço nos tempos de uma juventude malfadada a ser velha, uma juventude já obsoleta em sua mesquinharia estética. Talvez repetir aquele rito remetesse às lembranças mais dolorosas como os possíveis porquês de a tinha da caneta sair com a água, e aquela esverdeada no braço outrora rijo e viril, ficar – mesmo depois de anos de banho de mar. Beijou mesmo assim o desenho desconfigurado pelas rugas, e mais uma vez recolheu a cabeça sobre o peito protetor. &lt;strong&gt;Fingiu imaginar alguma canção de ninar e com os olhos fechados deixou a mão escorrer sobre o pênis murcho.&lt;/strong&gt; Queria vida! E mesmo depois de inadvertidamente apertá-lo e até mordiscá-lo, o falo permaneceu inerte. A vida, é bom ressaltar, não era possível – não mais naquele recinto que cheirava a sangue e que, com a luz morna de um fim de tarde, mais parecia algum cenário de filmes estrangeiros, desses que se passam em hotéis baratos na beira da estrada. A mesma estrada que escolhera para esfacelar parte da cabeça do próprio pai, achando que os motoristas que passavam não iriam ver a cena de pouco amor. Foi muita ingenuidade achar que não iriam reparar a roupa suja de sangue, que não olhariam desconfiados para os pedaços de pele que estavam sob as unhas. Foi muita burrice achar que arrastar o corpo dele não levantaria suspeita, mesmo sendo filha dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7492478160687757332?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7492478160687757332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7492478160687757332&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7492478160687757332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7492478160687757332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/04/do-carinho-edipiano-ao-pai.html' title='.do carinho edipiano ao pai.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SdqiD55g9ZI/AAAAAAAAAjE/K2ntYE_sA7o/s72-c/edipop.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6412443353750211554</id><published>2009-03-13T00:10:00.003-04:00</published><updated>2009-03-13T00:57:40.276-04:00</updated><title type='text'>.da saudade.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sbnc-HZIqdI/AAAAAAAAAiM/-_ZAf87YdOI/s1600-h/tenso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312520195154684370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sbnc-HZIqdI/AAAAAAAAAiM/-_ZAf87YdOI/s200/tenso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cutucou com a ponta dos olhos a bochecha dela. Queria fazer um carinho míope, embaçado, sem maiores pretensões além de um simples afago. Com a mão direita ele fez lentamente todo o contorno do corpo dela. &lt;strong&gt;Desenhou na pela lisa uma flor, um dragão e um grão de areia.&lt;/strong&gt; Sentiu calor e a necessidade de abraçar com força a libido que de olhos fechados sorria. O dia já se arreganhava lá fora, e a janela amarelada do quarto deixava passar só a impressão de que o tempo passara. Só a impressão, pois o tempo havia parado, caído adrede após se macular com a pressa, com a falta de ar. Era tarde demais. Aquele riso, aquele corpo embebido de um curto vestido, os olhos destacados e com delicadas grades de proteção; tudo nela cativara aquele forasteiro de última hora. Caixeiro-viajante de terras infinitas e distantes. Ermitão com modos e endereço quase fixos: algures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo cambaleando, ele quis somente ficar deitado ao lado dela. Contornou o rosto macio, delimitou a boca, cutucou um dos olhos e conseguiu um sorriso. &lt;strong&gt;A mão escorregou por toda aquela geografia sensual, por toda aquela geometria lasciva.&lt;/strong&gt; Novos contornos, novos desenhos e novas sensações. Fechava os olhos só para, sem técnica alguma, adivinhar onde o pecado se escondia. Mãos e pernas e braços e costas e seios e boca e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da cidade, ela roía as unhas para encurtar os sonhos. E isto ele apenas supunha, pois nunca houve uma explicação. Na verdade, pensava ele destemido, ela o fazia quase por instinto, sem perceber. E roia e roía e roía e roía. Não adiantava dizer para parar: quando menos se esperava estavam lá as pontas dos dedos entre os dentes. &lt;strong&gt;Um canibalismo singelo, um movimento sincronizado.&lt;/strong&gt; E o riso bonito quando ele a admoestava. E de quando em quando ela olhava os dedos com um certo &lt;em&gt;apetite&lt;/em&gt; nos olhos. Ele imaginava um desenho ou uma foto em branco e preto – com o diafragma demasiado aberto, só para estourar as cores adrede inexistentes. Uma boa moldura para aquele momento era o suficiente, humildemente achava ele em seu amadorismo artístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cabelos dela eram de chocolate. E não é exagero dizer isso, pois eram mesmo. Cabelos de chocolate que manchavam travesseiro dele com um perfume adocicado – e que prolongava os sonhos e sensações. Ele não conseguia encontrar as palavras para expressar a alacridade que sentia ao se encher daquele olor e prender a respiração – só para tê-la um pouco mais em si. &lt;strong&gt;Uma descoberta no escuro, um querer-bem singelo, sincero.&lt;/strong&gt; O perfume, a pele e o frio inexistente que só ela sentia – e que numa outra oportunidade já havia sido anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, porém, viajou. &lt;strong&gt;Deixou um endereço, uns brinquedos e algumas lembranças encharcadas de vontades.&lt;/strong&gt; De quando em vez ela passa um trote, manda uma carta com ameaças e o deixa preocupado. Ele desenha no ar o contorno do corpo, imagina o riso, desenha o grão de areia e abraça aquela deidade que o desmancha ao se apresentar de vestido. E mesmo com uma dor no peito, sabe que um dia vai estar onde ela provavelmente está: alhures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6412443353750211554?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6412443353750211554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6412443353750211554&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6412443353750211554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6412443353750211554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/03/da-saudade.html' title='.da saudade.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/Sbnc-HZIqdI/AAAAAAAAAiM/-_ZAf87YdOI/s72-c/tenso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6298837286303069697</id><published>2009-02-13T21:10:00.014-03:00</published><updated>2009-02-13T21:26:48.132-03:00</updated><title type='text'>.de um trançar de pernas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYO-S6sV7I/AAAAAAAAAh0/4IezyFa2lcM/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302442074668029874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYO-S6sV7I/AAAAAAAAAh0/4IezyFa2lcM/s200/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYO4oELUfI/AAAAAAAAAhs/HOhHtfe6yeo/s1600-h/2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302441977265738226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYO4oELUfI/AAAAAAAAAhs/HOhHtfe6yeo/s200/2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYOwfe4KVI/AAAAAAAAAhk/NNrG-JJjGfQ/s1600-h/3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302441837522856274" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 145px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYOwfe4KVI/AAAAAAAAAhk/NNrG-JJjGfQ/s200/3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302441739655726946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYOqy5iR2I/AAAAAAAAAhc/9zcO_LVFAsM/s200/4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6298837286303069697?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6298837286303069697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6298837286303069697&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6298837286303069697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6298837286303069697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/02/de-um-trancar-de-pernas.html' title='.de um trançar de pernas.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SZYO-S6sV7I/AAAAAAAAAh0/4IezyFa2lcM/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3177872656480021686</id><published>2009-02-04T19:21:00.002-03:00</published><updated>2009-02-04T19:35:16.395-03:00</updated><title type='text'>.as notas, o casamento e o tamanho do pênis.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SYoVIXSacVI/AAAAAAAAAgg/KogMHNrnsg4/s1600-h/dds.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299071144989192530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SYoVIXSacVI/AAAAAAAAAgg/KogMHNrnsg4/s200/dds.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estavam em promoção, então ele aproveitou para comprar duas notas vulgares. Meio-dia. Notas dissonantes, é bem verdade. Queria fazer um samba sobre sentimentos e sobre todas as cousas espirituais que coubessem no dodecafonismo poético que o inundava. Queria imunizar rimas e se preparar para iminentes fins, pois sabia que no fundo os fins chegam sem avisar. São como improvisos, desafios de repentes sem sotaque e cujas harmonias variam muito. Há tempos tentava compreender como era possível isso e – para deleite de sua perplexidade tímida – no fim ele sempre se enganava. &lt;strong&gt;Suas ilações eram pouco confiáveis.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acordou no dia da compra com um espírito novo, leve. Um bem-estar semelhante ao pós-vômito no auge da bebedeira. Talvez as muitas horas de sono fizeram realmente muito bem a ele. Sono não, um coma, é bem verdade mais uma vez. Mas um coma consciente, previsível e até – por que não? – necessário. O espírito estava leve. Saco plástico na ventania. E os seus olhos murchavam quando tentava enxergar o céu da boca de seu estômago criativo. &lt;strong&gt;Viravam dous cus com cílios delicados.&lt;/strong&gt; Cus de cílios delicados que de quando em vez deixavam – por incúria, é claro – escorrer uma ou outra lágrima amarelada, mas sem o sentimentalismo necessário para convencer qualquer que fosse a pessoa que visse tal choro. Pus puro, suspeita-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu peito batia descompassado na pressa de usar as notas vulgares. Sentia a copa de uma árvore lhe subir pela garganta. Cócegas e um pouco de tosse. Ânsia de vômito e um pouco de lágrimas. Os passos eram cada vez mais rápidos, e o caminho de volta se trancava com os atalhos da vontade. &lt;strong&gt;O caule da tal árvore lhe saía pelo cu, supremo e com o sangue que lhe era de direito ao fazê-lo.&lt;/strong&gt; Desajeitado o sujeito sambava de quando em vez para que alguma raiz se ajeitasse de uma maneira a não incomodá-lo tanto. Chegou em casa sem se importar com o olhar dos vizinhos – sempre tão incomodados com os afazeres alheios. Gritou a mulher – que estava cozinhando algum verbo intransitivo que não cabia na reforma familiar do casal – e exibiu com orgulho as notas adquiridas. Mas ela apenas pendeu a cabeça para um lado, tal qual um cachorro, e emudeceu. Era demais para ela. Os ombros já curvados na suportavam mais aquela vida como dona de um lar aos frangalhos, sem o requinte que suas unhas exigiam. E o marido, um músico frustrado com tendências megalomaníacas, sempre voltava da feira aos domingos com alguma cousa inútil. Talvez fosse fruto do fato de ele enxergar um quê de surrealismo nas verrugas que ela tinha nos cotovelos – pelo menos um elogio criativo, ela reconhecia –, ou talvez fosse apenas um tipo de demência moderada. Ele não rasgava dinheiro, porém não gastá-lo com alguma cousa útil, para ela, era a mesma cousa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele engoliu tremas e vírgulas, e se desembestou a justificar tamanha inquietude musical. Cruzou as pernas para esconder a árvore que lhe saída do corpo, e sentindo a copa próxima da língua, não agüentou: vomitou o humilde e pontual café da manhã que ela preparou com aparente desleixo – na verdade ela apenas o fez mecanicamente, tamanha a rotina daquele predicado amoroso. &lt;strong&gt;Ele hesitou.&lt;/strong&gt; Queria continuar tentando explicar tamanha demência, e rapidamente surgiram uns versos que ele tanto esperou. Ele sabia: na vida a gente espera, de quando em vez, que surjam versos que fazem com que a gente se encha de poesia – ou que pelo menos façam obliterar o gosto do gozo alheio em nosso rosto. Para ele era aquele o momento. Versos de rimas pobres, mas assaz bonitos e musicais. Quis cantar, mas o ritmo descompassava a métrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele se engasgava com a própria vontade, a mulher já tirava o avental encardido e decidia mentalmente o que faria para abandonar do pensamento as lembranças que acumulou ao longo dos tempos ao lado dele. Foram tão-somente algumas semanas de convívio mais intenso, ela sabia, mas que poderiam se alongar. E ela já sentia o suor dele só de lembrar. &lt;strong&gt;Houve momentos nos quais ela até fingia prazer, claro.&lt;/strong&gt; Mas ela não queria lembrar que foi mesquinha e que certa vez o abandonou por alguns meses por incúria matrimonial. Piscou os olhos com força, e no caleidoscópio da tontura ela se sentiu um pouco mais mulher, mesmo sabendo que com aquela idade – somada às verrugas no cotovelo e às tatuagens delicadamente mal desenhadas – seria difícil encontrar um sujeito tão desafortunado como ele. Reconhecia a burrice dele, o jeito cafona de se vestir dele e a feiúra que a ele era determinante. Reconhecia isso tudo, mas não queria mais se deitar com um sujeito que tinha uma árvore saindo do cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperou mais justificativas. Encheu o peito com a coragem que lhe cabia e decidiu partir. Deixou o avental na mesa de quatro lugares e não se preocupou em desligar o fogo de uma das quatro bocas. Cortou ela mesma o cabelo que lhe dava a aparência de evangélica. Deixou o banheiro sujo, estranhamente sujo. Vestiu-se inapropriadamente para qualquer dia qualquer da semana. Roupa amassada, com cheiro de mofo e que evidenciava um ou outro ano a mais, uma idade que ela deixou se acumular ao longo de um casamento pouco inspirado. Salto alto. Uma olhada inda para arrematar a sensualidade que acreditava estar transpirando. &lt;strong&gt;Queria assobios sinceros e elogios grosseiros.&lt;/strong&gt; Iria caminhar a esmo, talvez assobiando melodias outras. Saiu de casa sem olhar para conferir se a árvore ainda saía do cu do marido. A morte podia mesmo os separar enfim. Entrou no boteco da esquina e comprou tão-somente um cigarro. Sentiu-se alegre só de perceber o estranhamento dos conhecidos. Mas ela queria mais, e tão-logo foi ao ponto de ônibus mais próximo. Para o primeiro estranho ou fumante que encontrasse ela decidida estava a oferecer algum motivo para olhares e palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse demais, ou apenas uma brincadeira do destino. Logo ele, um sujeito tão estranho e com hábitos auto-destrutivos que estavam tão fora de moda; logo ele chamou a atenção daquela mulher. Não podia acreditar em tal cacofonia do destino. Ele até tremeu só de imaginar os dous numa cama trançando as pernas e fazendo fogo a partir de movimentos repetitivos. Até chegou a acender o isqueiro com certo charme, pronto a ceder àqueles lábios e seios e pernas e libido e tudo mais que dizem ser correto apenas e só &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; o casamento. &lt;strong&gt;Queria mais é que a morte, enfim, o separasse do mundo! &lt;/strong&gt;Antes de carburar o cigarro dela, porém, lembrou que ela poderia rir do tamanho do seu pênis. Ínfima masculinidade, diminutivo pouco carinhoso que os substantivos hormonais lhe deram de presente. De relance chegou a vê-la rindo maliciosamente tapando a boca, apontando para a graça da desgraça. Na mesma hora se virou e decidiu ir para casa caminhando. Não queria ele se sentir demasiadamente triste mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3177872656480021686?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3177872656480021686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3177872656480021686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3177872656480021686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3177872656480021686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/02/as-notas-o-casamento-e-o-tamanho-do.html' title='.as notas, o casamento e o tamanho do pênis.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SYoVIXSacVI/AAAAAAAAAgg/KogMHNrnsg4/s72-c/dds.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1124547458766906368</id><published>2009-01-09T18:02:00.001-03:00</published><updated>2009-01-09T18:04:52.181-03:00</updated><title type='text'>.decepção.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWe7i6tjCxI/AAAAAAAAAgQ/7Fs56umGCzI/s1600-h/decepcao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289402495920179986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWe7i6tjCxI/AAAAAAAAAgQ/7Fs56umGCzI/s200/decepcao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;.apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1124547458766906368?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1124547458766906368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1124547458766906368&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1124547458766906368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1124547458766906368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/01/decepo.html' title='.decepção.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWe7i6tjCxI/AAAAAAAAAgQ/7Fs56umGCzI/s72-c/decepcao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-9219800656942942991</id><published>2009-01-07T22:46:00.003-03:00</published><updated>2009-01-07T22:55:03.928-03:00</updated><title type='text'>.inda vai passar.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWVbOaYmNRI/AAAAAAAAAgI/HpRFVOGaRIE/s1600-h/mif.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288733640575300882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWVbOaYmNRI/AAAAAAAAAgI/HpRFVOGaRIE/s200/mif.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quebrei-me em vários, em muitos de mim, em vizinhos ignotos que eu fazia questão de ignorar – pois cada um me vinha com uma lembrança diferente, com uma saudade mais descabida que a outra saudade descabida saudade –, mesmo sabendo que uma hora um ou outro iria bater em minha porta para solicitar uma ajuda qualquer ou qualquer ou ajuda ou outra desculpa qualquer para puxar assunto sobre o que tínhamos em comum, e o que nos era mútuo nos maculou de tal maneira que era impossível não sentir o aperto no peito, a falta de ar, o olhar perdido em alguma cena ou os dedos estalando sentimentos que podiam ser fermentados – e que não foram porque algum motivo que todos nós desconhecíamos muito bem desconhecíamos muito, e bem não estávamos justamente por isso, pois apenas passar para macular despretensiosamente nosso malfadado cotidiano era uma atitude egoísta –, ou pelo menos assim entendíamos, e ali, confesso eu – que sou vizinho de mim mesmo na mesma proporção que os outros de mim são para mim –, era difícil aceitar tamanha saudade, pois nos era uma lembrança demasiado pesada para ser carregada por toda uma vida de poucas alegrias e poucas conquistas, mesmo sabendo que tudo era uma questão de tempo – e pouco foi o tempo, aliás, porque apenas &lt;em&gt;passar&lt;/em&gt;, como brancas nuvens, muitas pessoas &lt;em&gt;passam&lt;/em&gt;, apenas passam, mas o &lt;em&gt;passar&lt;/em&gt; em questão foi muito, mas &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; diferente –, e eu bem entendia que não adiantava me esconder atrás do poste – como um vizinho-eu fez/fiz – ou se agachar ou gritar apontando o dedo ou mesmo subir no muro para encarar de perto o olhar ambíguo que um dia havia sido o mais fotogênico nos sonhos mais lascivos – mesmo estando este olhar adrede protegido pelas pálpebras, as cortinas que faziam surgir outras cenas outras na hora dos movimentos silenciosos e perigosos, principalmente ao amanhecer –, pois o mais fácil e mais sensato a se fazer era se embasbacar mais uma vez uma vez, exercitar um estranhamento já conhecido, re-visitar um museu cujas obras inéditas tinham um aspecto fortemente familiar – e por isso mesmo exibiam um calor único, um olor diferente e uma vivacidade opaca que gritava cores, mas de forma contida, cabisbaixa –, um quê de lugar-comum, de clichê lhano ou de obviedade conflituosa, um conflito interno que me consumia os matizes álacres e deixava – adrede, é bom lembrar – tão-somente alguns perdigotos de momentos e cores mais amenas, menos &lt;em&gt;tão sinceras&lt;/em&gt; e fugazes, e mais parecidas com o batom discreto que fez do movimento uma tela em branco para assinar a sentença de um fim já anunciado, e então &lt;em&gt;apenas&lt;/em&gt; passou num sincero e singelo movimento sincero. &lt;strong&gt;Talvez nem tão sincero assim, enfim.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na verdade inda vai passar.&lt;/strong&gt; Eu é que perdi desde já – talvez de propósito – o momento certo de abrir os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-9219800656942942991?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/9219800656942942991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=9219800656942942991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9219800656942942991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9219800656942942991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/01/inda-vai-passar.html' title='.inda vai passar.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SWVbOaYmNRI/AAAAAAAAAgI/HpRFVOGaRIE/s72-c/mif.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5249253611857800174</id><published>2009-01-01T22:20:00.002-03:00</published><updated>2009-01-01T22:26:27.394-03:00</updated><title type='text'>.haut goût.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SV1sAvMzbyI/AAAAAAAAAgA/QUdJi1ZSQjg/s1600-h/casal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286500297528799010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SV1sAvMzbyI/AAAAAAAAAgA/QUdJi1ZSQjg/s200/casal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A pose era artificial, claro. Não podia ser diferente – e ninguém ali queria que fosse. O riso era artificial, plástico. Um filme sem cortes. Plano seqüência sem ensaios, sem falas previamente escritas. Foi tudo muito rápido, intenso. &lt;strong&gt;Não podia ser diferente, enfim.&lt;/strong&gt; Às vezes a gente se engana, é verdade. Talvez não fosse o caso, e nem era. Um riso de plástico, um gracejo desajeitado e o emaranhado sentimental cobrindo as pupilas. Talvez não estivessem suficientemente ébrios para dizerem um para o outro que julgavam necessário dizer. Talvez fossem apenas dous fubâmbulos que sofressem de demasiada vertigem. Medo de altura num picadeiro sem espectadores. O mais provável mesmo era o medo da queda. E dor era apenas o que poderiam sentir ao fim. E um gosto amargo, é bom lembrar. Talvez aquele riso fosse apenas vicário, e num lapso de romantismo cafona não se apercebeu o possível erro. Ela apenas pediu para ser apresentada ao futuro – ela sofre de miopia grave, é bom salientar –, mas não era possível tal façanha, pois já estavam fora do ritmo. Ela o alcançaria num olhar, é bem verdade, mas – cala a boca! – num piscar de olhos ele largaria a mão dela e deixaria que o labirinto a abraçasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dous se abraçaram com força, como se fosse o último abraço. Mas foi um abraço distante, sem jeito. O riso era de plástico, a pose ensaiada e tudo mais artificial. Nem um ósculo sequer como compensação da vicissitude repentina. Talvez fosse necessário mesmo contristar aquele romantismo cafona que ninguém se apercebeu. Tornar a díade em um par de separados, cada um para o seu lado e cada um com o seu gosto. Ah, o tal gosto! Gosto do fim, amargor de lágrimas. O gosto! Fosse necessário talvez pagar uma sessão de axinomancia para aplacar aquele acre pressentimento de uma acentuação mal colocada. Num momento de lucidez ela perguntou sobre quem segura os pingos dos &lt;em&gt;is&lt;/em&gt;. E ali se fez urgente um feérico mundo, sem regras ortográficas ou sem dúvidas gramaticais. Criaram uma hipóstase e foram viver cada qual em seu labirinto, essa é a verdade. Antes, um corpo abraçado em si mesmo. Agora, dous numa pose bonita. &lt;strong&gt;A foto ideal para o close do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5249253611857800174?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5249253611857800174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5249253611857800174&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5249253611857800174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5249253611857800174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2009/01/haut-got.html' title='.haut goût.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SV1sAvMzbyI/AAAAAAAAAgA/QUdJi1ZSQjg/s72-c/casal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4474382749823595379</id><published>2008-12-29T00:07:00.004-03:00</published><updated>2008-12-29T00:12:55.056-03:00</updated><title type='text'>.sobre estar feliz.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVg_Ogd31NI/AAAAAAAAAf4/Iea-1SvZA8Q/s1600-h/alegria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285043681185223890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 167px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVg_Ogd31NI/AAAAAAAAAf4/Iea-1SvZA8Q/s200/alegria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com as mãos presas, era difícil evitar a maldade. As pernas tremiam, a testa suava e os dedos hirtos pingavam sangue. Uma fiel imagem do desespero. Um fétido perfume no ar se confundia com muito medo e com um certo prazer sadomasoquista. O silêncio ora furava os ouvidos ora gritava rouco, lânguido. Um silêncio sacro cujo eco reverberava na pequena sala mal iluminada. Luz singela, intimista. Falta ar, e falta muita cousa além de uma parca e porca esperança. &lt;strong&gt;Só havia a certeza sobre a existência da ausência de &lt;em&gt;Deus&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O riso tímido e escancaradamente sádico do algoz intimidava. Olhos semi-cerrados, movimentos lentos e precisos. Um tapa. Um murro. Um chute. E um palavrão para adocicar o momento do cuspe. Pegou outro palito de dentes da caixa marrom e olhou para a loura que a ilustrava. &lt;strong&gt;Fingiu malícia com a língua.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Humor&lt;/em&gt;, enfim. Mas no fundo não estava satisfeito em ver as unhas avermelhadas. Aquilo era clichê, para falar a verdade. Chamou o subalterno e pediu para que puxasse os lábios do prisioneiro. Este logo arregalou os olhos, tentou balbuciar algo – mas foi calado com um belo golpe. &lt;em&gt;Precisão militar&lt;/em&gt;, observariam alguns. Olhos chorosos. Nariz sangrando. Boca aberta e uma falta de dentes precoce. Riso incompleto. Uma graça ao avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O algoz colocou o palito contra a luz e de soslaio olhou o prisioneiro. Aproximou-se lentamente e, percebendo que as cordas prendiam bem o corpo a ser seviciado, pediu mais uma vez que o subalterno segurasse bem os lábios alheios. Enfiou o palito na gengiva. Riso rubro, gemido. Olhos molhados. O algoz fez um, dous, três furos. Sentia a raiz desse ou daquele dente ainda preso. &lt;strong&gt;Fazia movimentos profundamente circulares adrede devagar e, então, o palito quebrou.&lt;/strong&gt; Notando inverossimilmente um resquício de coragem no prisioneiro, disse calmamente em tom autoritário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Anda, confessa-nos. &lt;strong&gt;Diz logo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O prisioneiro, bêbado de dor, olhou para o sujeito de boina. &lt;strong&gt;Queria ser encarado.&lt;/strong&gt; E num suspiro arriscou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;strong&gt;Ainda...&lt;/strong&gt; Ainda não me é o momen/////&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um murro seco o fez cuspir sangue e a última sílaba, que cambaleou no ar antes de se escorar no canto da sala. Dali em diante o prisioneiro se fez analfabeto contra a confissão. &lt;strong&gt;Levou mais chutes, cuspes e ofensas verbais.&lt;/strong&gt; Ganhou mais arames embaixo das unhas, perdeu dous dedos do pé esquerdo para o alicate, e passou a exibir tatuagens nos joelhos graças ao martelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tentava respirar e não se deixar rodar pelo carrossel da dor, o sujeito de boina escolhia outro brinquedo para a sua satisfação física. &lt;strong&gt;Uma tesoura, talvez.&lt;/strong&gt; Corajoso, o prisioneiro ousou sorrir e balbuciar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;strong&gt;Só eu sei o que queres.&lt;/strong&gt; E isso me enche de alacridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4474382749823595379?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4474382749823595379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4474382749823595379&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4474382749823595379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4474382749823595379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/sobre-estar-feliz_29.html' title='.sobre estar feliz.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVg_Ogd31NI/AAAAAAAAAf4/Iea-1SvZA8Q/s72-c/alegria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5020444240506424765</id><published>2008-12-28T11:03:00.000-03:00</published><updated>2008-12-28T22:15:43.789-03:00</updated><title type='text'>.talvez, se.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVeJk6ImoyI/AAAAAAAAAfU/kBLW2fe6aJ8/s1600-h/.ceu..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284843954916205346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 62px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVeJk6ImoyI/AAAAAAAAAfU/kBLW2fe6aJ8/s320/.ceu..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É muita falta de ar, um passar mal que anima o corpo. &lt;strong&gt;Talvez seja muito mau-humor, muita expectativa.&lt;/strong&gt; A frustração ocorre só de imaginar, só de pensar no que pode dar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um castelo, todo construído com esmero de artista decadente e com alguns versos roubados. É de areia, confesso, mas é ele assim porque não pode ser de outro jeito. Se fosse de papel ou de cetim, de poesia sincera ou de prosa ruidosa, de alegria ou de tristeza mal disfarçada; enfim, se fosse de outra cousa senão areia, tudo não me faria lá muito sentido. E no fundo não faz, pois num sopro ou num suspiro de tédio as cousas perdem esse tal &lt;em&gt;sentido&lt;/em&gt;. Como diz o poeta à beira do Madeira: &lt;em&gt;quem faz sentido é soldado&lt;/em&gt;. Eu até entendo, malgrado saber que o meu castelo de areia é como um castelo de cartas, e sempre há alguém querendo esta ou aquela carta. E nisso todo o meu castelo se desmonta, cai. &lt;strong&gt;Perco o jogo, enfim.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O castelo meu, porém, é de areia, e em cada grão eu deposito um grão de desconfiança – e isso é por mim, pois há tempos tive de re-erguer essa minha construção. E se ele for derrubado por completo dessa vez, talvez demore para que eu volte e entender os meandros de uma nova construção. Eu tento ser um bom inquilino, ser um arquiteto e um engenheiro cuidadoso. &lt;strong&gt;Mas sabe quando fingem apagar as luzes e você sabe que os olhos estão abertos e sujeitos a novas palavras?&lt;/strong&gt; Então, é isso que me angustia... Como saber que as lentes vão proteger os olhos alheios dos ladrões e de tudo mais que pode iniciar um desmoronamento? O mundo feérico que eu imagino sequer vai para o papel, pois meus dedos tortos não conseguem seguir os &lt;em&gt;emes&lt;/em&gt; das mãos pequenas que um dia me abriram a porta do castelo. E talvez essas mesmas mãos estejam escrevendo cartas para ausentes que irão se hospedar – sem o meu consentimento, é claro – no mesmo castelo que um dia amansei os sonhos mais afoitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu moro na beira de uma praia distante. Não sei se avisei disso. A cena é meio estranha: um castelo na beira de uma praia. Mas este é o desafio, não? O vento sopra constantemente contra – na verdade &lt;em&gt;a favor&lt;/em&gt; do castelo, e &lt;em&gt;contra&lt;/em&gt; mim –, e isso vai desgastando as paredes e a cor já opaca, difusa. Eu falo que o castelo é meu, mas no fundo percebo que sou apenas um vigia. Mais cedo ou mais tarde eu terei de deixar tal forte. É inevitável, pois as raízes não são tão profundas assim. E por mais que eu me enterre, por mais que eu queria me trancafiar no calabouço e jogar a chave fora, nada é suficiente. Eu até tenho me gabado para alguns mendigos e para tantos outros trompetistas de &lt;em&gt;ter &lt;/em&gt;o castelo, mas sei que com um passo em falso eu já o terei perdido. Quem me deixa morar nele não tem noção de quão bem eu me sinto percorrendo os seus corredores e os vãos vazios e passando por suas portas. Não, definitivamente não tem. Eu até quero estar enganado, mas o real dono talvez tenha esquecido de apagar as luzes na hora da despedida, e não percebeu que eu não havia fechado os olhos. Claro, talvez eu esteja vendo cousas, exagerando. Eu já costurei um pouco de ciúme em minhas retinas, mas foi por incúria. &lt;strong&gt;Se diluí sentimentos ruins em mim, foi porque alguém algures não soube me explicar a receita.&lt;/strong&gt; Eu tive uma bula, mas a letra era demasiado pequena. Eu sou meio cego – outra cousa que esqueci de mencionar –, e me iludo com pequenas alegrias, pequenos risos. Mas a graça fica só para mim, pois quem me mostra os dentes sequer faz questão de sempre explicitar prazer. E acho graça disso. Talvez seja porque há tempos parei de rir. Mas continuo a querer acreditar que é possível que eu tenha um quarto-e-sala nesse castelo – ou mesmo uma edícula. Morar nele já me seria uma alegria incomensurável – e isso é uma cousa que não mencionei ainda. Claro, eu digo que possuo o castelo e que moro nele, mas nada disso é de fato verdade. Eu não tenho certeza. Aliás, nunca tenho certeza de muitas cousas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água salgada vem lamber as paredes do meu castelo quase todo dia, e as portas rangem e tudo mais vai se estragando aos poucos. &lt;strong&gt;É uma destruição lenta, e de um mal que não sei da origem.&lt;/strong&gt; Afinal, quem sopra os ventos que monta as ondas? Quem salga a água que me mata a sede do avesso? Quem separa os grãos que com tanto carinho eu juntei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse céu carregado me assusta, pois vai chover. Mais cedo ou mais tarde. E nisso, todo o meu castelo vira lama, vira uma lembrança – que pode ser boa ou ruim, e para isso depende apenas de como eu enxergar a desgraça de um desmoronamento. Talvez estar na lama ajude a pensar numa forma mais sólida de construir um castelo. Mas são nessas horas que um &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; tem o mesmo peso que um &lt;em&gt;se&lt;/em&gt;, e de nada adianta ter certezas rasas. E todo mundo possui lá o seu castelo para construir, para re-erguer ou para cuidar. Implodir as favelas ao redor, contratar seguranças e nutrir esperanças lhanas. E&lt;strong&gt; aqui, com as chaves do castelo na mão, alimento a verve contra o qüiproquó que todo esse imbróglio sentimental me causa.&lt;/strong&gt; O sufoco, a falta de ar. Espero apenas superar os clichês, o óbvio. No fundo, quero apenas entender o porquê de um&lt;em&gt; se&lt;/em&gt; às vezes ser tão cruel quanto um &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5020444240506424765?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5020444240506424765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5020444240506424765&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5020444240506424765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5020444240506424765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/talvez-se.html' title='.talvez, se.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVeJk6ImoyI/AAAAAAAAAfU/kBLW2fe6aJ8/s72-c/.ceu..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3283518254803556759</id><published>2008-12-23T18:46:00.000-03:00</published><updated>2008-12-23T18:49:30.990-03:00</updated><title type='text'>.náufrago.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVFckxIt2xI/AAAAAAAAAfE/COW3OXOm4U8/s1600-h/emmimilha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283105624617245458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVFckxIt2xI/AAAAAAAAAfE/COW3OXOm4U8/s200/emmimilha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.em mim, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ilha.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3283518254803556759?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3283518254803556759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3283518254803556759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3283518254803556759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3283518254803556759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/nufrago.html' title='.náufrago.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SVFckxIt2xI/AAAAAAAAAfE/COW3OXOm4U8/s72-c/emmimilha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8086047045476457234</id><published>2008-12-21T22:57:00.000-03:00</published><updated>2008-12-21T23:03:41.142-03:00</updated><title type='text'>.marca d’água.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SU70XT5w9tI/AAAAAAAAAe8/LhO3VJSocG4/s1600-h/foto22.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282428094268896978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 121px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SU70XT5w9tI/AAAAAAAAAe8/LhO3VJSocG4/s200/foto22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É, talvez seja mesmo implicância minha, teimosia de uma mulher que acha já sofreu o suficiente para uma só vida. Pelo menos eu acho que sofri, e tenho consciência que tal sofrimento pode ser apenas a cereja sobre a dor alheia. Não sei ao certo se terei direito a outra vida, mas se pudesse voltar no tempo com certeza eu evitaria as ofensas vazias, as palavras cretinas e as impressões mais superficiais. &lt;strong&gt;Acho que não soube eu precisar a medida dos meus sentimentos.&lt;/strong&gt; Não soube calcular o tamanho da iminente tristeza, das melodias melancólicas que me cantariam o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que não era preciso aquilo, aquela cena de cinema &lt;em&gt;bê&lt;/em&gt;. Fiz-me mar bravio para um barco tão pequeno, canoa furada, embarcação sem rumo. Acho que tudo chegou ao fim pela falta de palavras mais ousadas, pela falta de tortura à meia-luz. Estive longe por muito tempo, confesso, mas há dias eu pretendia voltar para acertar a nossa vida, colocar os tremas nos &lt;em&gt;is&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;circunflexar&lt;/em&gt; as sílabas mais agudas. Seríamos ditongo, e evitaríamos juntos todos os hiatos possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema foi a saudade em demasia, o sentimento efêmero que massageava as lembranças suaves. Fui burra, confesso. Terminar assim um relacionamento tão promissor, tão bem visto aos olhos dos outros. &lt;strong&gt;E eu sou um &lt;em&gt;outro&lt;/em&gt;, claro.&lt;/strong&gt; Acredito muito em Rimbaud, e talvez seja esse um problema: acreditar em poeta. Este tipo de crença já caiu em desuso, soa como esoterismo. Mas eu insisto em crer em versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quando em vez reviro umas fotos, umas missivas amassadas e regurgito essa ou outra lembrança. &lt;strong&gt;Fecho os olhos com afinco como quem se esforça para esquecer algo ou para buscar na poeira da memória algo importante.&lt;/strong&gt; Vejo por alguns segundos as cenas que editei e que ainda exibem algum brilho, alguma cor que deixei escapar da paleta de sensações. Os quadros são rápidos, mas suficientes para me entortar o peito, torcer a amargura da colcha de sentimentos – deixando entre os retalhos apenas uma certeza da qual não gostaria eu de ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria eu poder não ter ofendido tanto e ter a chance de uma amizade fraterna, de poder contar as minhas alegrias canalhas e minhas conquistas ruças. Às vezes acho que o orgulho que cada um traz em si é o que estraga as relações. No meu caso, soma-se a isso a sinceridade. &lt;strong&gt;Sou medíocre, e por assim ser assumo e não escondo a mediocridade dos outros em elogios e olhares disfarçados.&lt;/strong&gt; A sorrelfa do &lt;em&gt;politicamente correto&lt;/em&gt; não combina com o meu &lt;em&gt;jeans&lt;/em&gt; surrado e com minha camisa de vereador que ganhei na eleição passada. Talvez por isso a minha relação com ele tenha sido tão conturbada, apesar de bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora entendo algumas situações e algumas palavras ditas em horas inapropriadas. &lt;strong&gt;Entendo também a minha covardia, a minha ignorância.&lt;/strong&gt; Como já afirmei, não soube eu calcular a medida da iminente tristeza, e tão-somente aqui, na beira desse precipício, entendo as cousas que passaram em branco. Vendo esta missiva e essa foto desbotada e adrede torta, entendo muita cousa. Mas é assim mesmo, eu acho. Tenho de me acostumar com as derrotas que troquei por vitórias compradas. O riso, por mais de plástico que seja, não morre tão facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No fundo, o que me dói mais é saber que hoje ele encontrou cores em outra tela.&lt;/strong&gt; A minha maior tristeza é saber que nosso álbum de lembranças hoje é apenas um monte de imagens aquareladas. E fico triste ao perceber que sou apenas foto em marca d’água no álbum sem capa das saudades dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8086047045476457234?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8086047045476457234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8086047045476457234&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8086047045476457234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8086047045476457234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/marca-dgua.html' title='.marca d’água.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SU70XT5w9tI/AAAAAAAAAe8/LhO3VJSocG4/s72-c/foto22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2670842680268198728</id><published>2008-12-10T01:40:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T02:11:17.535-03:00</updated><title type='text'>.frustrada tentativa de expressão de algo aparentemente impublicável – na verdade inefável – num único e verborrágico parágrafo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/ST9Ichn5EiI/AAAAAAAAAeg/78mU1kJpmwY/s1600-h/.das+estrelas..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278016943200735778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/ST9Ichn5EiI/AAAAAAAAAeg/78mU1kJpmwY/s320/.das+estrelas..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;strong&gt;E tu achas que adiantou de alguma cousa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei. Quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem vai saber então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adiantava prender a respiração ou tentar pensar em outra cousa. Não tinha volta, ou mesmo solução. Elogios alheios? Para quê? Não, eles não serviam naquele momento. Era tarde, rapaz. Tarde demais. Talvez se tu tivesses mentido, se tu tivesses tido a malícia. Ah, isso sim seria conveniente. Mas não! Foste o ser que sempre és: o sujeito ingênuo e amigável. Dantas de natureza que acha que o suplicio é uma forma de redenção. Artística? Pára com isso! Achas que alguém liga para isso, que alguém se importa? Devias ter ficado calado, ou mesmo ter ignorado. Ter falado a verdade, quem sabe. Não adianta ouvir essas melodias tristes, chorar baixinho e imaginar a luz por trás da porta, por baixo da porta – como diz Chico. Não, não adianta. Vai dormir, é cedo já. Vai, rapaz. Esquece a situação. Perdeste todas as chances, é verdade. Sabe quando a gente chega ao topo da montanha e, de repente, sabe que tem de descer e simplesmente cai? É isso. Foste o primeiro, e sabes que vais ser o último. Talvez seja uma questão de tempo. E tempo é o que desperdiçaste, talvez. Depende do ponto de vista – sendo esta uma questão física. E a questão física é o que mais conta, eu acho. Nutrir sentimentos e cartas e palavras. Ah, para quê? Não adianta. Do que serve o sermão do padre se a missa é feita para um ateu? Reza, então. Mas para quê, se sabes que a salvação não vem por um comentário ou por um sorriso? Pensa nos prazeres em carne alheia. Pensa, rapaz. Pensa. Serviu de alguma cousa? Serviu? As imagens e tudo mais. Grandissíssima merda. Merda. Sabes o que significa essa palavra nessa situação? Merda? É, merda. Acontece. Um elogio em hora inesperada e tudo já foi. Para quê? Esperar? Foste o primeiro, rapaz. A lista vai seguir, acostuma-te. Aceita-te como uma vaga lembrança, como uma memória que aos poucos perde a cor. Sabes que estamos em uma época na qual as imagens são restauradas e que outras ganham as cores que sequer imaginam que tenham, não? Sim. É isso. As tuas cores já foram. E não adianta modéstia, ou qualquer cousa. Já estás apagado. Todo o carinho de outrora virou a espuma da cerveja: espera um tempo que baixa, que logo fica o essencial. Tens um essencial, uma essência que vale a pena respeitar? Não, não tens. É melhor esperar tudo fechar e seguir num momento de lucidez – desses momentos guardados para uma oportunidade inesperada. Conversa com as pessoas certas e tu vais conseguir tudo o que queres. Sabes disso, é assim mesmo. Para que tu queres algo mais? Para que tu queres saber se foi ou não foi? Sofrer? Vitimar-te a ti mesmo numa novela que sabes que já tens um fim? Rapaz, acostuma-te. Fica contente com o pouco que tens e te aceita como uma vaga lembrança. És isso e aquilo? Ah, pouco importa. Bem sabes que as cousas mudam, e que de repente o que passaste é a chance de outro passar. Só que em intensidade maior, redobrada. A mentira vai vir, a desculpa vai vir e tudo mais vai vir. Sabes que é assim. Se foi uma vez, vão ser outras. Aceita. É assim: a ida das pessoas são regidas por vontades, e pessoas outras entram nessas linha por acaso. É tudo um acidente. Ninguém planeja se intrometer na vida alheia e mudar o rumo. E se o faz, é por incúria, por desconhecimento do caminho de quem está a andar. Vê: tu andavas tranquilamente, até que alguém passou e te mudou a rota. Adiantou? Claro que adiantou. Vais negar tudo agora, as alegrias e tudo mais? Ser ingênuo nesse momento não é bom – nem para as alegrias nem para as verdades subliminares que tangenciam uma batida ali e outra acolá. Vê: há ademanes que vão além da interpretação simplória e superficial. Há gestos que passam pelas portas – por sobre as portas – e que a gente não sabe lidar. O riso sem graça, as despedida, a comemoração, a alegria, o deserto e todos os dizeres do mundo. Sabes que se trata de metáfora, não? Entenda quem tiver a capacidade. É orgulho agora para quê? De que adianta? Por isso e apenas isso, aceita-te. Uma conversa é suficiente para a conquista. Sabes disso. E não adianta esconder a decepção. Vais ter de enfrentar diariamente num &lt;em&gt;bom dia&lt;/em&gt; ou num &lt;em&gt;boa noute&lt;/em&gt;. E vais te sentir mais alegre? Vais te sentir mais contente? Vais te sentir mais completo? É nessas horas que as palavras da outra pessoa – a que tentava te ensinar a ser alguém mais corajoso –, é nessas horas que as palavras dela fariam sentido. Fariam, se tu não fosses tão covarde. Aceita. É tarde. Chora, pode chorar. Pensa, pode pensar. Conforma-te. Perdeste e isso é a inevitável leveza do ser. A insustentável dor que os poetas fingem sentir. Não adianta fingir mais que os outros ou tentar interpretar a dor alheia. Essa dor é só tua, e sabes disso. Sabes que há com quem compartilhar e com quem contar. Sabes contar? Pois é, saiba que não vais poder contar com ninguém nessa hora. És tu e só tu. Vais torcer contra? Claro que não, longe disso. A alegria alheia melhor que a própria. Altruísmo como combustível. Mas no fundo isso adianta alguma cousa? Não. Sabes que não. As intenções foram feitas. E isso não muda a miséria. E a tua miséria é igual a tantas outras – isso se não for manufaturada. Comprada em uma grande rede de supermercados. A indignação, a raiva, a frustração, a decepção, a inverdade. Isso tudo machuca e constrói muralhas. A China vai ter de reconstruir a muralha dela, pois hoje me fecho como em dedos, e o parto de mão vai ser o mais dolorido. Foi uma decepção, uma mentira assaz planejada que deixa qualquer um atordoado. Para rir do outro? O que te faz ser único. &lt;strong&gt;A alteridade das pessoas é uma farsa.&lt;/strong&gt; Sabes que são todos atores, que são autores de uma hipóstase assaz falsa. Sabes disso, e ainda assim te importas com as respostas, com as conseqüências. Imagina se não conhecesses o caminho de tal labirinto... Seria melhor? Estarias rindo mais ou menos? Chorando menos? Toma teu remédio, aceita a tua angústia chinfrim e te cala. Não és digno de choro nesse momento. Tantas cousas para nada. Para nada. Nada. Não se trata de isso ou aquilo, mas de expectativas que foram supridas por uma conversa ao fundo, escondida. Sabes disso, rapaz. Levanta a cabeça, escreve as cousas, desenha as dores, ilustra as alegrias de forma sutil e deixa tudo a entender. Sabes que vai ser melhor. Num parágrafo único, numa só verborragia sem tamanho e sem sentimentos. Tenta ser imparcial, um jornalista do coração que sente muito por humanizar demais a reportagem própria da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E de que serviu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Nada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada. Apenas isso e aquilo lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, meu filho, trata de te acostumar com a vida. A realidade é mais descolorida que os seriados que assistes. Rir da comédia alheia é uma cousa, mas quando fazes o papel de palhaço num picadeiro inesperado... Ah, isso é demais. Uma falta de ar, uma angústia no peito, a falta de sono e a alegria desvanecendo. Quem mais deseja isso hoje em dia? Desculpa-me, Augusto dos Anjos, mas eu sou mais filho do carbono que tu foste. E se contestas, vem sentir o que sinto. Um parágrafo único aposto que não explica o que sinto. Eu poderia resumir tudo numa estrofe, num verso. Mas para quê? A burrice alheia incomoda às vezes, e a não compreensão da nossa dor é demasiado chata. Sabes que sentes muito e que outros pouco se importam. Combinações escusas e tudo mais. É, rapaz. Vai dormir, pois os sonhos ainda não são pagos. Quando começarem a cobrar por cada devaneio, por cada ilusão, aí sim tu deves te preocupar, pois sonhas demais. &lt;strong&gt;E sonhar demais, confesso, faz extremamente mal a todo ser humano.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2670842680268198728?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2670842680268198728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2670842680268198728&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2670842680268198728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2670842680268198728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/frustrada-tentativa-de-expresso-de-algo.html' title='.frustrada tentativa de expressão de algo aparentemente impublicável – na verdade inefável – num único e verborrágico parágrafo.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/ST9Ichn5EiI/AAAAAAAAAeg/78mU1kJpmwY/s72-c/.das+estrelas..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-536749159146542563</id><published>2008-12-03T20:25:00.000-03:00</published><updated>2008-12-03T20:54:40.753-03:00</updated><title type='text'>.8uto antes da queda.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STcVuRzCZuI/AAAAAAAAAeY/N8I2k6-Rxoo/s1600-h/.casal2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275709373283460834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STcVuRzCZuI/AAAAAAAAAeY/N8I2k6-Rxoo/s200/.casal2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tínhamos a nítida impressão que de aquilo não daria certo. Sabíamos que a vida estava por um sopro, segura apenas por um ébrio bailarino que trançava as pernas e tirava sem intenção a graça do palhaço. Estávamos na beira do abismo e nossas façanhas estavam todas ali, cada uma como cisco no olhar perdido dos corpos já quase ausentes. &lt;strong&gt;E antes de beijar o chão, o pensamento era unicamente de fazer algo realmente útil – independente da noção de utilidade de terceiros.&lt;/strong&gt; Viver como se fosse o último dia a gente já havia feito outrora – e perdemos tempo demais procurando significações em cousas pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa miopia não permitia querer nada além de um bloco de papel com muitas tintas e lápis e canetas. Claro, um toca discos e água na temperatura natural sempre faz bem. Perder-se em livros também. Sim, claro. &lt;strong&gt;Era isso: ganhar dinheiro suficiente para poder passar as tardes lendo numa rede, na beira de uma praia.&lt;/strong&gt; Exercitar a imaginação com sendas outras: palavras alheias em capas bonitas, desenhos bonitos e toda a &lt;em&gt;buniteza&lt;/em&gt; que cabe impressa em páginas brancas ou creme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos ali, porém, queriam perder tempo imaginando riquezas. Percebia-se simplicidade. &lt;strong&gt;Apenas estar com alguém que muitas cousas tem em comum conosco já basta.&lt;/strong&gt; Dividir picuinhas e mesquinharias, aprender a respeitar o umbigo alheio. Envelhecer tendo nas rugas o mapa de uma existência ímpar – e para isso é preciso um par, não? Não deixa de ser essa uma busca egoísta, mas benéfica em sua desgraça. Um par é como o contrário de um baobá no planeta do Príncipe: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. Naquele momento, alguns queriam apenas &lt;em&gt;rachar&lt;/em&gt; profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dizem que sim, outros já se contentariam em visitar mais países. &lt;strong&gt;Antes da queda era necessário estranhar outras línguas, outros lugares e se estranhar na volta.&lt;/strong&gt; E depois disso talvez a queda soe num baque poliglota, num ruído surdo que ecoe nas existências mais próximas. Conhecer fronteiras invisíveis e gritar tatuagens num vernáculo que, no fundo, não faz a menor importância. Beber mais, cair mais e deixar pedaços em terras distantes – só para alimentar a vontade de voltar para um dia busca-los. E de preferência com o par, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebia-se que no canto estavam os que gostariam de, antes de simplesmente pular como era de costume, ir a apresentações de artistas valiosos, do estrangeiro. &lt;strong&gt;Ouvir e ver de perto alguns sons que compuseram e que ainda compõem o auditório cultural de cada um&lt;/strong&gt;¹. Fechar os olhos e balançar a cabeça num ritmo conhecido, mas com a vivacidade e o empurra-empurra e o caos e os gritos e a euforia desmedida. Artistas &lt;em&gt;glocais&lt;/em&gt;² também são bem-vindos, e até mais familiares em suas melodias mais facilmente &lt;em&gt;memoráveis&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Talvez fossem poucos, mas alguns ali queriam apenas estudar e superar suas limitações – sejam elas artísticas, acadêmicas ou de qualquer outra natureza.&lt;/strong&gt; Aprender termos e escrever algo de relevância. Um livro, quem sabe. Ilustrar um livro, outro livro e outros livros. E isso vai além do desejo de fazer algo útil. Não, era aquilo e um pouco mais. Os que precisavam de muletas para andar queriam dar passos sem apoio – nem que fosse por poucos momentos e para uma platéia de ausentes. Não importa quem iria aplaudir, pois nem todo palhaço cria piadas no picadeiro sob o riso alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros mais humildes queriam dizer verdades a quem precisa ouvi-las. Nada de panfletarismo ou de otimismo exagerado. Só dizer o que precisa ser dito. &lt;strong&gt;Às vezes eles querem apenas dizer o que realmente sentem, não?&lt;/strong&gt; Mas a coragem não deixa. E por isso eles caminham mudos para o abismo, sem discutir o porquê de estarem ali. E no fundo o sentido não importa, pois a subjetivação parte de cada um. Idealizar mundos é perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu no meio de tudo isso, de todas essas impressões. Antes da queda inevitável eu queria apenas experimentar um pouco de tudo isso que percebi nos outros. Desejar a partir das vitórias alheias é mais fácil. Uma inveja de querer para si o bem do outro. É cair bem consigo mesmo, sem se arrepender no final de tudo. &lt;strong&gt;É poder olhar para trás e não desejar voltar no tempo para fazer o que a incúria ou a covardia não permitiram.&lt;/strong&gt; Pelo menos é o que espero, pois estar nesta fila sem saber quando vão nos empurrar já é demasiado penoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¹ Radiohead, Blind Guardian, Beirut, The Mars Volta...&lt;br /&gt;² Chico Buarque, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes, Móveis Coloniais de Acaju...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Regras do &lt;em&gt;meme&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir pro beleléu;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Comentar no blog de quem nos convidou;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "convocação";&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mencionar as regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façanhas de &lt;a href="http://insolente4.blogspot.com/"&gt;Insolente&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Blogs&lt;/strong&gt;: &lt;a href="http://historietasmalcontadas.blogspot.com/"&gt;Historietas&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pos-animal.blogspot.com/"&gt;Pós-animal&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://ondeestagenebra.blogspot.com/"&gt;Genebra&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.rominacacia.blogspot.com/"&gt;Respirando&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://folhasdeniggle.blogspot.com/"&gt;Laíse&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://22rubis.blogspot.com/"&gt;22 rubis&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.disseramque.blogspot.com/"&gt;Disseram&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.tendenciasa.blogspot.com/"&gt;Tendências&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-536749159146542563?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/536749159146542563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=536749159146542563&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/536749159146542563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/536749159146542563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/12/8ito-antes-da-queda.html' title='.8uto antes da queda.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STcVuRzCZuI/AAAAAAAAAeY/N8I2k6-Rxoo/s72-c/.casal2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2225258644840799287</id><published>2008-11-28T21:52:00.000-03:00</published><updated>2008-11-28T22:02:11.417-03:00</updated><title type='text'>.manhã de domingo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STCSkYd0ZHI/AAAAAAAAAeQ/EmUQxWZPULU/s1600-h/texxto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273876317391316082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STCSkYd0ZHI/AAAAAAAAAeQ/EmUQxWZPULU/s320/texxto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu expresso calma, uma calma incomensuravelmente distante. A lembrança latejando uma saudade recente, uma novidade incomum com tanta cousa em comum. As sensações se confundem, misturam-se como tinta em água. &lt;strong&gt;Aquarelam-me, mancham-me.&lt;/strong&gt; E maculado eu tento guardar cada pedaço, cada parte que de mim se desprende à medida que me distancio. Um, dous, três, sete dias depois. Não faz diferença. É caustrofóbica a saudade, ébria de um querer-estar, úmida de um querer-ser e demasiadamente suja de algo inefável. Talvez seja por isso que me arranquei os olhos momentaneamente: para somente ver tudo em lembranças, e aceitar o toque como condição para novos &lt;em&gt;olhares&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueçamos a loucura da noute anterior. Lembremos apenas dos malabares encantando o olhar. A falta de jeito e a paciência. Sim, esqueçamos a loucura da noute anterior e fiquemos com o barulho zunindo o ouvido e o começo de manhã &lt;em&gt;aproximado&lt;/em&gt;. Um começo de manhã e nós bem próximos: um caminho que pedia os passos, atalhos que se escondiam. &lt;strong&gt;A minha melhor risada dos últimos tempos.&lt;/strong&gt; A melhor forma de gastar minha timidez e de ser, em pensamento, sacana. Esboçar nos olhos alguma malandragem ou malícia descabida. A minha melhor risada nos últimos tempos. E tantas cousas em comum! Lugares comuns que não são enfadonhos, que não são clichês de filmes românticos. Uma noute à distância. Uma manhã abraçada, tatuagem feita com sede e afagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a falta de tempo, é claro. Lentamente eu me apressava para partir. Um último abraço, um último beijo e a impressão de que aquilo deveria ser em &lt;em&gt;slow motion&lt;/em&gt;. Estávamos &lt;em&gt;trocando em miúdos&lt;/em&gt; ao contrário. Nossa mudança talvez nunca seja concretizada – mesmo se a vontade ultrapasse as molduras desta saudade pungente. Deixar descer a ponte para descansar o corpo – e para plantar as primeiras lembranças de uma manhã de domingo. &lt;strong&gt;Falta-me ar nesta cidade vizinha.&lt;/strong&gt; E por sentir ainda os lábios me formigarem os desejos – mesmo estando eles com um agridoce gosto, talvez por causa do cigarro matinal –, cego-me de novo para materializar em pensamento a manhã de domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, só o gosto artificial de sabores já conhecidos. Os ignotos aromas e as ainda não ouvidas tessituras me encantam à distância. Eu exercito a lembrança correndo contra a saudade, nadando a favor de uma maré de &lt;em&gt;dèjá vu&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;E me artificializo, também, para que da outra margem alguém acene pedindo socorro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2225258644840799287?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2225258644840799287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2225258644840799287&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2225258644840799287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2225258644840799287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/11/manh-de-domingo.html' title='.manhã de domingo.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/STCSkYd0ZHI/AAAAAAAAAeQ/EmUQxWZPULU/s72-c/texxto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5402954776412326074</id><published>2008-11-18T00:19:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T17:42:31.144-03:00</updated><title type='text'>.prosopopéia.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SSI0mqNbzJI/AAAAAAAAAd4/WCGokUrHN1o/s1600-h/conf.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269832352747211922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 162px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SSI0mqNbzJI/AAAAAAAAAd4/WCGokUrHN1o/s200/conf.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Dá-me tua próclise para eu ficar ênclise de ti.&lt;br /&gt;– Não posso ainda.&lt;br /&gt;– E por que não?&lt;br /&gt;– Porque há uma mesóclise entre nós.&lt;br /&gt;– Esquece isso.&lt;br /&gt;– Como esquecer, se a parábola é clara e tuas metáforas não me cativam como outrora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas silêncio. Os corpos nus respirando mecanicamente. &lt;strong&gt;E o pensamento fulgurando sotaques algures.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Vamos ficar assim então?&lt;br /&gt;– Como poderia ser diferente se sou analfabeta de ti até hoje?&lt;br /&gt;– Mas sabes me interpretar ainda, então eu ach-&lt;br /&gt;– Não aches nada. Não existe mais prazer.&lt;br /&gt;– Meu hipérbato pode resolver a tua semântica. Eu garanto.&lt;br /&gt;– Não adianta, somos antíteses desde sempre e não percebemos.&lt;br /&gt;– E não há como reverter essa  nossa linguagem figurada?&lt;br /&gt;– Só se desaprendermos o vernáculo e inventarmos outra gramática, outras regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vestiram suas respectivas roupas com preguiça.&lt;/strong&gt; E foram adrede sem mais dizer palavra alguma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5402954776412326074?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5402954776412326074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5402954776412326074&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5402954776412326074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5402954776412326074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/11/prosopopia.html' title='.prosopopéia.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SSI0mqNbzJI/AAAAAAAAAd4/WCGokUrHN1o/s72-c/conf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3448698785829197128</id><published>2008-11-10T01:29:00.000-03:00</published><updated>2008-11-10T01:43:20.842-03:00</updated><title type='text'>.sobre a arte de fotografar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SRe4sWTgFtI/AAAAAAAAAdw/Laevz3zzOZ0/s1600-h/32.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266881361274214098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 164px; CURSOR: hand; HEIGHT: 189px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SRe4sWTgFtI/AAAAAAAAAdw/Laevz3zzOZ0/s320/32.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O calor era infernal, e o dia mal havia sido vomitado. Estávamos num ponto privilegiado, um mirante onde um gélido vento nos lambia o rosto e trançava os cabelos. Eu havia confundido o horário e cheguei atrasado. Perdi a festa na noute anterior – regada a drogas, bebidas e tudo que ilicitamente pode trazer uma efêmera alacridade. Eu via nos olhares um resto de loucura, um misto de cansaço e desprezo por mais um dia ensolarado. Eu deveria ter ido para registrar o ânimo alheio, a algazarra de terceiros que eram intérpretes anônimos. Com minha melhor máquina eu tentei fotografar algumas nuances, mas meu amigo W. não me permitiu. Sujeito forte e de inteligência aos trancos, ele foi logo descascando gentileza e dizendo que aquele não era o momento e que se eu ousasse fazer aquilo ele me &lt;em&gt;acertaria a cara&lt;/em&gt;. Olhei de soslaio para o mau-humor dele – alegria pós-drogas – e cliquei algumas saias esvoaçantes, cabelos dançando e trapos de gente se costurando aos beijos. Uns tantos se abraçavam por incúria e outros por medo de cair. Atrasado como sempre eu perdi todos os créditos dos filmes e nem vi a atuação dos grandes nomes daquela película &lt;em&gt;experimental&lt;/em&gt;. Mas eu estava ali com minha melhor máquina e meu olhar pouco profissional. Sapatos, mãos, olhos semi-cerrados e aquele ar de nostalgia contemporânea – uma saudade besta, dessas que a gente sente sem saber nem o porquê e só o faz por alguma conveniência estética. Eu havia levado apenas um filme, mas eram muitas poses – mais do que suficientes para aquele tipo de ambiente quase inerte. Sem prestar atenção eu decidi trocar a lente para alcançar melhor os pontos de fuga que faiscavam das bocas e que reluziam em beijos suados, grudentos. E nisso o meu amigo de infância W. acertou-me a cara como havia prometido. &lt;strong&gt;Caí sem graça como manda o figurino.&lt;/strong&gt; Os poucos menos ébrios ou &lt;em&gt;distantes&lt;/em&gt; se apressaram em me acudir. Arregalei os olhos e vi W., um dos meus melhores amigos, em câmera lenta me xingar e me apontar o dedo em riste, ameaçador. Ignorei o momento, claro. Entrei em meu carro ano 98 e saí apressado da paisagem. Eu precisava de menos vento, de menos calmaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para a casa de W. A mãe dele foi quem atendeu. Pedi a ela que saísse um instante fora da casa dela, pois seu filho estava com problemas na rua. Fiz todo um diagnóstico assustador, sinceramente maldoso. Ao sair e ficar olhando para os lados com os olhos marejados – e isso eu confesso orgulhoso –, ela mal teve tempo de desviar da frente do meu carro antigo. A cabeça dela trincou o meu pára-brisa e deixou uma mancha singela de sangue. &lt;strong&gt;Saí calmamente e tirei uma, duas, três fotos.&lt;/strong&gt; Procurei o melhor ângulo, uma posição que expressasse o momento e a angústia da minha natureza morta. Sentei na calçada e me forcei a imaginar a reação de W. ao receber aquelas fotos sem cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3448698785829197128?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3448698785829197128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3448698785829197128&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3448698785829197128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3448698785829197128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/11/sobre-arte-de-fotografar.html' title='.sobre a arte de fotografar.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SRe4sWTgFtI/AAAAAAAAAdw/Laevz3zzOZ0/s72-c/32.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1133899123792949445</id><published>2008-11-04T01:17:00.000-03:00</published><updated>2008-11-04T15:26:04.196-03:00</updated><title type='text'>.impressões de um falso ermitão.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SQ_M5LEz_AI/AAAAAAAAAdo/MzD43iR0K20/s1600-h/placa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264651772016983042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 187px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SQ_M5LEz_AI/AAAAAAAAAdo/MzD43iR0K20/s320/placa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu desisto mais por entender tal ato com um exercício de paciência. As cousas estavam quentes quando decidi ir atrás de ti, os acordes estavam soando altos e precisos. Foi uma decisão precipitada, talvez, mas necessária. Ainda mais depois de ler a missiva que deixaste próxima aos nossos discos preferidos. Deixei a agulha rabiscar uns instrumentais para ler o teu convite ao contrário. Depois de tanto tempo juntos e dividindo as amarguras de um dia-a-dia tão sem sal e sem entender o que fazer para temperar o nosso ordinário faz-de-conta; depois de tanto dividir copos diferentes para matar a mesma sede; depois de dividir pieguices e afinidades díspares; enfim, depois de um amontoado de cousas que só ganha relevância com o passar do tempo tu me deixas uma missiva com poucas explicações. &lt;strong&gt;Apontas números, indicas cirandas e sugeres melodias, mas com uma inútil maestria.&lt;/strong&gt; Lados &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;, lados &lt;em&gt;bê&lt;/em&gt;. Leio e releio tuas palavras grosseiramente manuscritas para um fim enquanto os discos se repetem nos mesmos arranhões que um dia reclamaste. Talvez, com essa viagem inusitada, estejas apenas adiantando a importância do que anteriormente citei e de outras que convém não explicitar assim tão desaforadamente. É uma opção tua, mas, a meu ver – e que traz, claro, um pouco de egoísmo –, pouco urgente no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pela janela do avião e vi as montanhas cobertas de neve. Uma imagem bonita, calma. Imaginei todos os passageiros ensangüentados, demitidos de suas existências chinfrins. E eu, claro, desfigurado em algum ponto dos Andes. Mas foi uma visão passageira, pois a aeromoça bonita me chamou a atenção para sentar e apertar o cinto. Sufocar a cintura para viajar entre as nuvens, para ir a um lugar que me apressei em percorrer lentamente com os olhos em um mapa alheio. Pouco importa. A ansiedade de te estranhar em terras estrangeiras crescia a cada turbulência – e isso me roubava o sono, pois num dos aeroportos do país nosso natal eu fiquei quase doze horas esperando o vôo oficial. Sentar, empurrar bagagem, ouvir programas televisivos sobre esportes em plena madrugada, assistir o corre-corre das pessoas, a beleza dos invisíveis. Nada tirava o tédio, confesso. Dormir não me era possível. Sem música para preencher as lacunas. Apenas um livro ilustrado magistralmente, mas que eu tinha pena de ler por achar que em uma semana eu teria mais &lt;em&gt;tempos livres&lt;/em&gt; como aquele. Uma semana no estrangeiro para te estranhar e te buscar não em palavras – como sugeriste na missiva –, mas em perfumes e flores e sabores e passeios e em tudo mais que fosse possível. &lt;strong&gt;Talvez ser subversivo em ti, apenas para tentar convencer a mim mesmo de algo.&lt;/strong&gt; Tu já sabias o suficiente, e por isso ignoraria a minha estupidez, o meu idioma quebrado e exíguo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhei o aeroporto, as pessoas, o dinheiro, o tempo e as cores. Parecia uma película inédita para as minhas retinas míopes. &lt;strong&gt;E na verdade era exatamente isso!&lt;/strong&gt; O passeio até o hotel barato que reservei – já treinando o meu espanhol esfarelado – já gritava os porquês de teres escolhido tal lugar para de mim se esconder. Era compreensível, malgrado eu saber no fundo que podias nem mesmo estar ali. Praças bonitas, ruas limpas e bem sinalizadas, pessoas agasalhadas e muitos rostos com traços europeus. Viver comigo num país modorrento como o nosso era castigo, era subestimar teus talentos – os mesmos que lapidamos em noutes embaladas a batidas improvisadas. Por isso a escolha desse país, não? É compreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me perdi já no primeiro passeio pela cidade. Apesar de entender o pequeno mapa que desenhei na palma da mão, o suor do estranhamento curvou ruas, mudou avenidas e algumas calçadas se confundiram com as linhas mal traçadas, com o &lt;em&gt;eme&lt;/em&gt; que quase todos têm nas mãos. Acariciei com os olhos cada mulher que passava me encarando. E elas o faziam talvez por estar eu com a barba por fazer, ou por exibir traços esdrúxulos para aqueles padrões, ou por andar com os antebraços nus naquele vento frio. Não sei explicar, malgrado os afagos meus não serem necessariamente aceitos ou correspondidos. E só o confesso por saber que deves ter acariciado tantos outros que nem quero um dia saber. &lt;strong&gt;Sei bem dos teus cílios e de quão ruidosa pode ser uma piscadela tua.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caminhar pela cidade nova era um desafio. Como te encontrar no meio de tanta gente? E como pedir informação a quem não me entende? E como imaginar um pôr-do-sol ao teu lado – por mais piegas que possa ser tal exercício de minha morna verve – se o dia só escurece às nove horas da noute? Por três dias eu te procurei na mesma linha de metrô – sempre a mesma por medo de casualmente me perder. E sempre, confesso, eu me encantava com os rostos, com as cores e com o movimento ao meu redor. &lt;strong&gt;Ter-te como desculpa para devaneios em uma língua outra era bom nos instantes em que eu simplesmente ignorava os avisos em vernáculo alheio.&lt;/strong&gt; Eu ignorava encômios, xingamentos e ironias em espanhol e em outros idiomas que a minha interpretação não alcançava. Eu te desafiava mentalmente para saber quem iria jogar a toalha mais cedo. Perceber os olhares alheios quando eu falava algo. Repetir palavras simples. Encurtar idéias. Gesticular demasiadamente estranho. Eu fazia de tudo um pouco para poder navegar naquele rio de estranhamento. Mas eu era estranho! Queria saber se estavas assim também: a dar voltas no mesmo quarteirão por não decorar o nome das placas. Talvez estivesses em melhor situação e até convertendo – com um olho fechado e outro aberto – a moeda local. Eu era um estranho naquele mundo de miudezas importadas &lt;em&gt;made&lt;/em&gt; num país latino-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num determinado dia, depois de me frustrar com a minha falta de recursos, fui para uma das praças com a intenção de ganhar dinheiro. Pantomima. Não consegui muita cousa, mas vi uma banda do exército, as bandeiras hasteadas e um mundaréu de gente caminhando e falando rápido. Caminhei e falei com terceiros um pouco do que aprendi contigo. E no final do dia, depois de todos os ônibus terem ido embora, consegui uma carona até uma estação e peguei o último metrô. Fui a um bairro boêmio. Bebi e bebi com a intenção de esquecer e ser esquecido. Vi artistas de rua, quase uma briga e muitas caras maquiadas. &lt;strong&gt;Bebi muito além do que eu normalmente me permito beber, e com a fala malemolente embarquei num táxi.&lt;/strong&gt; Um passeio noturno pelo centro: travestis, caminhões de lixo, poucos carros e quase ninguém nas ruas. Cambaleei até a cama e procurei não me mexer: não queria espantar sonhos ou sensações agradáveis. Ronquei como um porco, e no excesso de sono eu embarquei de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti no meio do caminho, no alto do teleférico, próximo ao porto, em frente a placa com um sentido desagradável. Lembrei dos mendigos, dos prédios grandes e de todo um cotidiano rápido e em espanhol. &lt;strong&gt;Voltei com as retinas frias, manchadas de um colorido tão preto e branco que te desafiaria.&lt;/strong&gt; Mas adrede me falta coragem para te encontrar. E talvez seja por isso que desisti. Voltei sem te trazer, e de mim deixei traços e uns debuxos mal coloridos – num vernáculo mal traduzido que me ultrapassa as fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1133899123792949445?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1133899123792949445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1133899123792949445&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1133899123792949445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1133899123792949445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/11/impresses-de-um-falso-ermito.html' title='.impressões de um falso ermitão.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SQ_M5LEz_AI/AAAAAAAAAdo/MzD43iR0K20/s72-c/placa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-806615446692308451</id><published>2008-10-14T12:55:00.000-04:00</published><updated>2008-10-14T13:38:03.875-04:00</updated><title type='text'>.bem feito.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SPTPJ2Lr6dI/AAAAAAAAAdQ/wT11YIaZ-1U/s1600-h/luzs.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257054433118513618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SPTPJ2Lr6dI/AAAAAAAAAdQ/wT11YIaZ-1U/s320/luzs.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era tão absurdo tentar entender a situação quanto tentar expressar pela ponta de um pincel o peso de um plúmbeo céu prestes a desabar. Não era possível. Não podia ser possível. O que restava a fazer era apenas esperar, sentir o tempo escapar entre os dedos, sujar as unhas arrancando a pele. Sangue, pele e dor. Coçar o corpo para tatuá-lo manualmente às vésperas de algum incidente inevitável. A minha visão turva me permitia apenas enxergar o tempo presente, e ele se mostrava em fios coloridos. O mundo girava nas pás de um moinho que não mereceu ser cantado por Cartola. Era um mundo insignificante, ralo, barato como &lt;em&gt;souvenir&lt;/em&gt; de plástico. E por mais que eu fechasse os olhos com força as cores riscadas eram sempre as mesas, e a situação parecia não mudar. O cansaço daquele esforço fazia as pernas se retesarem, e o riso mecânico oscilava entre a loucura e a indiferença. Eu fechava com força os olhos, trincava os dentes de tanto forçar uns contra os outros, prendia a respiração e até tentava não pensar em nada. Mas não foi possível. Não era possível, confesso. E é difícil buscar respostas quando não se sabe nem ao certo as perguntas – ou pelo menos qual é a dúvida que merece mais atenção. Achar uma causa ou buscar um motivo seria um engodo, e nisso eu sabia que era bom. Há tempos me mantive distante, guardei aquilo por incúria e por medo de apagar parte do meu passado – mesmo sabendo que isso já ocorrera por parte de quem enviou o que naquele momento eram lembranças tristes. Apenas eu, por ser piegas excessivamente, mantinha aquele relicário de saudades. &lt;strong&gt;E cada saudade, cada resquício de um bem-querer me feria a retina e me era como um &lt;em&gt;napalm&lt;/em&gt; no peito.&lt;/strong&gt; E quando eu fui rei naquele estudo geométrico de lascívia e simpatia o mundo era imenso, não cabia em traços ou mesmo em aquarelas demasiado aguadas. Eu em minha liteira, cheio de um orgulho maltrapilho, era apenas levado por todas aquelas impressões que eu reclamava em versos. O meu pequeno reinado, a minha coroa, o meu tapete vermelho: frutos mofados de um pomar assaz podre. E não é tão-somente podre por falta de cuidado ou por achar eu que, nesse momento de lúcida loucura, tudo não passou de uma brincadeira de péssimo gosto¹. Tudo era podre por falta de crença minha, confesso. E essa minha fé capenga em algo que diz respeito aos sentimentos – palavra aqui tão repetida quando vazia hoje em dia no meu parco entender – fazia com que eu abrisse cada envelope, que visse cada foto e que imaginasse situações diversas a partir de promessas e planos não concretizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens pareciam ser nítidas, as lembranças, as saudades guardadas e as fotos ligeiramente envelhecidas. &lt;strong&gt;Ébrio de algo inefável eu relia as palavras com data e hora de um sentimento hoje obliterado por um afago ao contrário².&lt;/strong&gt; Era complicado demais tentar entender como tudo aquilo, como toda aquela tinta havia se transformado num monte de rabiscos amargos, num monte de rascunhos sentimentais pouco afáveis – malgrado serem provérbios escritos com palavras bonitas. O perfume nas páginas hoje amareladas doía, e cada tatuagem que eu me fazia trazia um matiz outro daquilo que alimentei por alguns meses – pequenas eternidades divididas em trinta dias, em quatro semanas ou mesmo em algumas horas. E graças a esta minha idade já desbotada³ pelas intempéries eu desconheço hoje um sentido outro da alegria. Muitos podem supor exagero, um psicodelismo comportado. E não deixam de ter certeza nisso, pois quem quis remexer nisso tudo fui eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei o pequeno baú de lembranças e desordenadamente recoloquei nos envelopes as páginas cheirosas e riscadas. Escondi mais uma vez as fotos e descansei o palpitar nervoso no peito. Aceitei o fato de desconhecer a mim mesmo. &lt;strong&gt;Marquei um dia no calendário para me apresentar a um eu &lt;em&gt;Outro&lt;/em&gt;, mas sabendo que seria sem a poesia de Rimbaud.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¹ &lt;em&gt;A glosa aqui diz respeito a um egoísmo chinfrim, e na verdade está tudo muito claro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;² &lt;em&gt;Referência direta - plágio, se preferirem - aos seguintes versos do Chico:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Reclamei baixinho&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dei pra maldizer o nosso lar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pra sujar teu nome, te humilhar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E me vingar a qualquer preço&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Te adorando pelo avesso&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;³ &lt;em&gt;Diz respeito a estes versos do poeta e compositor piauiense Climério Ferreira:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Acho que sou feliz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero tudo o que tenho,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;só desejo o que posso &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E sou da minha idade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será isso a tal felicidade?&lt;strong&gt;aspas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-806615446692308451?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/806615446692308451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=806615446692308451&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/806615446692308451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/806615446692308451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/10/bem-feito.html' title='.bem feito.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SPTPJ2Lr6dI/AAAAAAAAAdQ/wT11YIaZ-1U/s72-c/luzs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-9123196949771498502</id><published>2008-09-24T20:51:00.000-04:00</published><updated>2008-09-24T20:59:31.013-04:00</updated><title type='text'>.um diálogo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNrg4RCzCjI/AAAAAAAAAZ4/Zq1_1r8S6J4/s1600-h/.vagaideia..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5249755572906166834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNrg4RCzCjI/AAAAAAAAAZ4/Zq1_1r8S6J4/s200/.vagaideia..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Então começa a rezar, pois somos todos ímpios e impios demais para nos gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Partimos dos pressupostos errados. Apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E quem vai nos dizer quais são os certos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que eu quero te falar é apenas uma vaga idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acariciou o cachorro prognata.&lt;/strong&gt; E se silenciaram antes de iniciar preguiçosamente, mais uma vez, a mesma conversa de ontem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-9123196949771498502?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/9123196949771498502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=9123196949771498502&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9123196949771498502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9123196949771498502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/09/um-dilogo.html' title='.um diálogo.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNrg4RCzCjI/AAAAAAAAAZ4/Zq1_1r8S6J4/s72-c/.vagaideia..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7788633551349322627</id><published>2008-09-19T00:07:00.000-04:00</published><updated>2008-09-19T00:10:12.247-04:00</updated><title type='text'>.catequese.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNMluaqYyNI/AAAAAAAAAZs/UJeQnttE8P4/s1600-h/umbig.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247579470178076882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNMluaqYyNI/AAAAAAAAAZs/UJeQnttE8P4/s320/umbig.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Observei carinhosamente o umbigo dela. Escrevi dous versos ao redor dele, e quando ela respirou profundamente, caíram eles nele. E era assim com todas as palavras-letras que eu rabiscava ao redor do umbigo. Escrevi estrofes a conta-gotas, pílulas de minha poesia cutânea. Ela respirava profundamente e as palavras deslizavam enquanto ela descansava os desejos. Sonhava dragões, rosas e páginas em branco. &lt;strong&gt;Enchi-a com uma poesia rala, e prenhe de versos meus ela acordou.&lt;/strong&gt; Lentamente abriu os olhos e cegou o olhar do mundo. Esquentou as minhas retinas. Arrotou rima e &lt;em&gt;enjambemant&lt;/em&gt;, neologismos e vírgulas desnecessariamente usadas. Depois de muito enjôo, deu ela a luz a um livro com páginas nuas. Antros imaculados de inspiração. Enfileiramos a escassa hóstia oriunda da parede, cheiramos em câmera lenta e, a partir daquele momento de lúcida embriaguez, começamos a escrever a nossa própria bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7788633551349322627?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7788633551349322627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7788633551349322627&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7788633551349322627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7788633551349322627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/09/catequese.html' title='.catequese.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SNMluaqYyNI/AAAAAAAAAZs/UJeQnttE8P4/s72-c/umbig.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7796940887303284550</id><published>2008-09-16T01:43:00.000-04:00</published><updated>2008-09-16T01:50:04.826-04:00</updated><title type='text'>.o funcionário.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SM9HpEL5vQI/AAAAAAAAAZk/8C0zU65atv4/s1600-h/UW001187.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246490861733788930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SM9HpEL5vQI/AAAAAAAAAZk/8C0zU65atv4/s320/UW001187.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As estruturas do primeiro andar ruíram, eu podia sentir. Eu estava no décimo primeiro quando o início da queda se mostrou em som e poeira de concreto. Ela trazia estampada no olhar a frase ‘hoje não’, e eu dizia que seria apenas um detalhe em nossa história. O escritório de tantas entrevistas, tantas conversas e tantas histórias incompletas: sujeitos que passam e que se vão sem deixar raízes em mim. E ela sentada em minha frente com algum tipo de sentimento que era diferente do que comumente exibia nos risos e abraços e afagos. Os cachos sobre os ombros despidos, a tez levemente dourada e lábios com uma língua estrangeira, almofadas que proferiam palavras ainda sem idioma, mas que meu senso desnorteado conseguia entender – ou pelo menos parecia entender. &lt;strong&gt;O vestido amarelo estampado, o decote providencial e as mãos bonitas que um dia eu tentei desenhar no verso de uma fotografia.&lt;/strong&gt; Eu analisava tudo minuciosamente, cada costura, cada detalhe, cada matiz, cada mancha ou sarda. E em câmera lenta o primeiro e o segundo andar caíam, desabavam, viravam poeira e levavam consigo tudo a um ermo qualquer. Ela nem sequer se mexia, apenas suspirava e esperava que eu contasse a verdade, que eu suplicasse perdão. &lt;em&gt;Aos diabos!&lt;/em&gt;, pensava eu desaforado ao desviar do olhar inquisidor dela, e tentava me concentrar em algo além da destruição do edifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A secretária havia deixado o escritório há horas, pois sabia da possível implosão do edifício. Adiantou recados, papéis e toda a agenda do dia. Cancelei todos os compromissos para recebê-la, mesmo sabendo que poderia ser perigoso para ela. &lt;strong&gt;Ela chegou atrasada, sem avisos ou apresentações.&lt;/strong&gt; Apenas entrou e se deixou levar pelos tênis que um dia sambaram comigo em ladeiras e que deixaram impressões de lama em minha casa após uma chuva inesperada. Foi como no primeiro encontro, no primeiro caminhar de mãos dadas. &lt;em&gt;Aos diabos&lt;/em&gt;, eu pensava já sem tanta força ao sentir o quarto andar cair – percebendo que eu mal notara a queda do terceiro. O quinto e o sexto também logo virariam pó, e mesmo com os tremores cada vez mais próximos, eu pressentia que ela não se abalaria. Irredutível em sua frieza, em seu mesquinho autismo sentimental – pelo menos naquele momento, e pelo menos para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O prédio estava vazio há dias, há tempos, há anos.&lt;/strong&gt; Talvez fosse eu o único funcionário que ainda esboçava esforço ou que, ao menos, tentava encontrar motivação. No fundo eu sabia que merecia aquele emprego, e achava bom ter de me levantar todo dia – mesmo que mecanicamente, com cacoetes de uma rotina – surpresa! – imprevisível. Era difícil eu receber clientes, confesso. A agenda estava sempre cheia de horários e obrigações e compromissos, mas sempre de última hora eles eram sumariamente cancelados. No começo eu me irritava com a falta de consideração, com o descaso com o profissional que gastou os melhores anos de uma vida se enchendo de um conhecimento pouco prático e cuja importância se limitava a contar vantagens em mesa de bar. E nem este exercício de afagar o ego eu tinha tempo, pois a agenda não me permitia sair com meus amigos – a essa altura da vida, todos imaginários. A minha vida havia se tornado um catálogo de desilusões, e os preços eram obrigações servis a um patrão que nunca aparecia nas reuniões da empresa. O salário nunca atrasava, é bom salientar. E malgrado eu ser o mais e único funcionário empenhado na empresa, eu nunca ouvia um agradecimento ou encômio pelo serviço em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu embrulhado num terno da moda, e ela num vestido humildemente costurado, forçosamente ilustrado com estampas baratas. O corpo dela ajustado no tecido, pele e cor, pano e suor, libido e bons modos. Fechei um olho forçando a memória, e como quem está sob o sol do meio-dia, logo fechei o outro para poder escurecer a vista e assim enxergar, de fato, o que eu procurava em minha ilha de edição. Éramos um casal incomum, ambos imersos me nossas vicissitudes de fim de semana, em nossas conquistas não registradas. &lt;strong&gt;Éramos poemas em linha reta, orgulhosos de nossa existência desapercebida, tímida ao extremo.&lt;/strong&gt; O nono e o décimo andar há tempos se elevavam aos céus em uma nuvem cinza, tóxica. Eu já sentia o chão me sumir dos pés, e meu andar estaria suspenso numa dança difícil de acompanhar o ritmo. Ela permanecia imóvel, impaciente já, mas ainda sem demonstrações explícitas de irritação. Eu já sabia do novo amigo dela, de suas novas conquistas – realmente cousas admiráveis –, mas eu não podia abandonar meus compromissos para contar a única verdade – que tatuei nas costas minhas justamente para eu não ler e decifrar as entrelinhas. Abri a janela e me pendurei nela antes que o chão sumisse. Estendi a mão a ela em silêncio a fim de evitar mal entendidos. Fui solenemente ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aos diabos&lt;/em&gt;, disse eu baixinho antes de fitar de soslaio toda aquela lascívia cair de uma altura incomensurável para meus olhos tão acostumados a cair. &lt;strong&gt;E bem sei que apenas finjo quando não entendo algo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiquei o restante do dia na janela assobiando. &lt;strong&gt;Eu previa minha demissão.&lt;/strong&gt; Por isso me dei ao luxo de sair no meio da tarde para caminhar e me deixar absorto em singelas observações. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7796940887303284550?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7796940887303284550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7796940887303284550&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7796940887303284550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7796940887303284550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/09/o-funcionrio.html' title='.o funcionário.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SM9HpEL5vQI/AAAAAAAAAZk/8C0zU65atv4/s72-c/UW001187.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-861161503971698630</id><published>2008-09-11T00:55:00.000-04:00</published><updated>2008-09-16T01:47:03.368-04:00</updated><title type='text'>.princípio da carniça.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SMik7N_JkZI/AAAAAAAAAY4/h8qgCO17Mlg/s1600-h/derf.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244623103346708882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SMik7N_JkZI/AAAAAAAAAY4/h8qgCO17Mlg/s320/derf.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conversa ia já cansada, tropeçando em ideologias outras e clichês lingüísticos. A discussão seria inevitável. &lt;strong&gt;Os goles preguiçosos, o olhar cambaleante, o raciocínio superficial e fugaz.&lt;/strong&gt; Tudo muito aquém de uma aposta literária. O assunto era outro, mas ele ficou transtornado – e isso é aqui afirmado tão-somente após uma minuciosa interpretação de ademanes e suspiros. A perturbação era gritante, dava sede e mais sede, e toda a cerveja do mundo não seria suficiente para alagar a garganta amarga do sujeito e seu jeito piegas de se expressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conteve a fúria mordendo o beiço inferior, fez sinal com uma mão para trazerem mais uma cerveja enquanto com a outra enchia o copo com espuma. &lt;strong&gt;Num rebojo de idéias e sentimentos eivados por uma decepção, danou-se a praguejar profecias.&lt;/strong&gt; Depois de uma pausa, falou em tom sério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tu sabes que tudo pode ser explicado pelo princípio da carniça, não? A mulher fica com o cara rico assim como as mulheres primitivas ficavam com o cara que cheirava a carniça, pois o fedor indicava que ele sabia onde tinha comida, mesmo que podre. É o mesmo que acontece com os cachorros, que procuram ter esse cheiro para que as cadelas se aproximem. As mulheres hoje em dia ficam com caras que &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;fedem&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt; a dinheiro, sabia? É machista? É, mas é o que acho. Elas pensam em estabilidade, em poucas preocupações. Às vezes acho que, no meio das dificuldades, se eu tivesse nascido mulher as cousas seriam mais fáceis. &lt;strong&gt;Na verdade eu queria ter nascido &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.universodamulher.com.br/upload/LucianaGimenez.jpg"&gt;&lt;strong&gt;Gimenez&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; Como ela, basta saber o momento certo para abrir as pernas – ao cara certo, é bom lembrar – e conseguir engravidar. E aí dinheiro vai ser souvenir, artigo que se consegue em quitanda, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebeu mais um gole com capricho. Ameaçou continuar a conversa, mas o desinteresse de quem o ouvia era evidente. Ficou chateado por ver sua jóia platônica passar mais uma vez de mãos dadas com outra pessoa. &lt;strong&gt;Viu-se como um Chinaski demasiado desiludido.&lt;/strong&gt; E ao ver o início de riso na extremidade da boca de quem o acompanhava naquele instante de sofrimento previsível, arrancou a exígua consciência, arrotou o escasso bom-senso que ainda guardava em si e enfiou o dedo na garganta para vomitar agruras que o perturbavam há tempos. Voou no pescoço do amigo. Acertou murros no rosto, no peito, nos óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ser puxado por desconhecidos, observou o sangue nas mãos, as lentes quebradas, o chão e a cerveja derramada. Suspirou com um quê de constrangimento e tentou encarar os olhares de terceiros. &lt;strong&gt;Sentia-se cheiroso demais para aquele momento de testosterona à flor da pele. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-861161503971698630?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/861161503971698630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=861161503971698630&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/861161503971698630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/861161503971698630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/09/princpio-da-carnia.html' title='.princípio da carniça.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SMik7N_JkZI/AAAAAAAAAY4/h8qgCO17Mlg/s72-c/derf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7735676636490135793</id><published>2008-08-27T19:46:00.000-04:00</published><updated>2008-08-27T19:56:41.691-04:00</updated><title type='text'>.um camelô divino.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLXnijFQyMI/AAAAAAAAAYk/ymV6KF6RwOQ/s1600-h/novo-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239348322234321090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLXnijFQyMI/AAAAAAAAAYk/ymV6KF6RwOQ/s320/novo-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Estou vendendo a petente do meu coração&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E também doando meus direitos sentimentais&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Quem se arrisca a se endividar?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quem quer ficar rico com minhas angústias?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quem se habilita a me ajudar?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tenho cinco filhos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;O mercado da luxúria é tão tumultuado&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sugiro minhas importadas sensações&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;São da Bolívia, do Paraguai e afins latinos&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Qualidade duvidosa, eu confesso&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mas lhanos em sua canalhice barata&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Vejam a placa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Estou vendendo a patente do meu coração&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E também doando meus &lt;a href="http://agoraquando.blogspot.com/2008/08/besta-otimismo.html"&gt;direitos sentimentais&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Não riam, pois não há graça&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Dêem-me um samba para distrair apenas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tudo custa muito pouco&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É um e noventa e nove&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quase caridade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma variz ulcerada acima do tornozelo&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;E cinco dentes postiços&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Quem quiser pode levar o que ofereço&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Deus lhe pague, meu filho&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Originalmente publicado no dia 13 de março de dous 1000 e seis&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7735676636490135793?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7735676636490135793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7735676636490135793&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7735676636490135793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7735676636490135793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/um-camel-divino_27.html' title='.um camelô divino.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLXnijFQyMI/AAAAAAAAAYk/ymV6KF6RwOQ/s72-c/novo-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8700933546213469427</id><published>2008-08-24T23:29:00.000-04:00</published><updated>2008-08-24T23:37:19.824-04:00</updated><title type='text'>.questão de tempo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLIoGl-GQdI/AAAAAAAAAYU/nzOiJEW3Xas/s1600-h/p_foto-80-079.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238293410322203090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLIoGl-GQdI/AAAAAAAAAYU/nzOiJEW3Xas/s320/p_foto-80-079.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não foi por maldade, mas tive de arrancar os dedos das mãos dele. Eu queria ter para sempre as impressões que ele tinha do meu corpo, da minha geometria irregular e moldada a insuficiências sentimentais. Esperei o momento certo, a hora exata. Arranquei dele os dedos, e guardei todos numa caixa prateada. Esperei que apodrecessem para abrir a caixa e sentir o perfume natural daquele que foi o homem que mais me satisfez. Sentia-me excitada com tal aroma, com ele sublimado entrando de novo em mim – e de alguma forma me satisfazendo outra vez. Eu abria a caixa religiosamente duas vezes todos dos dias. Ia eu trabalhar com ele ainda fresco em mim, alimentando memórias e me completando alucinadamente. Era uma espécie de vício, confesso. Eu ficava mais desperta, mais amável com as pessoas. E de noute, quando já desbotada pelo cotidiano, eu abria a caixa e me masturbava com ele preenchendo o quarto. &lt;strong&gt;Eu desligava a luz e deixava só o fiapo claro por baixo da porta que vinha da sala como testemunha do meu prazer.&lt;/strong&gt; Uma música qualquer de fundo para abafar meus sustos, meus espasmos. E assim eu vivia até a pele sumir, até o cheiro desvanecer e virar um resquício de lembrança, um resto de memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando esvaziei a caixa prateada, senti um aperto no peito, uma falta de ar. Eu ia ao encontro do cotidiano cabisbaixa, decepcionada com a efemeridade dos seres humanos. &lt;strong&gt;Fiquei umas duas semanas chorando pelos cantos e regurgitando prazeres oníricos. &lt;/strong&gt;Até comungar da idéia de me enamorar outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8700933546213469427?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8700933546213469427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8700933546213469427&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8700933546213469427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8700933546213469427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/questo-de-tempo.html' title='.questão de tempo.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SLIoGl-GQdI/AAAAAAAAAYU/nzOiJEW3Xas/s72-c/p_foto-80-079.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2859011691961782161</id><published>2008-08-21T16:12:00.000-04:00</published><updated>2008-08-21T16:43:51.126-04:00</updated><title type='text'>.malacara.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SK3MgOFu5QI/AAAAAAAAAYM/A6KwbX1K1ZU/s1600-h/1218239846353_fp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237066795611776258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SK3MgOFu5QI/AAAAAAAAAYM/A6KwbX1K1ZU/s320/1218239846353_fp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Preciso encontrar Malacara. Mas em que deserto frio será que está? Em qual galpão terá se metido? Será que anda a zanzar por pradaria outras? É bem provável, eu acho. Malacara sabe quem eu sou, sabe como sou e como serei daqui a uns anos. Malacara me entende, eu acho. Mas foi embora. Simplesmente foi embora. E eu não sei o porquê. Talvez até saiba e não queria aceitar. Na verdade é isso, e eu só não quero comentar aqui o motivo. O fato é que foi embora. E eu aqui sem o meu lugar, sem estar por simplesmente estar. Se hoje trago esta ferrugem nos olhos e um pouco de fuligem no peito e todos os sentimentos venais é porque eu acreditei muito em Malacara. Toda esta parca coragem eu consegui ao lado de Malacara. Eu, que cultivei por pouco tempo e modestamente uma barba rala para convencer um sem-número de pessoas, alguns músculos para as eventuais brigas e para convencer que não sou tão frágil assim, as mesmas &lt;em&gt;palavras&lt;/em&gt; que para mim foram ensinadas; tudo foi por causa de Malacara. Hoje em dia o que é mais estranho para mim é o fato de Malacara ter ido embora sem avisos prévios, sem explicações plausíveis, sem despedidas ou mesmo um aceno cheio de mensagens subliminares. Malacara foi meu motivo de noutes em claro, de substâncias ilícitas e de todo um sem-fim de cousas adversas. A minha ablução sentimental foi obliterada, confesso. E por culpa de Malacara. E será que posso usar termo tão pesado, tão violento e agressivo para uma situação como esta? Não sei. Peitinhos assaz e bundinhas assim, trilhas outras e essa saudade assim cinza e sinistra – que me manca o peito e faz capengar a coragem de entrar em erupção. A raiva faz isso, mas Malacara havia me roubado essa vontade, esse direito. Toda vez que olho pela janela e vejo o mesmo céu refletido no espelho, sinto-me num labirinto de imagens. Vê, um céu emoldurado no espelho, e outro maior ainda seguro pela janela, sendo que um está contido no outro, e o outro é aquele mesmo. É como me sentia quando Malacara estava aqui. &lt;strong&gt;Eu-espelho no céu-janela de Malacara.&lt;/strong&gt; E por ser efêmero em saudades, acho melhor acreditar em pressentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não achas em vão acreditar em pressentimentos? &lt;strong&gt;Malacara foi embora, e isso já basta, não?&lt;/strong&gt; Não achas melhor seguir a vida sem Malacara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;em&gt;O iminente artista pára e olha fixamente para as lembranças que fugazes passam diante dos seus olhos. Dá um suspiro.&lt;/em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Seguir sem Malacara? &lt;strong&gt;Vou ter de seguir, claro.&lt;/strong&gt; Mas um cachorro como aquele não se encontra em qualquer lugar. Eu tento esquecer Malacara. Eu realmente tento não me prender às lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças boas lembranças. Mas é como escreveu Jung: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Aquilo a que você resiste, persiste&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. O senhor sabe disso. E por isso acho melhor terminar a entrevista agora. Quero ir para descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;em&gt;O quase jornalista desliga o gravador, confere as anotações. Guarda tudo numa bolsa e sai do carro sem se despedir. Enquanto isso o entrevistado se afoga nas lembranças que nutre por Malacara.]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oquei! Corta! Muito bom. Vamos repetir a cena para pegar tudo de outro ângulo, de dentro do carro. Mas só da parte final do diálogo, certo? &lt;strong&gt;Podem descansar um pouco.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;strong&gt;Foto&lt;/strong&gt;: ISIS, priscilla. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2859011691961782161?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2859011691961782161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2859011691961782161&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2859011691961782161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2859011691961782161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/malacara.html' title='.malacara.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SK3MgOFu5QI/AAAAAAAAAYM/A6KwbX1K1ZU/s72-c/1218239846353_fp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4792346676627816357</id><published>2008-08-15T21:37:00.000-04:00</published><updated>2008-08-15T21:48:11.471-04:00</updated><title type='text'>.uma confissão infeliz.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKYwbuqoLqI/AAAAAAAAAX8/bsenNkwLOQs/s1600-h/16392214.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234924869806206626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKYwbuqoLqI/AAAAAAAAAX8/bsenNkwLOQs/s320/16392214.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;– &lt;strong&gt;É sério.&lt;/strong&gt; Eu só me lembro de ter ouvido o padre sair gritando &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Sai pra lá! Sai! Este pecado é horrível demais!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol ia alto em seu grito luminoso. Um calor desgraçado. A mesa quadrada – carcomida e enferrujada e amassada e com a pintura gasta e com uma enorme propaganda de uma cerveja-outra – era o depositário de conversas amigáveis. Os dous malandros se cumprimentaram então. &lt;strong&gt;De olhos vermelhos, cheios e mágoa.&lt;/strong&gt; Uma cerveja, dous copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Calor, né?, bicho. Então, é sério, Z.. A cousa tava feia. Apavoro mermo, sabe? Eu fui pra missa pra encontrar a F., só pra isso. Aí cheguei tarde. Ontem eu tinha saído sem avisar nada pra ela. Tava até com bafo de cachaça. [&lt;em&gt;Z. ri discretamente.&lt;/em&gt;] Mas fui mermo assim. Cheguei lá [&lt;em&gt;Ele pára para beber um generoso gole de cerveja, dá uma fungada, faz careta e continua.&lt;/em&gt;]; cheguei lá e a missa já tinha acabado. Entrei mermo assim. Vai que ela ficou lá dentro me esperando, né? Aí entrei. [&lt;em&gt;Ele se levanta sem aviso já com um sorriso no rosto.&lt;/em&gt;] Opa! E aí, W.?! Quanto tempo, rapá! Senta aí com a gente. Aqui: esse aqui é o Z.. &lt;strong&gt;Z., esse é o W., aquele que te falei do tamanho do pau.&lt;/strong&gt; [&lt;em&gt;Os três riem. Z. cumprimenta W. com a cabeça, sem se levantar ou estender a mão.&lt;/em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Só na cervejinha então?&lt;br /&gt;– &lt;strong&gt;Opa, senão ninguém agüenta o rojão, como diz o &lt;a href="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/11/12/12_MHG_cult_Chicobuarque.jpg"&gt;C.&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt; Senta aí, W..&lt;br /&gt;– Não, não. Valeu. Tem uns lances aí pra fazer. Falou, moçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;em&gt;E foi W. descendo a ladeira preguiçosamente sob o sol impiedoso.&lt;/em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Esse bicho ta de rolo com uma branquinha gata que teve filho esses tempos. E é feio, né não? [&lt;em&gt;Os dous riem mecanicamente.&lt;/em&gt;] Então, como eu te falava. Entrei na igreja e não tinha mais ninguém. Uma ou outra velha rezando pra vela. Mas em silêncio, sabe? &lt;strong&gt;Como se santo lesse pensamento...&lt;/strong&gt; [&lt;em&gt;E toma mais um gole de cerveja. Z. força um riso, mas a fisionomia mais parece desgosto com o que acabara de ouvir.&lt;/em&gt;] Sentei num banco e descansei as pernas. Aí comecei a pescar. E tal, pescava, e nada da morena. Aí só ouço o padre gritando &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Sai pra lá! Sai! Esse pecado é horrível demais! Não confessa pra mim! Sai daqui! Sai!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt; Cara, foi uma cous–&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou assustado. O coração sambando no peito. A respiração na batida do surdo, mas pesada, doída. &lt;strong&gt;Desamassou a cara com força, furando os olhos dos sonhos.&lt;/strong&gt; Apertou os olhos e hesitou pensar no óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vestiu a camisa do fluminense e foi primeiro matar o padre.&lt;/strong&gt; Depois mataria P..&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4792346676627816357?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4792346676627816357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4792346676627816357&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4792346676627816357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4792346676627816357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/uma-confisso-infeliz.html' title='.uma confissão infeliz.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKYwbuqoLqI/AAAAAAAAAX8/bsenNkwLOQs/s72-c/16392214.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6008815028391188537</id><published>2008-08-14T21:01:00.000-04:00</published><updated>2008-08-14T21:04:11.872-04:00</updated><title type='text'>.uma questão de tempo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKTVilEZYYI/AAAAAAAAAX0/17veYA7SfPA/s1600-h/retrovisor2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234543456954179970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKTVilEZYYI/AAAAAAAAAX0/17veYA7SfPA/s320/retrovisor2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estávamos a uma velocidade acima do normal, acidentalmente desrespeitando os limites aceitáveis que as placas exigiam. Os cabelos manchavam o vento e os movimentos com as mãos imitavam ginastas prestes a cair – e que se levantavam num rápido movimento para o nada. A música alta atordoava os pensamentos: muitos metais, bateria cubana, vozes díspares, refrões duvidosos e tudo mais que a orquestra pouco ortodoxa – que escolhemos a esmo – podia proporcionar musicalmente naquele momento. Estávamos deveras rápidos, rindo sem um motivo específico, mas tendo a certeza de que aquilo não duraria para sempre. &lt;strong&gt;Nada dura para sempre, é bom lembrar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponte seria um bom local para respirarmos o ar fétido que o rio poluído emanava. Paramos sem cerimônia, abrimos as portas e deixamos os risos acompanharem as partituras da orquestra. Tínhamos a cidade deserta e todas as horas possíveis da noute para embriagarmos com conversas fúteis e risos ensaiados e elucubrações chochas e ilações absurdas e teorias vazias e mais uma miríade de diversões que a gente compra lendo orelha de livro. &lt;strong&gt;Não pensávamos, de fato, nessas possibilidades.&lt;/strong&gt; Cada qual ficou em seu acento descolorindo aos poucos a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música já não fazia mais tanto alarde, e a cabeça ricocheteava versos soltos, frases musicais descompassadas. O sol rompia o hímen da madrugada aos poucos, e todo o prazer que sentíamos há pouco sublimava. &lt;strong&gt;Olhei pelo retrovisor para ver o futuro.&lt;/strong&gt; Era tarde demais, amigo. Tarde demais para rir de lembranças.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6008815028391188537?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6008815028391188537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6008815028391188537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6008815028391188537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6008815028391188537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/uma-questo-de-tempo_14.html' title='.uma questão de tempo.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SKTVilEZYYI/AAAAAAAAAX0/17veYA7SfPA/s72-c/retrovisor2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5002275503198963391</id><published>2008-08-11T00:10:00.000-04:00</published><updated>2008-08-11T00:26:21.218-04:00</updated><title type='text'>.apenas um delírio.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SJ-76iyvYdI/AAAAAAAAAXc/ZUAqBRwnUxQ/s1600-h/.persiana..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233107906474238418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SJ-76iyvYdI/AAAAAAAAAXc/ZUAqBRwnUxQ/s320/.persiana..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O piano soava ao fundo, batia no fundo dos pensamentos. Era inevitável, não era tão impossível, pertinente talvez e muito provável que não fosse nada. A lâmina lambendo a carne, suavemente. O sangue salpicando preguiçosamente a roupa, o chão, as paredes, o universo e todas as estrelas mortas que se perpetuam todo dia ao anoitecer. Não podia mais se importar. Talvez tenha sido o filme, as músicas, as tragédias anunciadas aos poucos nos jornais. A visão entre as pessoas, um pouco além. &lt;strong&gt;A não distinção entre sonhos e delírios, o gosto disfarçado pelo sofrimento alheio.&lt;/strong&gt; O piano soava e parecia aumentar ainda mais. Uma melodia qualquer, sinistra. Melodia, melodia. Limpava o nariz com o dedão e se fazia palhaça de circo, personagem tristonho com o riso no rosto. Ria de si mesma e da situação pouco improvável. Não, aquilo não tinha graça alguma. Os braços retorcidos, a roupa rasgada e a violência gratuita guiada por um impulso desconhecido. A televisão seria a testemunha, a única que falava na sala, no ambiente vazio, sujo, imundo, porcamente higienizado para uma possível viagem. As melodias, as melodias. O movimento hesitante, a faca cortando o momento de dúvida e toda a certeza de que estava num problema sério. Não precisava fazer tanto barulho por um corte tão levemente profundo na garganta. Um corte nos pulsos. Sangue por todos os lados, uma piscina escarlate. Um filme. As informações ricocheteando pela sala, reverberando com a voz dos atores. Um fósforo apenas inteiro para queimar uma precisa floresta única. As bordas sujas, as imagens desconhecidas, as idas e vindas. O conhecimento de que era preciso apenas um fósforo para queimar uma floresta inteira. Quando menos esperava, a mão alheia já estava cobrindo suas digitais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após chupar a fumaça e guardar a loucura nos pulmões, olhou pela persiana sem a real intenção de fazê-lo. &lt;strong&gt;Inventou uma desculpa qualquer e desceu apressada as escadas do prédio.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5002275503198963391?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5002275503198963391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5002275503198963391&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5002275503198963391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5002275503198963391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/apenas-um-delrio.html' title='.apenas um delírio.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vMDWC_sD0fI/SJ-76iyvYdI/AAAAAAAAAXc/ZUAqBRwnUxQ/s72-c/.persiana..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6642754724565007415</id><published>2008-08-05T01:43:00.000-04:00</published><updated>2008-08-05T11:08:48.755-04:00</updated><title type='text'>.um dantas.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SJfolb1CvWI/AAAAAAAAAW4/YdkA96RNHK4/s1600-h/.o+%C3%BAltimo+pqno..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230905222037159266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SJfolb1CvWI/AAAAAAAAAW4/YdkA96RNHK4/s320/.o+%C3%BAltimo+pqno..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Almejava apenas a felicidade, um simples desejo – venal e até compreensível hoje em dia, ainda mais se levarmos em conta os muitos afazeres e moscas carpideiras a nos louvar e cuspir. Ainda mais se levarmos em contas as mulheres-bicheiras a nos beijar e cobrir. Ele esperava a redenção e a felicidade. Não fazia mal a ninguém. Funcionário público dedicado, obediente e alheio aos valdevinos escusos com suas propostas cinematográficas. &lt;strong&gt;Emulação comedida, tímida – risível, convenhamos.&lt;/strong&gt; Subir na vida era um detalhe que poderia ser dividido com afinco e perseverança com todos ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitava as brigas oferecendo a cara à tapa. Evitava xingamentos deixando ofender-se gratuitamente. Não via maldade e malícia nos olhares. &lt;strong&gt;Até se envergonhava quando por descuido ou cisco ou mesmo lascívia alguém para ele piscava.&lt;/strong&gt; Segurava mãos femininas para ajudar e não para digitar segundas e quintas intenções. E quando o fazia – por ser de inevitável proporção o talante que o afligia – era sempre com as mais sinceras intenções. Os pensamentos mais soezes eram deixados sob alguma memória distante, sob algum desentendimento interno. Ele era a encarnação do &lt;a href="http://www.releituras.com/fpessoa_linhareta.asp"&gt;poema em linha reta&lt;/a&gt;: não um semideus, mas um sujeito vil em sua ingenuidade gritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[...]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se casara por não encontrar quem suportasse tamanha bondade, tamanha pureza de espírito. Claro, de quando em vez exercitava uma ou outra esperteza, mas só para fazer do riso alheio um amuleto. Só para alimentar o humor dos que estavam próximos. Ah, como ele era um sujeito de bom coração! Decorava nomes, datas e nunca decepcionava ninguém. Ou pelo menos acreditava piamente que não o fazia. Queria sempre agradar, e não pensava se as pessoas queriam mesmo esse agrado. A primeira namorada o traiu. A segunda o deixou. &lt;strong&gt;A terceira não chegou.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rezava diariamente engolindo como desgraça a cachaça sacra que de graça recebia dos &lt;em&gt;amigos mais íntimos&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Religião forjada, é claro.&lt;/strong&gt; No fundo sabia o quão idiota era para a maioria das pessoas. Ficar bêbado para anestesiar o forjar, para obliterar a amarga doçura do seu ser. Humilde sujeito, simples de coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Num domingo, contudo, por pouco deixou-se levar por instintos outros. Alguém mandara um bilhete insinuante, provocador. &lt;em&gt;Um estímulo ao exercício de sua calma&lt;/em&gt;, devem ter pensado. Um convite de última hora, uma hesitante aceitação. Bebidas e bebidas e riso. &lt;strong&gt;A pureza de seu coração palpitou na nota errada do samba, cadenciou no verso malandro inesperado.&lt;/strong&gt; Jogou o copo numa das paredes do quintal e ficou assustado com os olhares. Ah, os olhares! &lt;em&gt;Nossa, para que isso?&lt;/em&gt;, devem ter cochichado. A música parou, a conversa animada parou. A alegria deu um passo em falso e caiu. A mão tremeu, as palavras miaram e tudo se desanimou naquela seqüência de &lt;em&gt;frames&lt;/em&gt; meticulosamente desenhada ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu sem graça, sem se despedir. &lt;strong&gt;Sem muita pressa ou qualquer indício de coragem.&lt;/strong&gt; Sentou-se na grama à espera de um sopro de alegria. Sentiu uma brisa, apenas. Um suspiro de reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O suficiente, porém, para alegrar – mais uma vez – o seu simples coração.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Minúsculo tassalho do texto&lt;/em&gt; As cinco categorias de Ovalle &lt;em&gt;– que na íntegra não será publicado neste espaço por egoísmo de quem aqui escreve&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6642754724565007415?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6642754724565007415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6642754724565007415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6642754724565007415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6642754724565007415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/08/um-danta.html' title='.um dantas.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SJfolb1CvWI/AAAAAAAAAW4/YdkA96RNHK4/s72-c/.o+%C3%BAltimo+pqno..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4830163628338464784</id><published>2008-07-27T21:13:00.000-04:00</published><updated>2008-07-27T21:26:03.434-04:00</updated><title type='text'>.inspiração de um artista mequetrefe.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SI0ds7WRcsI/AAAAAAAAAWg/uhRx2q0uBkc/s1600-h/.ambiente+de+trabalho+22..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227867400129573570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SI0ds7WRcsI/AAAAAAAAAWg/uhRx2q0uBkc/s320/.ambiente+de+trabalho+22..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O caderno em branco denunciava a falta de criatividade, a inércia na mão esquerda – outrora tão hábil em ilustrar superstições e sentimentos tímidos. Há tempos vestia o terno, alinhava-se na cadeira, estralava os dedos, conferia os lápis, as tintas, e então fazia um ponto no meio da página alva. Ficava ali parado, esperando que uma entidade criativa baixasse, aguardando a inspiração suar as mãos de tanto exigir movimentos e rabiscos. Olhava pela janela e via o caos urbano, a poeira no riso das pessoas, os movimentos mecânicos e toda a sujeira social. Culpava-se por estar de terno e plena quinta-feira esperando timidamente a inspiração. Ah, mas era um palerma mesmo. Sabia que ela havia saído com outra mão, que estava se divertindo respeitosamente com outras páginas. E ele ali sentado, covarde, mudo, cansado de sentir muito por muito sentir. E realmente sentia, mas tal qual o poeta, fingia para si mesmo que não sentia. Enganava-se, e assim esperava o tempo passar. Ficou na mesma posição por um bom tempo. &lt;strong&gt;Olhos mortos dissecando a página em branco, mão hesitante.&lt;/strong&gt; O pensamento vagava em algum ignoto deserto, e assobiava alguma melodia só para disfarçar a pouca graça do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meio-dia tirou parte do terno. Foi à cozinha e esquentou a comida congelada que comprara no dia anterior. Galinha, arroz, feijão, macarrão. Um suco sem açúcar. Água natural – com um gosto de terra que o fez lembrar das idas e vindas ao sítio da família. Desde que assumira sua misantropia as reuniões familiares por lá não contavam com o seu riso morno, com seus traços. Pensou nisso por um instante, e depois se reconfortou com uma colherada satisfatória. &lt;strong&gt;Tentou não saborear.&lt;/strong&gt; Comeu mecanicamente se achando príncipe em pleno sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavou a louça em silêncio. Com calma tirou parte do terno e se sentou numa cadeira desconfortável. Ficou abusando da inércia, da falta de ânimo. Mãos sobre as pernas, pés alinhados, coluna reta e cabeça pendendo para a direita. Não havia muito o que fazer naquele seu horário livre. Tinha ele duas horas para aproveitar da melhor maneira que pudesse. Poderia dormir, massagear o ego, confundir as lembranças, relembrar as brigas que perdeu, tirar os sapatos e sentir o frio da casa. Apenas ficou sentado na cadeira desconfortável. &lt;em&gt;São apenas duas horas&lt;/em&gt;, deve ter pensado. &lt;strong&gt;E ali permaneceu sob a luz cinza que entrava pela janela.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vestiu a parte do terno. Ajeitou a gravata e passou a mão nos cabelos penteados. Sentiu-se na moda por um instante. Respirou fundo e foi se sentar para começar de novo os desenhos. Apontou o lápis, conferiu as folhas em branco. Concentrou-se. Nada. &lt;strong&gt;Nenhum traço, nenhum pincel ousou se molhar para aguar as cores dos traços de nanquim.&lt;/strong&gt; Por um momento ele achou que poderia desenhar o mundo, todos os traços condensados num só desenho. Achou que poderia tatuar mensagens subliminares em corpos femininos esbeltos e até frases sacras nas costas de freiras. Sentia que estava perdendo o tino, que estava se apagando aos poucos. Passou a tarde inteira sem conseguir macular as páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado o expediente, foi para o quarto, tirou o terno e ficou pelado em frente ao espelho. Viu a triste figura que se mostrava a si mesmo, que envergonhava a todos. &lt;em&gt;Triste figura&lt;/em&gt;, deve ter pensado. Tomou banho vagarosamente, esfregando cada parte do corpo curvado, do corpo magro e sem graça. Saiu respingando pela casa sem se preocupar com possíveis reclamações. &lt;em&gt;Morar só tem suas vantagens&lt;/em&gt;, deve ter pensado. Vestiu uma roupa qualquer, dessas que a gente veste por conveniência, só para ficar em casa de bobeira. Sentou na beira da cama e ficou inerte. &lt;strong&gt;Sem inspiração.&lt;/strong&gt; Tentou dormir, mas não conseguia. Sentia que precisava expressar alguma dúvida, alguma suspeita. Rolou na cama por uma, duas horas. Voltou à sala de desenhos e tentou rabiscar qualquer cousa que fosse – e nem cobraria pelas horas extras de trabalho. Não conseguiu. De novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frustrado, voltou ao quarto. Sentou na beira da cama mais uma vez. Sentiu então um estalo na nuca. Ah, era a inspiração. &lt;em&gt;Ela deve chegar em breve&lt;/em&gt;, deve ter pensado. E realmente chegou. Ah, então é essa a inspiração? Ele ficou tímido diante dela, não havia como não ficar. Conversou sobre isso e aquilo, sobre o que queria desenhar. Revelou segredos e deixou transparecer alguns sentimentos, mostrou figuras de sua imaginação e projetou na parede alguns de seus sonhos preto e branco. A inspiração ficou ouvindo tudo e conversando reciprocamente. E ele sem perceber as reais intenções dela. Uma indireta, e então ele voltou à sala de trabalho. &lt;strong&gt;Pegou a inspiração pela mão e fez dela um desenho bonito, prazeroso, ruidoso.&lt;/strong&gt; Fez do deserto um oásis, do concreto um jardim e de um ósculo um universo em versos não declamados. Ficou satisfeito pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisou acordar na manhã seguinte para trabalhar, pois havia sido demitido. A inspiração havia ido, e ele ficou murcho de novo. Quebrou a ponta dos lápis, manchou as paredes com as tintas e fez origami com as páginas em branco. &lt;strong&gt;A sala de trabalho, o quarto, um caos.&lt;/strong&gt; Prendia a respiração para segurar a angústia ou a saudade de algo ainda novo, pouco conhecido. &lt;em&gt;Não adianta&lt;/em&gt;, deve ter pensado. E não adianta mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele sabia que desde o início não havia mais o que desenhar, e então desistiu da vida artística.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4830163628338464784?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4830163628338464784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4830163628338464784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4830163628338464784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4830163628338464784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/07/inspirao-de-um-artista-mequetrefe.html' title='.inspiração de um artista mequetrefe.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SI0ds7WRcsI/AAAAAAAAAWg/uhRx2q0uBkc/s72-c/.ambiente+de+trabalho+22..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5653691812537065432</id><published>2008-07-23T18:55:00.000-04:00</published><updated>2008-07-23T23:42:55.306-04:00</updated><title type='text'>.XXI - o pequeno príncipe.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe3qZE8mFI/AAAAAAAAAVg/1BI3SVT1qEM/s1600-h/Image46.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe3kLJ7V-I/AAAAAAAAAVY/VPfdHk5FcI4/s1600-h/Image46.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226348523082747218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe4Spa8DVI/AAAAAAAAAVo/uQi2OuNv_0k/s320/Image1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;E foi então que apareceu a raposa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Boa dia, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.&lt;br /&gt;- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...&lt;br /&gt;- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...&lt;br /&gt;- Sou uma raposa, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...&lt;br /&gt;- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.&lt;br /&gt;- Ah! desculpa, disse o principezinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após uma reflexão, acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?&lt;br /&gt;- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?&lt;br /&gt;- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."&lt;br /&gt;- Criar laços?&lt;br /&gt;- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. &lt;strong&gt;Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.&lt;/strong&gt; Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...&lt;br /&gt;- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...&lt;br /&gt;- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...&lt;br /&gt;- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A raposa pareceu intrigada: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Num outro planeta?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Há caçadores nesse planeta?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Que bom! E galinhas?&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;- Nada é perfeito, suspirou a raposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226350835971113090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe6ZRmfwII/AAAAAAAAAWI/BPO8ddFrSXg/s320/novo-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a raposa voltou à sua idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. &lt;strong&gt;Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.&lt;/strong&gt; Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226349934469075922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe5kzPqU9I/AAAAAAAAAV4/VXzwr0TkIrc/s320/novo-3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. &lt;strong&gt;O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti.&lt;/strong&gt; E eu amarei o barulho do vento no trigo... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Por favor... cativa-me! disse ela.&lt;br /&gt;- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.&lt;br /&gt;- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!&lt;br /&gt;- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...&lt;br /&gt;No dia seguinte o principezinho voltou.&lt;br /&gt;- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.&lt;br /&gt;- Que é um rito? perguntou o principezinho.&lt;br /&gt;- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226350515585565410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe6GoEoQuI/AAAAAAAAAWA/syEqwYeFbB8/s320/novo-4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ah! Eu vou chorar.&lt;br /&gt;- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...&lt;br /&gt;- Quis, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.&lt;br /&gt;- Vou, disse a raposa.&lt;br /&gt;- Então, não sais lucrando nada!&lt;br /&gt;- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois ela acrescentou: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi o principezinho rever as rosas: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E as rosas estavam desapontadas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E voltou, então, à raposa:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Adeus, disse ele...&lt;br /&gt;- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.&lt;br /&gt;- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.&lt;br /&gt;- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;br /&gt;- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. &lt;strong&gt;Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.&lt;/strong&gt; Tu és responsável pela rosa...&lt;br /&gt;- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*&lt;/em&gt;antoine de saint-exupéry&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Este trecho possui definições assaz pertinentes, convincentes e - por que não? - providenciais. Queria ter eu definido &lt;/em&gt;cativar&lt;em&gt; de maneira tão bonita. Baudrillard com certeza leu este livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5653691812537065432?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5653691812537065432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5653691812537065432&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5653691812537065432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5653691812537065432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/07/xxi.html' title='.XXI - o pequeno príncipe.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIe4Spa8DVI/AAAAAAAAAVo/uQi2OuNv_0k/s72-c/Image1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3460866735585340043</id><published>2008-07-20T23:40:00.000-04:00</published><updated>2008-07-20T23:48:20.379-04:00</updated><title type='text'>.diálogo imaginário sobre uma possível situação cotidiana que facilmente poderia virar um curta-metragem experimental.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIQFQiKVFgI/AAAAAAAAAVQ/9ptkMx9Cw9U/s1600-h/chicaras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225307249262794242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIQFQiKVFgI/AAAAAAAAAVQ/9ptkMx9Cw9U/s320/chicaras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;– E então?&lt;br /&gt;– Hum?&lt;br /&gt;– É possível?&lt;br /&gt;– Não sei.&lt;br /&gt;– Tuas respostas há tempos me são curtas.&lt;br /&gt;– Não há o que responder.&lt;br /&gt;– Não?&lt;br /&gt;– Acho que nunca houve sequer o que perguntar.&lt;br /&gt;– Achas mesmo isso?&lt;br /&gt;– Com certeza.&lt;br /&gt;– E então?&lt;br /&gt;– Comecemos de novo...&lt;br /&gt;– Não entendes o que eu quero dizer?&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;– É tão difícil assim tentar compreender o que quero dizer?&lt;br /&gt;– Não. O difícil é identificar &lt;em&gt;o que&lt;/em&gt; queres dizer.&lt;br /&gt;– Sabes que não sou bom com as palavras.&lt;br /&gt;– Ninguém é bom com as palavras.&lt;br /&gt;– Pensavas diferente quando nos conhecemos.&lt;br /&gt;– Isso foi há muito tempo, convenhamos...&lt;br /&gt;– Não mudamos tanto assim, eu acho.&lt;br /&gt;– Achas mesmo?&lt;br /&gt;– Acho.&lt;br /&gt;– Então não percebeste o quão mal o tempo fez para nós.&lt;br /&gt;– Isso lembra a música do mar que bate nas pedras.&lt;br /&gt;– A nossa vida em comum é que é curta demais para ver o estrago.&lt;br /&gt;– Entendo.&lt;br /&gt;– Se entendes por que insistes?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Achei que fosse recíproco.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;– Esse é o teu problema: &lt;em&gt;achas&lt;/em&gt; demais.&lt;br /&gt;– Eu não tenho tantas certezas como tu tens, ma/////&lt;br /&gt;– Mas nada! Aprende a decidir!&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio incomensurável tomou conta da cozinha. As xícaras dispostas sobre a mesa de vidro, o açúcar derramado, as colheres manchadas. O pequeno cesto de flores de plástico tentava colorir a cena, malgrado os tons cinzas anunciados já terem tomado conta das margens. O rio estava prestes a transbordar. &lt;strong&gt;Na verdade, ele estava prestes a secar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– E como vai ser agora?&lt;br /&gt;– Não sei.&lt;br /&gt;– Depois eu que tenho dúvidas demais...&lt;br /&gt;– Não é assim que as cousas funcionam.&lt;br /&gt;– Eu sei disso.&lt;br /&gt;– Não parece.&lt;br /&gt;– É que não suporto mais essa situação.&lt;br /&gt;– E &lt;em&gt;achas&lt;/em&gt; que eu suporto?&lt;br /&gt;– Não, sei que não. Mas é que quando penso no começo de tudo...&lt;br /&gt;– Tu e esse teu nostalgismo...&lt;br /&gt;– Mas é que é inevitável!&lt;br /&gt;– &lt;em&gt;Mas é que é inevitável!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;– Não consigo entender o que mudou e nem quando mudou.&lt;br /&gt;– Consegues ao menos enxergar o porquê?&lt;br /&gt;– Não, nem isso. Para mim tudo podia ser ainda daquele jeito.&lt;br /&gt;– Que jeito?&lt;br /&gt;– Daquele, como no início. A gente era mais alegre.&lt;br /&gt;– Talvez tenhamos nos perdido em conversas.&lt;br /&gt;– Ou mesmo por não ter falado o que devíamos ter falado.&lt;br /&gt;– Tu nunca falas o que deves ser dito.&lt;br /&gt;– Sabes que não sou bom com as palavras.&lt;br /&gt;– Mas já foste melhor com as imagens.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Desaprendi muita cousa depois de tudo que passamos juntos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Desaprendeu por opção, pois nunca te forcei nada.&lt;br /&gt;– Com certeza. Decepciono-me demais, eu acho.&lt;br /&gt;– Concordo.&lt;br /&gt;– Sabes que não consigo ser mais o que eu era, não?&lt;br /&gt;– Imagino, mas não mensuro o estrago que te fiz.&lt;br /&gt;– Não fizeste estrago, apenas abriste as feridas.&lt;br /&gt;– Se fiz isso, é porque não te entendi o suficiente.&lt;br /&gt;– Suponho que não tenhas tido o interesse de realmente me entender.&lt;br /&gt;– Pouco importa, no fim. Iremos nos separar do mesmo jeito.&lt;br /&gt;– Achas que um dia as cousas serão como antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As xícaras na mesma posição, estando apenas uma com a borda beijada pelo café. &lt;strong&gt;Café frio.&lt;/strong&gt; As formigas, o açúcar, as mãos distantes, olhares distantes. Um micro-universo prestes a explodir, a condensar em si mesmo para renascer – ou pelo menos fingir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Nunca mais seremos os mesmos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3460866735585340043?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3460866735585340043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3460866735585340043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3460866735585340043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3460866735585340043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/07/dilogo-imaginrio-sobre-uma-possvel.html' title='.diálogo imaginário sobre uma possível situação cotidiana que facilmente poderia virar um curta-metragem experimental.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIQFQiKVFgI/AAAAAAAAAVQ/9ptkMx9Cw9U/s72-c/chicaras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3062426061023998852</id><published>2008-07-18T19:52:00.000-04:00</published><updated>2008-07-18T20:08:59.763-04:00</updated><title type='text'>.mitologia rasa a partir de um cotidiano de alegrias díades.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIEtQ6BPaBI/AAAAAAAAAVA/PmxMWjgCwHc/s1600-h/paleman.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224506811202103314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIEtQ6BPaBI/AAAAAAAAAVA/PmxMWjgCwHc/s320/paleman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em plena sexta-feira, o cotidiano passava ao longe. Rotina, trabalho, rotina e obrigações. Tudo muito apagado no //////////////, um ponto de fuga que sequer precisa ser riscado. Tudo muito subliminar, essencialmente subliminar. O sinal de alerta, tal qual uma bomba que – de quando em vez – saía do compasso, era o único ruído a duelar com o vento que zunia forte. Hesitação, eu diria. Até medo de ///////// que se apresentara desde o começo. &lt;strong&gt;O sol descolorindo tudo, o calor como detalhe assimétrico na paisagem para turista ver.&lt;/strong&gt; Uma manhã pouco comum. O fazer &lt;em&gt;tudo sempre igual&lt;/em&gt; ganhou contorno de uma lembrança inolvidável. Talvez tenha faltado algo que desse corpo a essa /////////////////. Talvez tenham faltado matizes para que aquele cenário se aquarelasse numa iminente – mas já sentida – saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ////////////// parar para pensar, pouco importa. Ninguém se importa. Talvez eu, talvez alguém mais. A certeza é que existe a dúvida – e a tal excitação da dúvida, claro. &lt;strong&gt;Mas uma saudade só não rima, não dá samba.&lt;/strong&gt; Talvez tenham caído //////////////// demais em momentos distintos, e num contratempo perdeu-se o instante de fazer o mesmo pedido. Há a vontade, porém? Otimismo crasso que só rende melodias /////////////////, mas que não tem cacife para competir com a ////////////////. Olha, a realidade é essa! A manhã incomum é imprescindível, indiscutivelmente imprescindível, mas falta um pouco do denodo de outrora. Faltam blandícias como o único vezo aceitável. A mão e a boca parecem querer obliterar o alvedrio do toque e do ósculo, malgrado a mente e a quase-necessidade se imporem como /////////////.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se mostrando ao longe. A sensação do trabalho, do cansaço /////////////////, a tristeza mundana. Tudo sempre igual. E na noute anterior fora diferente – como foram as outras noutes –, uma espécie de surpresa. Queria talvez que fosse mais tempo, que fosse mais próximo. Noutes iguais, mas que fazem toda a diferença. &lt;strong&gt;Sabe, a vontade é que o vestido fosse enlaçado pelo paletó – tal qual diz a música, mas sem o tom de fim.&lt;/strong&gt; Tom. Fim. Jobim. ///////// ////&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É querer demais, confesso. Na verdade é o que acho. &lt;em&gt;Ah, e tu achas?&lt;/em&gt; És hilário. &lt;em&gt;E quem não é?&lt;/em&gt; Tamanha beleza, de cerúleos olhos fechados – dous céus em miniatura que enxergam para além da estrada. O riso. &lt;strong&gt;Ah, o riso.&lt;/strong&gt; Aceitas? Eu o colocaria numa moldura só para afagar os //////////// meus. Meus pensamentos, todos nas linhas tortas das mãos, embaixo das pálpebras e sob os óculos; todos eles me levaram ao mesmo labirinto. Por ser Teseu demais, deixei-me tomar por um /////////////// absurdo, quase inconseqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora me vejo aqui, sexta-feira, longe do dia-a-dia modorrento, insosso. &lt;strong&gt;Vejo-me perdido.&lt;/strong&gt; Ligeiramente muito perdido // //////// esperanças de que Ariadne teça uma camisa deveras grande para eu poder me proteger do frio depois que eu desfiar as mais sinceras lembranças rumo à saída de tal labirinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo sei que o Minotauro já se fez mito – porém não é taumaturgo. A&lt;strong&gt; respiração já sentiu a mesma falta de ar.&lt;/strong&gt; A /////////////// já sabe do suplício, do iniludível ///////////////.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora é esperar pelo riso lascivo.&lt;/strong&gt; Em plena e completa sexta-feira. Esperar e achar toda a graça do mundo nos momentos mais álacres. E em /////// silêncio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3062426061023998852?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3062426061023998852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3062426061023998852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3062426061023998852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3062426061023998852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/07/mitologia-rasa-partir-de-um-cotidiano.html' title='.mitologia rasa a partir de um cotidiano de alegrias díades.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SIEtQ6BPaBI/AAAAAAAAAVA/PmxMWjgCwHc/s72-c/paleman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2940090402517832232</id><published>2008-07-08T00:40:00.000-04:00</published><updated>2008-07-08T18:41:14.490-04:00</updated><title type='text'>.um pouco de literatura diária.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SHLv3RCllzI/AAAAAAAAAUw/4Hvns24J6Q8/s1600-h/aef.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220498650821924658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SHLv3RCllzI/AAAAAAAAAUw/4Hvns24J6Q8/s320/aef.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Catastrófico. É pouco, quase nada. &lt;em&gt;Ridículo&lt;/em&gt;, é mais conveniente. Providencial, até. Necessário. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. Sempre a mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. A mesma cousa. Sempre. A mesma cousa. A mesma cousa. É complicado. A admissão da vergonha não mitiga a cena, o ridículo. Ninguém tirou as notas das mãos tuas. Batias nas peles alheias sem a verve de outrora. Envergonhaste os amigos sem a intenção verdadeira. Vestiste-te de palhaço pubicamente. A máscara manchada de suor, a bebida na mão trêmula. Ator cínico. Envergonhaste a ti mesmo, negaste tua parca inteligência e a já abalada fé na vida. Conversaste com a deidade usando uma cascata de palavras sem-fim. Hífen, crase e risos. Lembrança fraca. Não, &lt;em&gt;memória&lt;/em&gt; fraca. Sono. Não, agora não. E a vergonha obliterada pela falta de sonhos aos poucos se acendia na memória. O mundo não girava. &lt;strong&gt;Perdeste a chance de envolver a deidade num parágrafo kafkaniano.&lt;/strong&gt; Ridículo é pouco. Dançando no salão. Sem te agüentar em pé. Uma pancada na cabeça anestesiada. A ressaca do bom senso veio bater forte na orla do dia seguinte, quando as velas já não respiravam a brisa: o barco iria afundar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a verdadeira história. Os detalhes omitidos. O porquê do não-riso. O encontro amarelado. A desconfiança do convite. Riso. Riso. Riso. Riso. As orelhas acesas, pertinentes. O pessimismo. A hora errada de ouvir a verdadeira história. Cabeça solta, morrendo sem ar nas páginas em branco. As idéias não batiam, não comungavam do mesmo &lt;em&gt;Cristo&lt;/em&gt;. O mesmo &lt;em&gt;Cristo&lt;/em&gt; há dous mil anos. Não entra nessas questões. Volta ao círculo obnubilante. É, podes voltar. Vê as palavras certas. Muda o caminho. É isso: muda o caminho. Vai ser estranho. Não é preciso te importar. Relaxa os pés. Ajeita a coluna. Revisa o relato. Não deixa subliminaridades em baixo das unhas – ouriçadas pela desconfiança. Pessimismo! É demais. Ainda mais depois do fiasco. Desconfia. Toma o remédio. Anda, escreve mais uma linha. Acaba com isso. Pára de ouvir música. É óbvio demais, eu diria. Tréplica malfeita. Horrível. Apaga logo, pois o tempo vai eternizar o momento infeliz. E a lembrança dos erros não esvanesce tão facilmente assim. &lt;strong&gt;Vais te arrepender, sabes disso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A literatura da vida cotidiana não aceita &lt;em&gt;trema&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2940090402517832232?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2940090402517832232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2940090402517832232&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2940090402517832232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2940090402517832232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/07/um-pouco-de-literatura-diria.html' title='.um pouco de literatura diária.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SHLv3RCllzI/AAAAAAAAAUw/4Hvns24J6Q8/s72-c/aef.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2668613905147700691</id><published>2008-06-25T10:47:00.000-04:00</published><updated>2008-06-25T10:56:30.057-04:00</updated><title type='text'>.um flanêur estanque.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SGJa8PdhYJI/AAAAAAAAAUo/Uh1rfWu5k38/s1600-h/.presente+pra+marilha+I.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215831309437460626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SGJa8PdhYJI/AAAAAAAAAUo/Uh1rfWu5k38/s320/.presente+pra+marilha+I.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu quero ser apenas mais um sujeito sem identidade, sem eloqüências intelectuais ou preciosismos artísticos. Quero me sentar no sofá e assistir um programa dominical qualquer, deixar meu cérebro cansar de tudo que é profundo, permitir que meu espírito se afogue na profundidade supérflua do meu insignificante e épico viver. Eu sou digno de novela, sou digno de crônica jornalística. Mas não quero nada disso hoje. &lt;strong&gt;Quero apenas reforçar a minha inócua passagem por aqui.&lt;/strong&gt; Desejo desencantar meus sonhos, e decantar sonhando num fundo acordado em que cantar é um detalhe descartável. Eu quero desafinar no coro dos contentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acordei com um olhar medíocre sobre a vida. Não senti aquele aperto no peito de outrora, aquela angústia criativa que me fazia acordar no meio das noutes para, com sangue e urina e lágrimas e palavras, manchar as telas com a minha arte supervalorizada pelos críticos de jornais. Não, nada disso. &lt;strong&gt;Hoje eu quero ser a espuma da cerveja, o suco amaro, a carne podre, o vômito.&lt;/strong&gt; Almejar esperança ou felicidade, sonhar com fins reprodutivos ou ter fé não são iniciativas que empolgam como antes. Todas as ilusões foram perdidas, e nesta manhã ensolarada eu quero sentar no trono de minha casa alugada, escancarar a minha boca cheia de dentes amarelos e esperar uma intervenção divina contra a minha insolência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero receber missivas, ouvir vozes ou conversar educadamente. Coprolalia é muito mais divertido e sacana. Excitante, confesso. Quero trair a confiança das pessoas, decepcionar o mundo e Deus a quatro, prometer mentiras e jurar discórdias. Aqui, sentado em minha cadeira desconfortável, a única cousa que almejo é me sentir desprezível. &lt;strong&gt;Não faço questão de eternidade, de epitáfios desafiadores.&lt;/strong&gt; A verdade é que cansei de repetir o mesmo lado do disco nas conversas diárias. Estou cansado de elaborar todo um discurso visual e oral para o gozo social alheio. A satisfação do outro não me deixa alegre. Não tenho pena de quem sofre, de quem não tem a cadeira desconfortável na qual estou sentado, não imagino as mazelas de quem sequer tem a televisão de controle remoto que eu controlo – e que me deixo controlar. Não, não sou um sujeito afeito à imagens de freiras lavando os pés dos descamisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia reclamaram que eu estava me excedendo, passando os limites estabelecidos pela ordem social invisível que rege todo esse coro de contentes. &lt;strong&gt;Vai ser feliz longe de mim!&lt;/strong&gt; Meu pensamento &lt;em&gt;flanêur&lt;/em&gt; me exorta a fluir em vicissitudes culturais, faz com que eu me derreta nos sincretismos entre evangélicos e pagãos, e ainda me deixa suficientemente álacre para desacreditar em tudo isso e em todos. Desde que aquelas imanes mãos me abandonaram num mês de julho qualquer, o sentido da vida errou a direção. E não confesso isso para soar piegas ou para excitar a pena – sim, &lt;em&gt;excitar&lt;/em&gt;! – de quem me vê assim. Tampouco é para justificar. O fato é apenas um tijolo no muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu quero apenas confirmar as teorias, acreditar na ciência, ouvir os comentários lúcidos dos repórteres mais bem pagos. &lt;strong&gt;Quero suprimir a minha existência a custa de pouca cousa, quase nada.&lt;/strong&gt; Enfim, eu desisto na véspera de uma segunda-feira que é para a semana começar tão importante como os dias que não vivi. E se ainda vivo, é porque sempre desisto na hora errada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;em&gt;Imagem: detalhe de um presente&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2668613905147700691?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2668613905147700691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2668613905147700691&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2668613905147700691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2668613905147700691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/06/um-flanur-estanque.html' title='.um flanêur estanque.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SGJa8PdhYJI/AAAAAAAAAUo/Uh1rfWu5k38/s72-c/.presente+pra+marilha+I.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2638180048963472659</id><published>2008-06-13T13:05:00.000-04:00</published><updated>2008-06-13T13:11:08.106-04:00</updated><title type='text'>.trágico.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SFKpDzjOlMI/AAAAAAAAASI/IY_ulF-V21s/s1600-h/0706611.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211413601663751362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SFKpDzjOlMI/AAAAAAAAASI/IY_ulF-V21s/s320/0706611.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exigiram-me senhas e documentos, e com truculência me encaminharam para os responsáveis. Cochichavam. &lt;strong&gt;Eu entendia apenas os finais das palavras, e assim fui montando um jogo de palavras nefasto e premonitório.&lt;/strong&gt; O corredor era estreito, e parcamente iluminado por lâmpadas amareladas, uma luz de fundo de quintal, improvisada. Empurravam-me pelos ombros dizendo insultos em outras línguas. E riam. Sempre riam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava no centro da cidade quando fui abordado por duas crianças solicitando informações. Elas vestiam camisas com o &lt;em&gt;haikai&lt;/em&gt; de Orwell em vermelho sangue – cujas letras gritavam uma suposta paz, agrediam sutilmente as liberdades e forçavam a ignorância. &lt;strong&gt;Aquilo me surpreendeu.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Crianças instigando o duplipensar por pura incúria&lt;/em&gt;, pensei. Elas pediam informações sobre como fugir. &lt;em&gt;Não entendi&lt;/em&gt;, respondi. &lt;em&gt;Como&lt;/em&gt;? &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Fugir. Nós queremos fugir&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, repetiram. Fingi riso e disse que o ideal era elas enfrentarem seus problemas, conversarem com seus pais e viverem tranqüilamente como todo mundo. Fecharam os rostos. Estavam irritados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era uma época difícil, concordo. Escasso humor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino falou algo que não decifrei, e a menina levantou a saia e mostrou o sexo pueril e imaculado. Foi quando senti um forte tapa na nuca e minhas mãos sendo puxadas para trás. Quase quebraram meus braços. &lt;strong&gt;Tentei argumentar, dizer qualquer cousa e até pedir explicações.&lt;/strong&gt; Deram mais tapas em minha nuca e falaram para eu ficar quieto. Exigiram-me senhas e documentos, e com truculência me encaminharam para os responsáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os olhos vendados eu sentia os murros no rosto como pequenos versos. Os chutes nos joelhos me traziam a sensação de estar em uma liteira de pregos, com as palmas das mãos erguidas ao céu pedindo misericórdia a um Deus que eu ignorava a existência. Era uma época difícil, concordo. &lt;strong&gt;Escasso humor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interrogatório foi curto. Quatro, cinco ou seis perguntas. Respostas nervosas. A cada gaguejada, um tapa. E riam. Sempre riam. &lt;strong&gt;Eu não enxergava meus algozes, e só o medo conspirava a meu favor.&lt;/strong&gt; A desgraça. As vozes eram estranhas, em línguas estranhas e em timbres pouco usuais. Eu insistia que não sabia o que estava acontecendo, que não compreendia o porquê de eu estar ali. Sempre riam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com os sentimentos mais lancinantes no peito, fui aceitar a separação num bar qualquer.&lt;/strong&gt; Fim de tarde, sol ainda alto para o horário. Roupas do último encontro. Calor. A praça estava lotada de andarilhos e pessoas que vendiam por poucos centavos o talento de pintar em azulejos, fazer origami com arames e brincos com sementes. Eu me divertia somando os preços das vitrines, e imaginava o quão idiota havia sido com ela. Quatro, cinco ou seis anos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexo pueril e imaculado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última cousa que me lembro era o riso das crianças. As camisas com os dizeres de Orwell ecoaram em minhas retinas ensangüentadas. &lt;strong&gt;A menina mostrou de novo o sexo sob a saia.&lt;/strong&gt; Era uma época difícil, concordo. Escasso humor. E mesmo assim riam. Sempre riam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2638180048963472659?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2638180048963472659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2638180048963472659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2638180048963472659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2638180048963472659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/06/trgico.html' title='.trágico.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SFKpDzjOlMI/AAAAAAAAASI/IY_ulF-V21s/s72-c/0706611.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6002381091370958179</id><published>2008-05-28T18:15:00.000-04:00</published><updated>2008-05-28T18:30:06.405-04:00</updated><title type='text'>.a nossa sala de jantar.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SD3aOAZUAmI/AAAAAAAAARU/AHBWk2qBpjo/s1600-h/peter+callesen+-+a4+papercut+-+2005+-+snowballs+2+pqno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205556678469354082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SD3aOAZUAmI/AAAAAAAAARU/AHBWk2qBpjo/s320/peter+callesen+-+a4+papercut+-+2005+-+snowballs+2+pqno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A felicidade era uma psicodelia comportada em nossas mentes demasiado cartesianas. Contentávamo-nos com pouca cousa, com olhares fugidios, soslaios. Eu mesmo colecionava cílios, e garanto que tal virtude me alegrava o coração de uma maneira inefável. Ter um pouco do outro, ter um pouco. Eu os furtava das lentes alheias. Ninguém se importava, e alguns até achavam que era algo necessário para conter a nossa cegueira aparente. Eu os guardava em envelopes, e dentro destes escrevia – em letras garrafais – um salmo qualquer. &lt;strong&gt;Eu alimentava aminha fé assim, num conta-gotas literário e ilegítimo.&lt;/strong&gt; Eu pedia a Deus e ao Diabo para que nos protegessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso jantar era ambientado pela luz natural que rasgava as janelas – e ganhava matizes diferentes quando queimávamos uns livros para nos aquecer. O cheiro de palavras atiçava o paladar, e os olhos comiam as frases que esvaeciam no ar. A sala de jantar se enchia com a nossa sincera preocupação de nascer e morrer. O mastigar ia além do ranger dos dentes. &lt;strong&gt;Ruminávamos lembranças, sentimentos, medos e afins.&lt;/strong&gt; A saliva amarga de um cotidiano descolorido era um estímulo às nossas melodias convencionais. E sempre cochilávamos depois de saciar a nossa sincera preocupação de nascer e morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deserto alvo e gelado parecia querer nos engolir, e o frio nos tatuava com odores e dores, mas fazia com que nos abraçássemos apesar das divergências evidentes. &lt;strong&gt;Virávamos livro e palavra, libido e beijo, fratura exposta e dor.&lt;/strong&gt; Suportávamos tudo isso e aquilo lá sempre com um riso no rosto, olhares confiantes e sinceros. As melodias mudavam de quando em vez, mas o tom sacro da nossa orgia ecoava pela imensidão de nossa igreja vazia. Éramos espécies de sermões inócuos, mas claramente valiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O jardim florido de flores imaginárias era um souvenir para nossos gostos inescrupulosos.&lt;/strong&gt; O lago era apenas um capricho a mais para nossos egos: de terra, seco, inerte, moribundo. Eu sempre o olhava logo cedo para adivinhar qualquer cousa nos perdigotos que o sol borrava ao se expressar plenamente nas manhãs. E naquela casa todas as manhãs eram iguais: o nosso machismo descabido, a nossa subserviência aos exageros, o nosso compromisso com o ócio burro, o nosso cantarolar fora do tempo, a nossa imagem pouco refletida nos espelhos que espalhamos adrede pelos cantos da casa; tudo cheirava ao mesmo perfume adocicado do dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando avistei as duas bolas dançando em nossa direção, só pensei na posteridade. Arranquei com veemência meus cílios e os guardei dentro da Bíblia, numa página de salmos qualquer. Eu queria que a mesma tinta que gravou as sacras palavras manchasse parte de mim para uma leitura posterior. Eu queria tão-somente ser eterno naquele momento de júbilo nervoso. Eu e meus amigos – que, assim como os do vocalista da vanguarda acústica e obsoleta, só apareciam quando eu bebia – fingimos desespero. &lt;strong&gt;Ajoelhei no meio da sala e comecei a rezar de trás para frente.&lt;/strong&gt; Eu era um disco com uma mensagem satânica, um coma prestes a perder a validade: havia chegado a hora de despertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Imagem: peter callesen - a4 papercut - 2005 - snowballs &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6002381091370958179?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6002381091370958179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6002381091370958179&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6002381091370958179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6002381091370958179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/05/nossa-sala-de-jantar.html' title='.a nossa sala de jantar.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SD3aOAZUAmI/AAAAAAAAARU/AHBWk2qBpjo/s72-c/peter+callesen+-+a4+papercut+-+2005+-+snowballs+2+pqno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2848694037818061857</id><published>2008-05-05T22:41:00.000-04:00</published><updated>2008-05-05T22:49:28.790-04:00</updated><title type='text'>.vôo noturno.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SB_F6oVXS5I/AAAAAAAAAPs/pqE_hX8Sjdc/s1600-h/agulha_disco%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197090106058951570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SB_F6oVXS5I/AAAAAAAAAPs/pqE_hX8Sjdc/s320/agulha_disco%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não consegui evitar, eu não estava preparado. Eu não tinha condições de suportar aquilo: estava aos frangalhos, em retalhos detalhistas e com algumas tatuagens borradas demais em meu arquivo pessoal de rabiscos cutâneos. &lt;strong&gt;Eu via tudo com olhos mortos, olhos que já não distinguiam as cores.&lt;/strong&gt; Eu estava atordoado, anestesiado do mundo. Infenso e sem coragem, o que poderia eu fazer contra os muitos moinhos que se apresentavam como dragões de saia, mulas com cabeça e sacis vencedores de maratonas televisionadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o lado e verifiquei as condições dos muitos diabos que se aglomeravam no balcão do bar. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;A banda ao fundo dubla muito bem&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, eu digo tentando me enganar. Mas eu estava esperto e consciente – e mesmo assim eu tentava fingir com a ajuda disso e daquilo. A insistência me irritava. Eu estava nervoso, eu acho. Todos os comentários inúteis, as conversas sem ritmo, os elogios carcomidos, as risadas emboloradas: tudo me irritava. Eu soltava aos poucos o humor casmurro que carregava no peito, e sempre que o gordo cabeludo vinha falar algo sem nexo para mim, eu me irritava ainda mais com os perdigotos dele que me embaçavam as lentes. Acho que foi por isso que gostei – e até senti algo mais pornográfico – pela mãe de família que deu um tapa na cara desse mesmo gordo que só falava cuspindo. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;O que você quer saber da minha vida?&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, gritou ela sem anunciar o tapa na bochecha rosada do sujeito. &lt;strong&gt;Imaginei-a gemendo, fazendo cara de atriz dos filmes de ação e dizendo cousas obscenas.&lt;/strong&gt; Mas no fundo sabia que tal imagem era tão-somente um exercício literário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas haviam se condensado em qualquer lugar. Estava frio, e o ambiente não contribuía para eu me sentir álacre - ou pelo menos fingir com mais veracidade. &lt;strong&gt;A banda dublava uma música qualquer música de um artista qualquer artista que obtivera sucesso há tempos.&lt;/strong&gt; O vocalista prognata bem que se esforçou, mas eu sentia a agulha, o disco riscado e as frases se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cansei de tudo aquilo e aceitei o convite de sair daquele lugar que fedia a cigarro de dous reais.&lt;/strong&gt; Senti-me envergonhado pelo fiasco da banda que não se preparou para o contratempo que o tempo fez em seus discos. A dublagem ficou sem graça, e ter de recomeçar um sucesso das décadas passadas tira a graça da música. É como beijar alguém e na primeira fala depois de abrir os olhos sentir um mau hálito desconcertante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu merecia um pouco mais - e isso eu confesso sem modéstia alguma.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2848694037818061857?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2848694037818061857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2848694037818061857&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2848694037818061857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2848694037818061857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/05/vo-noturno.html' title='.vôo noturno.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SB_F6oVXS5I/AAAAAAAAAPs/pqE_hX8Sjdc/s72-c/agulha_disco%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-467554810601341035</id><published>2008-05-01T00:25:00.000-04:00</published><updated>2008-05-01T00:49:23.753-04:00</updated><title type='text'>.relato de um poliglota olfativo prestes a perder os rumos da situação.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SBlJNoVXS3I/AAAAAAAAAPU/PWd53pZMg-w/s1600-h/trainspo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195264143662730098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SBlJNoVXS3I/AAAAAAAAAPU/PWd53pZMg-w/s320/trainspo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em uma outra estação, com os dentes rangendo e com os olhos virados – como quem procurar, num lapso, olhara a própria nuca. Auto-soslaio duvidoso, descrente da própria visão. Eu estava no banco de trás com dous corpos inertes pela loucura branca, pela famigerada &lt;em&gt;bolivian flu&lt;/em&gt;. &lt;strong&gt;Poliglotas nasais que somos, queríamos mais daquele linguajar olfativo e atordoante.&lt;/strong&gt; Estávamos em uma outra estação, eu continuo, e meu pensamento já nem em mim está: vai parar num &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt;, vira estampa na camisa do malabarista de semáforo – o espetáculo da pobreza em trinta segundos, em um minuto –, corre solto pela calçada e cai no colo &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt;, a loura de calça justa demais e seios decotados. Paraliso meu olhar e, tal qual um &lt;em&gt;scanner&lt;/em&gt;, copio a lascívia &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt; para minhas lembranças degeneradas. Imagino o vazio do quadril &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt;, o decote aberto, a boca semi-aberta, os olhos semi-cerrados, e todo o corpo nu em cima de uma cama com lençol cujas estampas – cactos e mais cactos – diziam sobre a possível relação que poderíamos ter depois da próxima sessão olfativa. Desvio o olhar ao perceber a observação médica – quase cirúrgica – que o que o segundo corpo faz de mim – segundo corpo este com seios tão decotados quando os &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt; e com o mesmo vazio num quadril mais robusto e tatuado. Volto a ranger os dentes e a revirar os olhos tentando ver meu reflexo na janela. A nossa apatia coletiva tinha de continuar até o bairro onde pegaríamos mais daquele alvo e amaro perfume estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os risos começaram a se alterar – mas só alguns, os que insistiam em buscar graça no banheiro, nos quartos e na sacada. Um ou outro convidado já havia percebido a movimentação escusa. Eu já estava rindo um pouco mais, mas não cumprimentava os retardatários e tampouco trocava o disco de jazz que insistia em repetir o mesmo contratempo. Eu exibia os quadros, as revistas, as fitas e os vinis raros. Abraçava o corpo &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt; e deixava o nariz escorrer até ela sentir o frio viscoso no pescoço e me empurrar me chamando de nojento – o que naquele momento equivalia, para mim, um digno e tardio &lt;em&gt;Eu te amo&lt;/em&gt;. Depois de alguns goles a mais, fui ao banheiro jogar um pouco de água no rosto. &lt;strong&gt;Olhei-me no espelho e não me reconheci.&lt;/strong&gt; Não, não era eu aquele sujeito &lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt; de festa burguesa. Não, eu não me reconhecia naquela respiração desesperada, naquele olhar nervoso, perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bateram na porta.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisti na vã tentativa de me reconhecer. Insistiram na batida. &lt;strong&gt;Apertei o botão e vi lentamente o redemoinho levar um pouco de sangue, de merda, vômito e papel.&lt;/strong&gt; Respirei fundo e me preparei para a proposta alheia, já anunciando que eu não iria dirigir, malgrado eu contribuir com dinheiro e esperança de um mundo mais fraterno e igualitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa havia começado oficialmente às nove, mas com os já previstos atrasos. A música ambiente dava ao lugar um clima &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt;, um ar de intelectualismo cinematográfico. As beldades aos poucos chegavam. &lt;strong&gt;Exibiam as pernas, os seios decotados, os lábios sangrando, e um &lt;em&gt;ontem &lt;/em&gt;no olhar.&lt;/strong&gt; Poderia tudo isso ser mais ou menos assim, ou poderia também ser apenas uma divagação minha entorpecida pela fumaça dos cigarros alheios. Eu estava sentado no sofá e fingia folhear uma revista. As pessoas passavam e me cumprimentavam, apertavam a minha mão e se curvavam para me abraçar ou oscular o rosto. Aos poucos os rostos começaram a ficar menos opacos, e a memória começava a regurgitar as lembranças mais fugazes, mais chinfrins. Todo mundo como uma ilha no meio do meu oceano de imagens e sons e orgias sentimentais. &lt;em&gt;Eu me lembro dessas coxas&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Eu me lembro dessa tatuagem&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Eu me lembro muito bem desses seios decotados&lt;/em&gt;. Meus pensamentos tentavam me enganar, e a minha oblíqua memória de jornalista em fim de carreira comprometia a minha atuação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com a mesma impressão de ter vivido o dia de ontem. Abri os olhos preguiçosamente, e meio caolho invoquei com um suspiro o cotidiano, a mesmice, o marasmo infrutífero que a minha vidinha de merda suscitava a todo momento. Tantos anos para quê? Para me orgulhar? Deixar para a posteridade alguma cousa significativa? Espreguicei o corpo com vontade, e enrosquei meus pés nos pés &lt;em&gt;dela&lt;/em&gt; e de leve dei um beijo no pescoço e falei que o fim do mundo estava próximo. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ela&lt;/em&gt; pediu cinco minutos como sempre.&lt;/strong&gt; E antes que pudéssemos contabilizar a nossa pequena eternidade, os alicerces do nosso prédio foram ao chão. Estávamos prontos para amanhecer mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-467554810601341035?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/467554810601341035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=467554810601341035&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/467554810601341035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/467554810601341035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/04/relato-de-um-poliglota-olfativo-prestes.html' title='.relato de um poliglota olfativo prestes a perder os rumos da situação.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SBlJNoVXS3I/AAAAAAAAAPU/PWd53pZMg-w/s72-c/trainspo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-640705115527947648</id><published>2008-04-18T01:07:00.000-04:00</published><updated>2008-04-18T01:20:19.006-04:00</updated><title type='text'>.rasa epistemologia do prazer antropofágico.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SAgswn09-SI/AAAAAAAAAOA/FZFm1DpHEBE/s1600-h/dalidesire.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190447784380987682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SAgswn09-SI/AAAAAAAAAOA/FZFm1DpHEBE/s320/dalidesire.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a roer as falanges da mão esquerda. Lambeu de leve a aliança e lembrou do verso lancinante daquela canção que fala sobre despedida. Roía vagarosamente, e guardava o bolo de pele entre os dentes de baixo e a bochecha. &lt;strong&gt;Chupava os restos alheios a fim de beber do suor, do sangue, de alguma essência escondida. &lt;/strong&gt;Limpava com a língua os dentes para não perder nada, e num instante cuspia numa panela o chumaço de pele. Roía tudo de olhos fechados, e suspirava sinceramente a cada sugo que engolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após cinco ou seis atos – tão apaixonadamente mecânicos – tirou toda a roupa de todo um dia de trabalho maçante e despojadamente inútil e forçosamente decente. Ficou com o corpo nu no meio da sala vazia. &lt;strong&gt;A sua alteridade jazia num dos cantos, e exibia um mórbido sorriso.&lt;/strong&gt; Lentamente começou a se esfregar, como se um banho estivesse tomando. Conheceu-se progressivamente, vestindo-se de uma pele outra que não a sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com a alma limpa, com o corpo transformado num desejo hedonista. Enquanto os chumaços de pele das falanges da mão esquerda de sua alteridade fritavam entre o alho picado junto ao o sal e ao óleo, exibia a quem refletia diante do espelho a tatuagem de Dionísio no braço que fizera na adolescência. Viu-se como um encadeamento poético, uma ponte entre os versos e entre os sentidos ubíquos das palavras inanes. &lt;strong&gt;Sentia que podia concatenar sutilmente qualquer rima vagabunda.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de dourada a pele, jogou o arroz devidamente lavado e um copo de água. &lt;strong&gt;Esperou o tempo suficiente para estender no meio da sala uma toalha e sobre ela dispor dous pratos, dous talheres, dous copos e dous guardanapos.&lt;/strong&gt; Serviu-se sem cerimônias – e despejou duas colheradas satisfatórias no prato outro –, e comeu a comida com a fumaça-sabor temperando a boca. De olhos fechados, sentiu o corpo nu regojizar por causa da refeição feérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebeu do copo vazio, usou do guardanapo. Espreguiçou-se e fingiu bocejo ou qualquer motivo para – supostamente – sonhar. &lt;strong&gt;Deitou ao lado do corpo no canto da sala, enlaçando a inércia alheia com todo o carinho que podia expressar naquele instante.&lt;/strong&gt; Sentiu a lascívia morna entre os dous corpos. Perguntou o motivo de não ter mexido na comida, e aos poucos fechou os olhos para enfim ter um álibi para qualquer incômodo que pudesse vir a ter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-640705115527947648?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/640705115527947648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=640705115527947648&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/640705115527947648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/640705115527947648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/04/rasa-epistemologia-do-prazer.html' title='.rasa epistemologia do prazer antropofágico.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/SAgswn09-SI/AAAAAAAAAOA/FZFm1DpHEBE/s72-c/dalidesire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7729726859668970022</id><published>2008-04-09T22:22:00.000-04:00</published><updated>2008-04-09T22:33:29.560-04:00</updated><title type='text'>.backup.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_16ZQP0JfI/AAAAAAAAANM/ml5OlgKhW_8/s1600-h/070723_blog_uncovering_org_computador-reciclado_7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187436920077297138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_16ZQP0JfI/AAAAAAAAANM/ml5OlgKhW_8/s320/070723_blog_uncovering_org_computador-reciclado_7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tentei dar um &lt;em&gt;print screen&lt;/em&gt; da minha infância e colar no &lt;em&gt;desktop&lt;/em&gt; da minha juventude &lt;em&gt;junkie&lt;/em&gt;, mas alguém me surgiu como janela e avisou sonoramente: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Acorda, meu filho. Acorda ou você vai ser infectado!&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. E eu só podia concordar: &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Oquei, eu sei disso&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. Em outros momentos eu até tentaria outras ajudas - apertaria todos os &lt;em&gt;efes&lt;/em&gt; possíveis: foda-se, foda-se você-, foda-se todo mundo, foda-se os doze macacos; enfim, solicitaria ajuda à toda indiferença grosseira que me haviam oferecido. Mas naquele caso eu sabia que seria em vão, pois era evidente que eu estava sendo impertinente, que aquilo poderia afetar o sistema - no caso, o &lt;em&gt;meu sistema&lt;/em&gt; perante o dos outros. Eu nem me importava mais, confesso, mas por conveniência e pelos bons modos eu me calaria. &lt;strong&gt;Tinha eu em mente o horário certo para os filmes errados, a faixa etária correta para os filmes lascivos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O mais engraçado era que quando eu gritava em caixa alta para os confins binários – os mesmos confins nos quais todo mundo hoje em dia navega – ninguém se importava. Bloqueavam-me, ignoravam-me, excluíam-me. &lt;strong&gt;Eu passava horas jogando &lt;em&gt;paciência&lt;/em&gt; para ver se alguma alma me enviava um terço, um &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; ou mesmo um todo de qualquer mensagem amigável.&lt;/strong&gt; Não, ninguém se prestava a esse favor pouco importante. Era como se alguém tivesse apertado sem prestar atenção o &lt;em&gt;insert&lt;/em&gt; na hora errada, e toda vez que meu nome surgia – ou mesmo a lembrança dele – a palavra da vez me consumia, desfazia-me aos poucos para construir outra bem diferente – ou um sinônimo bem diferente. Não reclamo do egoísmo alheio. Não, isso seria demais para um sujeito chinfrim como eu. Eu sou egoísta também, como também o é &lt;em&gt;Deus&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;Diabo&lt;/em&gt; e todo mundo que almeja algo nessa vida de um e zero e um e zero e um e zero e pouca cousa além disso. Eu quero tudo mesmo: ser um &lt;em&gt;Google&lt;/em&gt; da vida, aparecer no &lt;em&gt;You Tube&lt;/em&gt; ou figurar como verbete na &lt;em&gt;Wikipédia&lt;/em&gt;. Desejos mundanos de quem só enxerga o próprio umbigo sujo como o &lt;em&gt;big bang&lt;/em&gt; do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a minha juventude aos frangalhos, o que me restava era tentar salvar o que de bom se mantinha. Todos os problemas, todas as mentiras, todas as decepções, saudades nada saudáveis, frustrações sentimentais, sonhos artísticos nublados; enfim, tudo que de borrado havia em meu &lt;em&gt;disco&lt;/em&gt; seria salvo adrede num disquete – só para eu ter a incúria proposital como desculpa para caso fosse necessário formatá-lo. &lt;strong&gt;Eu tentaria seguir em frente, confesso.&lt;/strong&gt; É sempre assim: você vai passando as páginas, fechando as janelas indesejadas e ignorando os endereços que não te levam a lugar nenhum. Mas não deu mesmo: tela azul, amigo. &lt;em&gt;Tela azul.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertei &lt;em&gt;ctrl&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;alt&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;del&lt;/em&gt; no desespero, crente que seria uma solução fácil e providencial. O meu sistema travou, amigo, e eu estou pouco me importando com isso. &lt;strong&gt;Fiz um &lt;em&gt;rap&lt;/em&gt; maneiro, tenho uma bossa no bolso e tatuei um &lt;em&gt;rock emocional e hardcore&lt;/em&gt; no peito: o que mais posso querer?&lt;/strong&gt; Já que estou condenado a ser formatado por algum técnico sem nível superior – e não o descrimino por isso, mas por fazer o que faz com as pessoas e pelo que fará comigo –, não mais me preocuparei com minhas memórias, com meus arquivos &lt;em&gt;zero-um&lt;/em&gt;, com minhas imagens opacas e com o meu sem ritmo engajamento político-intelecto-sentimental. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Depois de apertar o&lt;/em&gt; reset &lt;em&gt;e tentar mais uma vez reiniciar o sistema, o sujeito viu que não havia solução. Contentou-se em pedir um &lt;/em&gt;backup&lt;em&gt; do técnico, mesmo sabendo que pagaria mais caro para ter seu passado&lt;/em&gt; zero-um &lt;em&gt;salvo num único e mísero DVD.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7729726859668970022?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7729726859668970022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7729726859668970022&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7729726859668970022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7729726859668970022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/04/backup.html' title='.backup.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_16ZQP0JfI/AAAAAAAAANM/ml5OlgKhW_8/s72-c/070723_blog_uncovering_org_computador-reciclado_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5095314603692649768</id><published>2008-04-03T23:07:00.000-04:00</published><updated>2008-04-04T10:00:09.242-04:00</updated><title type='text'>.aula de piano.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_WbdWQSjRI/AAAAAAAAAMU/Em2oAId2dKk/s1600-h/piano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185221474479410450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_WbdWQSjRI/AAAAAAAAAMU/Em2oAId2dKk/s320/piano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Arrastou os pés pela calçada preguiçosamente, sem vontade. &lt;strong&gt;Manchou dous horizontes apaixonados num ritmo bossa-jazz de botequim, ambos longínquos e assimétricos.&lt;/strong&gt; Os olhos tristes murchavam a cada pensamento indevido que a lembrança insistia em regurgitar em sua bula emocional. Ele sabia que suas memórias não tinham apelo comercial, que não ganharia uma biografia assinada e que não teria seu nome incluso como um proeminente sujeito numa história qualquer. Parou por um momento, olhou o logradouro na palma da mão, viu as letras dançarem num ritmo-tinta azul deveras pungente. Não fez sequer esforço para decorar o número. Queria mesmo há tempos se perder – tal qual qualquer resquício de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol latia alto, e os pensamentos famintos já agonizavam: ficavam turvos, mentiam, eram pornográficos, beijavam-se e uniam-se a memórias indesejadas. Parou com as mãos sobre o rosto, e esperou a loucura sedimentar no poço de obviedades que trazia consigo. Foi então que a mão direita começou a solar no ar, e a esquerda fazia a cozinha. &lt;strong&gt;Os pés sambavam na poeira.&lt;/strong&gt; A roupa colada ao corpo sufocava, e fazia a música soar mais necessária, mais urgente. Cada vez que o vento lambia a sua nuca a certeza de a música estar fora do tom surgia. Uma, duas, três, cinco e outo vezes foram necessárias para que a mão esquerda parasse. Os pés voltaram a ser tímidos nas sandálias de couro, e então quis a rachar a coragem que restava – só para desistir com algum mérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não havia passado nem cinco minutos desde que decidira abandonar aquela vida medíocre.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na porta da casa, com as rugas de uma vida a dous, a mulher não entendia a cena, e sentia o corpo robusto aos poucos se esfarelar. Pendia ela a cabeça para o lado, tal qual um cachorro que ouve algo estranho-familiar. Sentiu-se reticências por um momento e, ao ouvir o apito da panela de pressão, deu um riso: estava livre para ser o aposto que tanto queria. Estava livre para significar o que quer que fosse a quem quer que fosse. Queria ler o próprio corpo – há tempos esquecido na estante do cotidiano homem-mulher. Ler-se sem ter de respeitar pausas ou respiração. Ler-se sem ter de imaginar tons ou escala pentatônica. &lt;strong&gt;Ler-se em braile num ritmo alucinado: peitos, pernas e ventre abandonado.&lt;/strong&gt; Teve um infarto de tanto prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a olhar para trás, só para ter certeza que conseguiria abandonar tudo aquilo que construiu ao longo da vida. Não viu a mulher na porta – ela já havia ido &lt;em&gt;ler-se a si mesma&lt;/em&gt;. Calculou errado adrede os anos de trabalho e de privações e de ilusões por achar que poderia ser o pianista que tanto desejava ser. &lt;strong&gt;Não sabia das partituras, das claves ou dos sustenidos, mas se derretia ao ouvir uma frase contínua de notas.&lt;/strong&gt; O peito apertava a cada harmonia triste, e não sabia explicar à mulher a paixão que sentia pelos sons. Ao ler o jornal do dia com as notícias de ontem, viu o anúncio sobre pianos, decidiu que era o momento de zarpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou a melhor roupa, a melhor sandália de couro, penteou os cabelos, fez a barba. Tomou um copo modesto de café, respirou fundo e se levantou da mesa de quatro cadeiras quitada a muito custo. Beijou a mulher na testa, pegou no sofá os vinis que comprara para impressionar os vizinhos e amigos de família. Saiu em câmera lenta da casa alugada. Cada passo fez uma fissura no jardim sem graça que a mulher cultivava. &lt;strong&gt;O coração batia em notas fantasmas, e ele duvidou que pudesse mesmo executar seu desiderato.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com muito esforço chegou na porta da escola de música. Não havia mais vagas para iniciantes ou qualquer tipo de interessado em aprender a digitar teclas com sons. Atônito, desconheceu-se num corpo estranho: virou semifusa na trilha sonora de sua vida preto e branco. &lt;strong&gt;Vida esta exibida como produção independente no cinema mudo de uma ONG musical.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5095314603692649768?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5095314603692649768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5095314603692649768&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5095314603692649768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5095314603692649768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/04/aula-de-piano.html' title='.aula de piano.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R_WbdWQSjRI/AAAAAAAAAMU/Em2oAId2dKk/s72-c/piano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-1152472288658401175</id><published>2008-03-26T22:15:00.000-04:00</published><updated>2008-03-26T22:19:31.352-04:00</updated><title type='text'>.a vez primeira.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R-sDbWQSjPI/AAAAAAAAALY/bCt9t7VZZRs/s1600-h/saias.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182239564585143538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R-sDbWQSjPI/AAAAAAAAALY/bCt9t7VZZRs/s320/saias.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não ouvia nada além daquela voz batendo na nuca. A lente embaçava a visão perturbadora do corpo nu, sensual e calipígio. &lt;strong&gt;Os vaticínios mais positivos indicavam uma aproximação mais ousada, uns olhares mais maliciosos.&lt;/strong&gt; Talvez fosse só uma impressão mal interpretada da situação. Talvez fosse covardia mal disfarçada, ou algo do gênero. Mas não, não ouvia nada além daquela voz batendo na nuca, atordoando qualquer intenção mais sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz insistia num chamado de sereia do deserto. &lt;strong&gt;Um assobio suave, agulha no ouvido, prego na retina, farpas embaixo da unha, garfo arranhando prato, música dodecafônica em plena missa de domingo.&lt;/strong&gt; O mundo girava tal qual um carrossel sem música delicada, sem a diversão e as luzes do circo. Não, não. Aquilo era um circo, mas sem as graças do palhaço ou as piruetas do malabarista. Mas a vontade era a mesma: acabar a noute num riso gostoso, fazer valer o dinheiro do ingresso. O espetáculo tinha que continuar – na verdade, ele tinha de &lt;em&gt;começar&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem muita paciência a mão puxou o corpo trêmulo. Um sôfrego beijo, uma mão aqui e outra acolá. Roupas ao chão, por favor. Não era como nos filmes, é preciso dizer. &lt;strong&gt;A psicodelia lasciva vinha em notas agudas, em palavrões e em tudo o que a eucaristia não ensina.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um tempo depois, a respiração avexada e um tímido riso denunciavam a satisfação. Virou de lado e imaginou maravilhas num país que não era no qual vivia. &lt;strong&gt;Viu quando o corpo ganhou as roupas cafonas e bregas como argumento semiótico.&lt;/strong&gt; Pegou o dinheiro e pagou pelo tal riso gostoso. Prometeu ligar de novo. Ficou um tempo mais olhando e lembrando do universo que aos poucos se expandia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrou o espelho dentro do peito, e com os estilhaços fez marcas na memória. As cicatrizes mais bonitas que a dor poderia dar. E saiu do motel com o intuito de seguir a vida – mesmo sabendo que o caminho havia sido mudado. &lt;strong&gt;Pensou em seguir novas placas.&lt;/strong&gt; Calou a boca, porém, e se deixou seguir para o cotidiano cantado há tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-1152472288658401175?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/1152472288658401175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=1152472288658401175&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1152472288658401175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/1152472288658401175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/03/vez-primeira.html' title='.a vez primeira.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R-sDbWQSjPI/AAAAAAAAALY/bCt9t7VZZRs/s72-c/saias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3866877000016160695</id><published>2008-02-29T22:03:00.000-04:00</published><updated>2008-02-29T22:08:46.944-04:00</updated><title type='text'>.carro do ano.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8i5qyLkieI/AAAAAAAAAKg/TIDFJiJIFa4/s1600-h/.prendedor..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172588316710963682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8i5qyLkieI/AAAAAAAAAKg/TIDFJiJIFa4/s320/.prendedor..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Prendeu os perfumes em fios com jeito pueril, e com o presente de amigo oculto do ano passado. &lt;strong&gt;Um e noventa e nove em meio aos seus cabelos com cheiro de propaganda.&lt;/strong&gt; Olhou-me ainda uma vez antes de desafiar todas as minhas injúrias, todos os meus pedidos disfarçados de ameaças. Deixou no ar o cheiro de um cotidiano trincado, uma palavra suave aqui e acolá. Levou os presentes de casamento, poucas roupas e todas as fotos em que sorria ao meu lado. Levou também o gato Pardo, um bichano temperamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balançou a cabeça negativamente e, de leve, lamentou – pelo menos assim interpretrei. Sem virar o olhar, disse que voltaria para pegar o restante da mudança. &lt;strong&gt;Disse também que eu poderia ficar na casa até encontrar um novo lugar.&lt;/strong&gt; Argumentei qualquer cousa em troca de um entendimento sadio, talvez uma reaproximação cálida, algo significativo. De soslaio ela foi seca em sua resposta, e suficientemente clara quanto às suas intenções sentimentais com relação à minha pessoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Vai tomar no cu, otário!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei no sofá e arqueei o corpo contra as lembranças. Folheei &lt;strong&gt;o jornal e achei uma kitnet barata na periferia do quintal burguês onde vivíamos.&lt;/strong&gt; Ao menos fiquei com o Gol bola 98.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3866877000016160695?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3866877000016160695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3866877000016160695&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3866877000016160695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3866877000016160695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/02/carro-do-ano.html' title='.carro do ano.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8i5qyLkieI/AAAAAAAAAKg/TIDFJiJIFa4/s72-c/.prendedor..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-13411038250700412</id><published>2008-02-25T21:59:00.000-04:00</published><updated>2008-02-25T22:47:29.862-04:00</updated><title type='text'>.felicidade lisérgica.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8NzlZM4rXI/AAAAAAAAAKM/LLxb3Z-6REY/s1600-h/.concreto+e+asfalto+2..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171103883408747890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8NzlZM4rXI/AAAAAAAAAKM/LLxb3Z-6REY/s320/.concreto+e+asfalto+2..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Éramos três sujeitos perturbados, e no alto da nossa loucura lisérgica vestíamo-nos como os personagens de um clipe qualquer de um poperô – também – qualquer. &lt;strong&gt;Bregas, coloridos e sem qualquer resquício de bom-senso.&lt;/strong&gt; Saíamos os três em busca de drogas e de alguma bebida capaz de nos anestesiar contra os olhares carolas dos outros e contra as quedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sempre a mesma loucura no fim dos conhecidos dias úteis – que na verdade nos eram inúteis, estando a única utilidade no fato de, ocupando-nos neles, conseguirmos dinheiro para financiar as nossas drogas. Drogas falsas, misturadas e de origem estupidamente duvidosa. Não ligávamos muito para isso. &lt;strong&gt;Nosso alvo era sempre o ego de cada um, sem mesuras ou comedimentos.&lt;/strong&gt; Exagerávamos para poder usar os excessos como desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beltrano era o mais exaltado, o mais necessitado, o mais desiludido – e o que sempre pagava um pouco mais para poder exagerar nas doses. E quase sempre Cicrano se irritava com esse egoísmo químico de Beltrano. &lt;strong&gt;Eu, Fulano molambo que sou, nem ligava.&lt;/strong&gt; Deixava tudo descer calmamente e, num repuxar de boca acompanhado de um trincar de dentes, saía daquele convívio conflituoso entre os dous. Eu bem sabia que o meu problema era comigo mesmo, e o Fauno que criei para criar as charadas e desafios sempre estava de folga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beltrano era o mais velho, e o mais imbecil. Quase sempre no fim das noutes ele conseguia um modo de irritar algum conhecido nosso, e o fazia pelo prazer de ter de se desculpar num outro dia qualquer. Cicrano era o mais talentoso, o mais queridinho das putas que conhecíamos pela madrugada – talvez por sua ingenuidade calculada ou por sua generosidade suspeita. Eu, Fulano misantropo que sou, deixava sempre as piores impressões pelo meu mau-humor, pelo meu autismo não diagnosticado. Eu me orgulhava, no fundo, de não apertar a mão de ninguém quando eu estava perturbado ou tampouco encara alguém nos olhos. &lt;strong&gt;Achava isso engraçado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecemo-nos no trabalho mesquinho e vagabundo que exercíamos. Fizemos faculdades diferentes, tivemos formações diferentes, mas acabamos nos esbarrando na mesma profissão meia-boca. Reclamávamos juntos da mesma desgraça, das moscas bicheiras e das mulheres carpideiras com beijos de hortelã e café que nos aceitaram como amantes. Os andaimes que construíamos diariamente não nos davam sensações de príncipe ou de nos acharmos o máximo. &lt;strong&gt;Caíamos da mesma altura exígua para os ferimentos mais profundos.&lt;/strong&gt; Calávamos sempre ao meio dia com a boca cheia de feijão, e mastigávamos a nossa existência chinfrim com o mesmo orgulho do padre que se exaspera num sermão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora percebo o quão distante chegamos com todos esses excessos. Os olhos revirados de Cicrano contrastavam com o riso amarelo de Beltrano – que insistia em se misturar com a baba e com o vômito e com o sangue. Eu fazia uma força descomunal para virar a cabeça e tentar entender como aquilo aconteceu. As mesas não estavam tão bem dispostas, e as garrafas pareciam demasiado descosturadas pelo chão. Uns tantos pés se aglomeravam ao nosso redor. Um burburinho, uma conversa descontrolada ecoando no fundo da cabeça. Piscar os olhos era difícil naquele momento, e a cada piscadela uma eternidade se passava. &lt;strong&gt;Alguém se aproveitou desse relapso e me deu um belo chute na boca.&lt;/strong&gt; E eu, Fulano humano que sou, chorei baixinho em meio a risos sardônicos – só para não cobrir o som das sirenes que em coro se anunciavam para nós no raiar do dia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-13411038250700412?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/13411038250700412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=13411038250700412&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/13411038250700412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/13411038250700412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/02/felicidade-lisrgica.html' title='.felicidade lisérgica.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R8NzlZM4rXI/AAAAAAAAAKM/LLxb3Z-6REY/s72-c/.concreto+e+asfalto+2..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3807960706209102620</id><published>2008-02-07T00:59:00.000-03:00</published><updated>2008-02-07T15:39:44.441-03:00</updated><title type='text'>.anódino busílis.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R6qCSd1l4OI/AAAAAAAAAJ0/85zAsAqiYGU/s1600-h/.esquecimento3..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164083176492359906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R6qCSd1l4OI/AAAAAAAAAJ0/85zAsAqiYGU/s320/.esquecimento3..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Cena I&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;olhando para uma foto das mãos dela, olhos chorosos e com o corpo curvado em sua própria insignificância.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não acho injusto que sejas feliz, que exibas o mesmo sorriso que me cativou a outros. Não vejo porque não guardares as lembranças nossas mais agradáveis, menos problemáticas ou insossas. É justo, não? &lt;strong&gt;Necessário, eu diria num otimismo peculiar e, a ti, estranho.&lt;/strong&gt; Respeito, contudo, essa tua vontade de fazer questão de me obliterar do teu álbum de recordações, de rasgar as fotos, de queimar missivas e livretos de um tempo em que eu era demasiado piegas e criativo. Acho que exacerbas o teu modo incomum de ver o mundo - mundo este que, no alto de nosso sentimentalismo juvenil, dizíamos um ao outro que o desvendaríamos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cena II&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;em frente a uma folha em branco com um lápis na mão, ar de arrependimento e com a auto-estima retalhada numa colcha de incertezas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montamos todo um palco para as encenações, para as nossas &lt;em&gt;conversas&lt;/em&gt;. Eu lembro bem de como era &lt;em&gt;ouvir música&lt;/em&gt; contigo: mais pele, mais suor e a mais intimista melodia que as mãos podem tocar. Hoje admito o quão imprudente eu fui ao arriscar seguir parte do caminho sozinho. Eu bem lembrava que ela – a primogênita saudade, lhana e risonha – havia me feito queimar meus navios, fazer tantos desvarios e perder o rumo das linhas tortas cujas letras garrafais de Deus estão impressas. Não é culpa tua, admito. &lt;strong&gt;Achei que, pelo menos um pouco, pudesses suportar tal sofrimento.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cena III&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;já envolto pelas cartas dela, aos poucos inuma cada riso presente nas fotos, e admoesta a própria memória para ficar atenta na edição de tal episódio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sei que segues outra estrada, que já experimentaste outras palavras e outras torturas. Sei que apostaste o quão sofrido seria o meu percurso, e até consigo me alegrar com a tua vitória. Não me viste chorando – meu orgulho –, leste o que não devia – e me envergonho – e esqueceste o primordial – e isso me tortura. &lt;strong&gt;Nosso feérico descobrir, teus amavios sutis: tudo borrado num quadro azul.&lt;/strong&gt; Deixa quieto, pois bem sei que meu coração de malandro ingênuo é que é misoneísta demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cena IV&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;caminhando a passos lentos na rua, com a carta no bolso da calça e chutando uma ou outra explicação inefável não psicografada na missiva agora selada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis eu destilar certa dose de indiferença só para provar qualquer cousa à inicial saudade – mesmo que ela sequer imaginasse tal asneira. &lt;strong&gt;Emulação sentimental cretina, confesso.&lt;/strong&gt; Deveria eu ter aproveitado as blandícias tuas, devia eu ter delido as saudades passadas e ter me concentrado em tua geometria, em tua matemática imprecisa. Certo, estou sendo dramático demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corta para as mãos balançando e para a carta caindo. Carta em primeiro plano, e os pés ao longe enquanto uma terceira mão pega o envelope e sai de cena.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse drama não quer me deixar, gangrena meus instintos e me fecha a novas sendas. &lt;strong&gt;Putativo me tornei no que tange aos sentimentos, e confessar isso me embrulha o estômago.&lt;/strong&gt; É uma sânie difícil de encarar, mas a aceito por saber a origem da queda que me abriu os joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cena V&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;sentado num banco em praça pública, sol a pino, mãos sobre as pernas – tique nervoso das unhas – e a certeza de ser motivo de riso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devia ter me importado pouco, ter feito pouco caso. Eu devia ter esquecido de uma vez, absorvido todas as drogas disponíveis, ter dopado minha memória com pornografia da mais singela, ter tentado outras dores. &lt;strong&gt;Eu devia, e mal sabia que meu crédito era suficiente para cobrir tal disparate.&lt;/strong&gt; Eu devia ter enviado o último livreto – tão singelo e sincero e atemporal. Queria eu ter depurado essa tua ojeriza e feito com que me aceitasse capadócio como o sou agora. Poderia eu ter me esforçado para te convencer do contrário sobre qualquer má impressão que deixei como espólio sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corta para a cara de incredulidade quando uma evangélica de saia preta e cabelos longos e com o rosto avermelhado e com manchas de suor sob os braços entrega um jornal evangélico.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje sei bem o quanto ferem certos tempos verbais.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cena Final&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;acordando com dor de cabeça, sofrendo delírios esparsos e cansado de todo o peso de uma vitória que não tem valor algum.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê? A cortina continua lá, e o espetáculo tão quisto e esperado atrasou. &lt;strong&gt;Vendamos nossas entradas aos cambistas.&lt;/strong&gt; Eles são os únicos que sabem o real valor da nossa finada relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corta para, de longe, mostrar o ato de fechar duas gavetas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Observação&lt;/strong&gt;: o público timidamente aplaude tudo em pleno meio-dia de sábado, e segue ruidoso no calor. De noute uns comentam o ridículo do sentir do tímido doxômano. Outros tantos fingem em versos alguma emoção. &lt;strong&gt;O aconselhável, claro, é ignorar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3807960706209102620?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3807960706209102620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3807960706209102620&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3807960706209102620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3807960706209102620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/02/andino-buslis.html' title='.anódino busílis.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R6qCSd1l4OI/AAAAAAAAAJ0/85zAsAqiYGU/s72-c/.esquecimento3..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-7024043058231776220</id><published>2008-01-25T23:18:00.000-03:00</published><updated>2008-01-25T23:28:45.039-03:00</updated><title type='text'>.antropofagia.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R5qZE91l4LI/AAAAAAAAAIw/jFmyKLmSPwQ/s1600-h/.maca..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159604633704194226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R5qZE91l4LI/AAAAAAAAAIw/jFmyKLmSPwQ/s320/.maca..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela entrou naquele mesmo antro cuja fama Arrigo grita com desespero sincero e exagerada convicção. Nervosa e com as mãos descontroladas e com os olhos famintos e risonhos à procura das míseras diversões eletrônicas. &lt;strong&gt;O mesmo balcão, o mesmo excesso de álcool e a cacofonia diária de um cotidiano ordinário.&lt;/strong&gt; Delírios nervosos, farrapos humanos. Melodia confusa, mas um ritmo bem cadenciado em seu entendimento turvo do mundo. Tudo muito opaco, embaçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou a trilha sonora da loucura na caixa de música que ficava ao lado da mesa de sinuca. As capas dos discos eram familiarmente antigas, mas de um frescor que confundia a memória. Hesitou entre este e aquele sucesso, e acabou optando por qualquer canção que desmentisse sobre as supostas alegrias que sentira um dia. &lt;strong&gt;Olhou bem ao redor e viu o salão descampado, poucas mesas, luz parca e azulada, algumas pessoas salpicando a imagem da desolação.&lt;/strong&gt; Viu num canto suas diversões eletrônicas. Passou no bar, pediu uma cerveja e foi então experimentar o riso – droga proibida naqueles tempos de escassa alacridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ficha, a ansiedade e a instrução padrão:&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Press start.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meia hora de diversão barata oriunda da tecnologia subdesenvolvida movida a &lt;em&gt;duplipensar&lt;/em&gt;. Pouco antes de perder, percebeu o quão sem graça era apertar aqueles botões, imaginar as reações programadas dos adversários ou mesmo gastar dinheiro num lugar como aquele. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Diversões eletrônicas&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, falou baixo e negativamente a si mesma. &lt;strong&gt;Virou-se e viu o mesmo ermo sujo, feio.&lt;/strong&gt; A música que ecoava era outra qualquer música qualquer outra qualquer música outra qualquer, outra melodia. Arrastou os pés até uma das mesas e esperou que a &lt;em&gt;Mãe&lt;/em&gt; chegasse com o rebento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixou a cabeça, tentou não pensar em nada – principalmente em sua vida pouco conveniente, pouco providencial. Acabou de beber a cerveja já quente. Fez careta, xingou qualquer besteira e fingiu indignação, pensou em frivolidades distintas e voltou a baixar a cabeça. Reparou em seus sapatos apagados, em seus passos sem expressão. Pouco tempo depois, viu os elegantes pés da &lt;em&gt;Mãe&lt;/em&gt; cruzarem seu olhar meio-ébrio. Levantou os olhos tontos e viu o rebento no colo Dela: um pequeno universo embrulhado em roupas coloridas. Olharam-se e riram – mas dessa vez com uma alegria nostálgica, lhana e pungida. Talvez nem fosse isso, mas era o que pareceria a quem observasse aquele encontro. Mas ninguém reparou em nada. Eram tão-somente duas pessoas a se encontrarem num lugar sujo, mal-iluminado e pouco convidativo. &lt;strong&gt;Até mesmo &lt;em&gt;Ele&lt;/em&gt; poderia ter se esquecido delas naquele instante.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Vamos fingir que não existimos. &lt;strong&gt;Essa é nossa celebração.&lt;/strong&gt; Uma bizarra celebração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;Este é nosso pequeno universo.&lt;/strong&gt; O nosso &lt;em&gt;big bang&lt;/em&gt; particular – e que ao mesmo tempo tem um quê de popular, de terceirizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendo bem isso. Mas o que podemos fazer é isso mesmo: fingir e celebrar. &lt;strong&gt;Não é a vida uma grande farsa comemorativa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Calaram-se e olharam para o rebento, para o pequeno no colo materno. &lt;strong&gt;Estavam certas das alegrias da festa em conjunto.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;O primeiro pedaço é teu&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, disse ela à &lt;em&gt;Mãe&lt;/em&gt; com certo galanteio.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A alegoria sentimental foi feita num último olhar.&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Mãe&lt;/em&gt; e rebento e ela. Diversões eletrônicas, melodias arcaicas. Puro proselitismo sentimental, mas ainda lhano. Numa mordida o universo se expandiu até o limite, pouco antes de o buraco negro iluminar as lembranças remanescentes que tão-logo seriam engolidas pelo esquecimento. As únicas lembranças que sobraram.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-7024043058231776220?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/7024043058231776220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=7024043058231776220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7024043058231776220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/7024043058231776220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2008/01/antropofagia.html' title='.antropofagia.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R5qZE91l4LI/AAAAAAAAAIw/jFmyKLmSPwQ/s72-c/.maca..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-3167922414914708421</id><published>2007-12-17T23:56:00.000-03:00</published><updated>2007-12-17T23:59:36.556-03:00</updated><title type='text'>.uma lembrança.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R2c3HnI1NOI/AAAAAAAAAEU/pXE-DUQP2so/s1600-h/de+costas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145141703198717154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R2c3HnI1NOI/AAAAAAAAAEU/pXE-DUQP2so/s320/de+costas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Calei-me, enfim.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queria eu que ela só me levasse pela mão, que esquecesse meus impropérios, minhas lamúrias desmedidas. Eu só desejava naquele momento que o caminho fosse outro, que ela aceitasse meus lânguidos pedidos de desculpas – mas ainda sim com um descompassado sentimento de sinceridade, de real necessidade de afeto. &lt;strong&gt;Eu só almejava aquele olhar de outrora, aquela tortura velada e carinhosa, um afago em estado bruto&lt;/strong&gt;. Eu pedia demais, choramingava demais e perdia o tempo de nossas canções preferidas. Eu estupidamente errei ao solfejar prazeres de outras épocas – e em galáxias tão distantes que nem as retinas opacas conseguiam mais ver em meu álbum P&amp;amp;B de memórias tristes. Falei por ser idiota, só para incomodar quem só queria um pouco mais. Eu mesmo só queria um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joguei mágoas em seu vestido. Manchei com rancor a nossa curta história, e deixei em todo e qualquer sentimento recíproco um câncer. Um soluço, um riso amarelo, e a certeza de um iminente caminho solitário e vagabundo. &lt;strong&gt;Abençoei drogas, joguei pinga para Deus e o Diabo, disse a ela que exorcizava demônios.&lt;/strong&gt; Nem isso nem aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calei-me, enfim. &lt;strong&gt;E deixei que ela sumisse no horizonte que não era mais meu.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-3167922414914708421?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/3167922414914708421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=3167922414914708421&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3167922414914708421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/3167922414914708421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/12/uma-lembrana.html' title='.uma lembrança.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R2c3HnI1NOI/AAAAAAAAAEU/pXE-DUQP2so/s72-c/de+costas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-2973772778380169242</id><published>2007-11-21T00:04:00.000-03:00</published><updated>2007-11-21T00:20:34.513-03:00</updated><title type='text'>.o cordial.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R0Oj6EmSEOI/AAAAAAAAACs/gXDXVJO58Ns/s1600-h/cabide.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135128218194546914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R0Oj6EmSEOI/AAAAAAAAACs/gXDXVJO58Ns/s320/cabide.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ligo o sorriso automático e ando a passear pela cidade. Cumprimento as pessoas conhecidas e as que não conheço trato com providencial cordialidade. &lt;strong&gt;Sou puro afeto, compreensão e amabilidade.&lt;/strong&gt; Aos mendigos dou as moedas do bolso, compro pães e troco meia dúzia de palavras. Demonstro querer saber do cotidiano sem graça deles e olho nos olhos de cada um quando vou falar alguma frase feita dos muitos livros de auto-ajuda que li na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu riso, confesso, já não é o mesmo de antigamente. Não consigo um feed back tão lhano como outrora. Quando eu o James Dean mulato da minha família, as cousas eram diferentes, até mais fáceis. O meu romantismo diluído era exíguo para as minhas aspirações grandiosas, para o meu futuro tão promissor. &lt;strong&gt;Eu era um pouco mais triste, mas pouco cordial.&lt;/strong&gt; Talvez por isso a impressão que eu passava era a de sujeira, de um mendigo culto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cousas mudaram. Perdi sonhos, ganhei cicatrizes e algumas tatuagens na memória doentia que Jesus fazia questão de vigiar. Asfixiei meus gatos, minha mãe e meu pai regresso do deserto – o mesmo deserto no qual senti sede sob as admoestações divinas. Asfixiei minhas esperanças e tive medo dos acordes menores que a melodia da vida me escrevia. &lt;strong&gt;Talvez porque eu não sabia ler aquelas partituras eruditas.&lt;/strong&gt; Talvez porque eu me interessasse mesmo era por música popular, dessas que exalam o perfume do abraço lascivo das pessoas ordinárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a fazer isso e aquilo, mas sempre mantendo a minha ingenuidade burra, a minha inocência passiva e idiotizada. E compreendi o poder do riso. &lt;strong&gt;Abandonei as ruas e meu terno de padre, minha mala e adotei novos gatos.&lt;/strong&gt; Casei-me com uma enfermeira com problemas familiares e crente – malgrado eu explicar a necessidade de apagar da nossa mente o sentido de Deus. Habituei-me a sorrir assim, facilmente e com a sinceridade manufaturada a canções sacras e novas sensações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mais cordial, mais sincero. &lt;strong&gt;Humano demais.&lt;/strong&gt; Nutro indiferenças por amores passados, e satisfaço meu complexo de Édipo com sonhos impertinentes. Aos poucos me concluo, rabisco-me por inteiro e deixo a cabeça explodir. Meu riso – só o meu riso – encanta os coadjuvantes desse meu sonho lúcido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suporte técnico já foi chamado, assim como já foi solicitada a presença do doutor Mierzwiak. Decidi apagar apenas algumas partes. &lt;strong&gt;A minha Clementine de imanes mãos vai ser a primeira.&lt;/strong&gt; Só o meu ruço riso me interessa. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-2973772778380169242?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/2973772778380169242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=2973772778380169242&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2973772778380169242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/2973772778380169242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/11/o-cordial.html' title='.o cordial.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/R0Oj6EmSEOI/AAAAAAAAACs/gXDXVJO58Ns/s72-c/cabide.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4515900702279507202</id><published>2007-11-16T21:15:00.000-03:00</published><updated>2007-11-16T21:32:32.233-03:00</updated><title type='text'>.um malandro desterritorializado.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rz4yv0mSELI/AAAAAAAAACQ/D_vl-xm-f8c/s1600-h/.sambista..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133596422403395762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rz4yv0mSELI/AAAAAAAAACQ/D_vl-xm-f8c/s320/.sambista..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Eu contrabandeava sambas do morro.&lt;/strong&gt; Eu era amigo de uns sambistas das antigas lá do morro. Malandros de cartola na cabeça, bigodinho safado, camisa listrada com as cores da mangueira e aquele riso fácil e esbranquiçado que contrastava com a pele morena. Sempre um verso na palma das mãos eles tinham, ou nos bolsos ou no maço de cigarro – bem enroladinho que é para não soar estranho diante dos &lt;em&gt;roques&lt;/em&gt; tantos com os quais eles tinham de lidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conhecia um malandro em especial, o Severino-boca-podre. Ah, esse era o legítimo malandro. Claro, não convém aqui desmistificar a imagem de santo da favela, de milagreiro do morro que ele tinha. &lt;strong&gt;Mulato de beiços fartos, cantava-conversava aos perdigotos, e sempre exalando um fétido hálito.&lt;/strong&gt; Os olhos crispavam quando percebia que parávamos de respirar para ouvi-lo recitar este ou aquele samba. E era cada melodia! Era cada harmonia! Como muitos, Severino não sabia o que era um sol no violão ou lá no cavaquinho, mas solfejava – &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Sofrer já? É comigo mesmo&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, dizia ele todo malandro – como o comovido diabo do poeta ao luar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severino-boca-podre foi quem me sujou a imagem lá no morro. Eu escondia bem os sambas, sabia que os irmãos não gostavam daquele tipo de atividade, que odiavam ter de dar explicações públicas sobre a origem dos sambas ou ter de reivindicar direitos autorais. &lt;strong&gt;Eu fazia cara de sonso e apoiava cada descida ao asfalto dos líderes das escolas.&lt;/strong&gt; Vestia eu minha camisa listrada, o uniforme do malandro-do-morro, e entoava junto a eles os versos roubados. Mas ninguém, no fundo, sabia dos meus atos ilícito-musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cousa começou a desandar de uns tempos para cá. Para ser mais exato, foi num domingo ensolarado – um daqueles dias em que é inevitável ter algumas manchas de suor em sua camisa de linho –, num churrasco na casa do Severino-boca-podre em comemoração a mais um samba feito – mais um! Tudo era motivo de festa, de samba e de cerveja gelada em meio a lingüiças, carnes e farofa. Aquele mundaréu de mulatas rebolando sob um sol doído, um bando de malandro batucando e cantando em coro os sambas mais pedidos pela comunidade. Era um quadro que nem Miró nem Picasso aceitariam o desafio de retratar. Só &lt;strong&gt;mesmo Goya ou Caravaggio poderiam retratar aquela crueza, todo aquele instinto animal que exalava feromônio e lascívia.&lt;/strong&gt; Música concupiscente feita para corpos lambuzados de pecado e malícia. E eu ali com minha malemolência preguiçosa. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Não, não, depois eu danço. Estou bebericando aqui, me preparando. Já já eu rodo o pandeiro para ti&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, ameaçava eu quando alguma mulata sensual me perguntava o porquê de eu estar sentado se não estava tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas horas de samba e cerveja e sol na moleira, tive de ir ao banheiro. Apenas acenei com a mão a Severino-boca-podre, e ele fez que sim, soltando um sonoro e cheio de baba e farofa &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Pode ir lá. A Bertoleza te fala onde é&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. Bertoleza. Coincidência dos diabos, poeta! Se bem que não podia ser diferente, uma vez que estávamos mesmo num cortiço, numa lage-mansão dos sambistas mais malandros do morro. &lt;strong&gt;Éramos a elite da periferia.&lt;/strong&gt; Um paradoxo músico-sociológico que estudioso algum teorizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conhecia Bertoleza. Só de nome e de um mistério que todos desconversavam. &lt;strong&gt;Alguns apontavam o dedo na nossa cara quando o nome dela entrava na roda de conversa.&lt;/strong&gt; Mas no fundo eu não me importava com essas mesquinharias, com essas fofocas de fundo de quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na modesta casa de Severino e não vi Bertoleza. Saí a procurar pelo banheiro assim mesmo, pois a situação não me permitia gentilezas e boas maneiras – ainda mais na casa de um malandro como Severino-boca-podre. Suspeitei que atrás de uma porta bege e manchada estaria o meu desiderato. Abri a porta num movimento rápido e logo vi uma mulata de cabelo sarará e de corpo de modelo. Esbelta, com olhos cheios de um imensidão, de um horizonte que eu, de fato, desconhecia. &lt;strong&gt;E na mão um pênis de 20 centímetros.&lt;/strong&gt; Arregalei os olhos assustado e &lt;em&gt;ela-ele&lt;/em&gt; piscou com malícia para mim. Benzi-me e saí apressado do churrasco. Severino ainda me seguiu questionando o porquê de eu sair assim tão de repente. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Não me aperreia, Boca-podre. Estou cansado e preciso resolver uns negócios&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;, disse eu, perturbado e ébrio daquela bizarrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram uns dias, e então me senti preparado para encarar Severino e todo o pessoal – que, suspeito, já sabia ou, pelo menos, suspeitava do segredo de Bertoleza. Quando cheguei ao morro, na tradicional roda de samba da segunda-feira, todos me olhavam de soslaio. &lt;strong&gt;Todos faziam uma cara-boca de nojo para mim – como se falassem em francês comigo.&lt;/strong&gt; Um clima incômodo, desagradável. Então chegou o Moreno Brilhantina – um sambista das antigas e muito respeitado por ter feito dous sambas que &lt;em&gt;quase&lt;/em&gt; foram para a Sapucaí – e me disse o que havia ocorrido: Severino-boca-podre espalhara que eu estava de caso com sua mulher e que eu roubava versos nos ensaios para depois juntá-los e, estando algumas estrofes prontas, vendê-los a filhos de jogadores de futebol consagrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabisbaixo, retirei-me da roda deixando adrede minhas harmonias nos olhos dos malandros. Balbuciei dois ou três versos em espanhol, bati em meu pandeiro e me deixei levar embora. &lt;strong&gt;Desci para o asfalto para ser mais um malandro desterritorializado, sem raízes.&lt;/strong&gt; Hoje eu faço &lt;em&gt;jingles&lt;/em&gt; para comerciais de cerveja e me iludo animando festas de aniversário. E, por causa do trauma, só transo com travestis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4515900702279507202?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4515900702279507202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4515900702279507202&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4515900702279507202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4515900702279507202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/11/um-malandro-desterritorializado.html' title='.um malandro desterritorializado.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rz4yv0mSELI/AAAAAAAAACQ/D_vl-xm-f8c/s72-c/.sambista..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6847245924404309656</id><published>2007-11-14T23:36:00.001-03:00</published><updated>2007-11-14T23:48:44.996-03:00</updated><title type='text'>.sobre a imagem.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RzuzV0mSEKI/AAAAAAAAACI/99pZNMoC1yo/s1600-h/para+o+blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132893387796648098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RzuzV0mSEKI/AAAAAAAAACI/99pZNMoC1yo/s320/para+o+blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sorveu do riso triste algum fiapo de alegria e, ungindo as mãos com as lágrimas ímpias, batizou o herdeiro que está prestes a chegar. &lt;strong&gt;Uma cópia em miniatura de toda aquela beleza, serena figura em quadro renascentista, adorno vivo na mais simpática moldura.&lt;/strong&gt; Segura um mundo novo, um universo prestes a explodir e se expandir para os limitados anos de uma vida – tão-somente uma vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dias de uma gestação calma e sem experimentações alheias, sensações e frutas de uma feira perigosa. Apenas cuidados e algum sono, algumas olhadelas em estrelas, e uma missiva prometida que nunca foi enviada. &lt;strong&gt;É compreensível, convenhamos.&lt;/strong&gt; As palavras podem esperar três, sete, nove meses ou até mais – e elas sempre esperam, estão acostumadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso contido denuncia a imensa alegria de se fazer luz para dar vida a um novo universo. Alegria lhana que aperta o coração e assobia uma melodia em comum; alegria que se ouve em notas fantasmas, intencionalmente tímida, pianíssimo. E ela é agora só grito, toda ela um grito que não pode ser contido ou explicado. &lt;strong&gt;Um grito que desafia o silêncio, pois o choro iminente já é quase ouvido.&lt;/strong&gt; Alegria em estado bruto, meiguice materna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do novo horizonte já foi definido – pelo menos já se lê e ouve propostas. Será ele um passageiro nela, dela. Será ainda a saudade mais lancinante e bonita, as noutes em claro, a voz a acariciar o sono e o alvo mais desejado dos afagos maternos. Enfim, um universo que caberá no colo e que poderá ser ninado ao som de Elliot Smith. &lt;strong&gt;A tatuagem mais bonita que ela pode ter desenhada em carne viva.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6847245924404309656?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6847245924404309656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6847245924404309656&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6847245924404309656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6847245924404309656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/11/sobre-imagem.html' title='.sobre a imagem.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RzuzV0mSEKI/AAAAAAAAACI/99pZNMoC1yo/s72-c/para+o+blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-5446594733382813786</id><published>2007-11-01T08:31:00.000-03:00</published><updated>2007-11-01T08:46:31.428-03:00</updated><title type='text'>.idade*.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rym61xiUSRI/AAAAAAAAAB4/YmHOGXcU_pM/s1600-h/efeg.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127835083731126546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rym61xiUSRI/AAAAAAAAAB4/YmHOGXcU_pM/s320/efeg.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A tatuagem na pele &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Exibindo uma juventude já enrugada &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;As cores desbotadas e leves &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Como uma carta de despedida não rasgada&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A cegueira dos anos passados &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;O nervosismo calmo e distante &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Passos lentos, arrastados &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A certeza fugindo a todo instante &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A pele toda é um solo nordestino &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sulcos de mágoa e alegria e tristeza &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Amigo, tudo isso faz parte do destino &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Um dia, acredita, perderás tua beleza &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A tatuagem na pele ranzinza &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sendas nas palavras já empoeiradas &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Olha, amigo, o céu é todo cinza &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E estas flores só para ti foram arrancadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;*Originalmente publicado em 20 e sete de agosto de 2000 e quatro&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-5446594733382813786?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/5446594733382813786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=5446594733382813786&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5446594733382813786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/5446594733382813786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/11/idade.html' title='.idade*.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rym61xiUSRI/AAAAAAAAAB4/YmHOGXcU_pM/s72-c/efeg.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-6857327610468606932</id><published>2007-10-22T23:22:00.000-03:00</published><updated>2007-10-22T23:30:06.269-03:00</updated><title type='text'>.relato de um sujeito que foi fisgado e que precisa de toda a simplicidade do mundo para se aceitar como o óbvio mais ululante do qual se tem notícia.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rx1bZvHmDpI/AAAAAAAAABw/On30ouU1mN0/s1600-h/.isca..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124352448720670354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rx1bZvHmDpI/AAAAAAAAABw/On30ouU1mN0/s320/.isca..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou abrindo as comportas do meu coração seco, desértico. Não me venham com essas historinhas melosas de amor ou de sentimentos recíprocos correspondidos. Não me venham com contos de fadas açucarados ou com pornografia desmedida, nojenta e violenta. Um tapa, um cuspe, uma gozada – nada além daquilo que o óbvio permite a um casal insosso. Mas não me venham com final feliz, com alegria sem tamanho, com olhos álacres destilando felicidade a quem sequer entende o motivo do riso. &lt;strong&gt;Agrada-me mais a falsidade, o respeito cafona e os ademanes que os manuais de boas maneiras impõem&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há água neste deserto, neste poço fundo. Há resquícios, não nego. Há uma ou outra prova de que isto um dia abrigou um lago assaz imenso, mas exíguo para alagar qualquer cidade alheia. Talvez tenha até umedecido essa ou aquela vila, mas uma cidade de verdade? &lt;strong&gt;Ah, isso não!&lt;/strong&gt; Podem ter certeza que isso não aconteceu. Não houve trilha sonora adequada, efeitos especiais, atuações marcantes ou prêmios de consolação. Puro lixo sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que acreditei nas palavras de amor de outras pessoas, em que realmente pude crer no afeto alheio. &lt;strong&gt;A minha ingenuidade fez de dias ordinários verdadeiros &lt;em&gt;big bangs&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Eu via as cores vivas, eu ouvia o minimalismo dos afagos, sentia a rispidez de uma noute regada a sexo carinhoso e a gozos musicáveis. Eu desafiava todo e qualquer desacreditado com versos, com imagens sacramente aquareladas, puras em sua concepção artístico-literária, na construção física de um sentimento que me sufocava – ou parecia sufocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um romance! Eram romances! O mais puro pieguismo, confesso, mas sincero e pungente e crível. Eu aceitei a isca no anzol limpo das impurezas mundanas, das sujeiras lascivas e de todo o mal que o mundo insistia em me oferecer de pernas abertas. E sequer percebi que havia rachaduras por todos os lugares, e que aos poucos eu secava. E quem se importava com isso? &lt;strong&gt;Sentimento a gente compra, afeto pede emprestado e respeito rouba dos otários.&lt;/strong&gt; A minha mesura me fez um sujeito ralo, superficial em meu abismo pseudo-autista, pseudo-artista. Minha arte menor só atrai as moscas, as varejeiras que me cobrem de verde: manto supremo da mediocridade. Eu sou medíocre hoje, e de agora em diante não há como remediar tamanha ousadia. As aquarelas outrora pintadas são exatamente isso: imagens sem cores e fracas e baratas. Não vale o espetáculo dos pincéis, e muito menos compensa o uso irrestrito dos matizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu não inundo ninguém. Não preencho vãos e tampouco percorro céus com meu rústico linguajar. Toda a coprolalia um dia poupada é o que tatua a alma, o que me gangrena as lembranças. Sei que serei condenado pelo que a minha mente suja pensa. Estou seco, acomodado em minha secura asséptica. Estou nu, tal qual uma sombra diante da iminente luminosidade. &lt;strong&gt;Não sei se vocês sentiram tamanha insegurança, como quem vai &lt;em&gt;dar um tiro&lt;/em&gt; e sente que vai espirrar&lt;/strong&gt;. Agora que eu encontrei, já se foi. Não adiante ter grandes idéias, eu bem sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As melodias hoje são outras, são outros tempos em partituras desconhecidas. Meu universo dodecafônico é demasiado ruço – e nisso já existe contradição suficiente para que eu me diminua ainda mais. Por isso não me venham com histórias melosas e fotos em branco e preto, não me venham com romantismos baratos e esperanças pré-fabricadas na esperança de todo sujeito comum. Comumente isso já me irrita, e ser o óbvio me irrita muito mais. Puxem a corda, é o que peço. &lt;strong&gt;Mordi a isca, acreditei na cartilha, li a &lt;em&gt;bíblia&lt;/em&gt;, eu vi a cena&lt;/strong&gt;. Enfiem-me nesse aquário, exibam-me como mais uma atração murcha, sem tempero. Digam que eu sou&lt;em&gt; isso&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;aquilo&lt;/em&gt;, que faço tudo na medida da mediocridade. Eu assumo tudo, não nego. Apenas deixem a trilha acústica para afagar o meu deserto, pois preciso de toda a simplicidade do mundo para me aceitar como o óbvio mais ululante do qual se tem notícia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-6857327610468606932?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/6857327610468606932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=6857327610468606932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6857327610468606932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/6857327610468606932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/10/relato-de-um-sujeito-que-foi-fisgado-e.html' title='.relato de um sujeito que foi fisgado e que precisa de toda a simplicidade do mundo para se aceitar como o óbvio mais ululante do qual se tem notícia.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rx1bZvHmDpI/AAAAAAAAABw/On30ouU1mN0/s72-c/.isca..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-4370126231197372984</id><published>2007-10-14T23:14:00.001-03:00</published><updated>2007-10-14T23:27:29.985-03:00</updated><title type='text'>.uma quarta-feira ordinária.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RxLNKfHmDoI/AAAAAAAAABo/wtipJLQ0k-0/s1600-h/Deserto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121381306309414530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RxLNKfHmDoI/AAAAAAAAABo/wtipJLQ0k-0/s320/Deserto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estávamos numa mesa no meio do deserto. Exercíamos nosso jeito excêntrico de gastar a vida: mentindo, rindo da dor alheia, contando vantagens e fofocando mesquinharias. Há uma semana eu não bebia e mentia tanto! O sol lambia as nossas nucas e fervia os pensamentos, derretia as idéias mais rasas. Estávamos no meio do deserto, meio dia. Chamamos o garçom e pedimos outra cerveja. Como que vindo de um túnel, ouvi a voz do oriental me chamar. &lt;b&gt;Eu estava ausente, perdido em algum labiríntico haicai.&lt;/b&gt; Eu era o verso final, e sequer sabia o sentido daquela construção poética. A mesa no meio do deserto: um quadro assaz solitário em épocas de fronteiras inexistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O oriental chamou a minha atenção sobre o cardápio com um espanhol sofrível. Resmunguei qualquer cousa. Balancei a cabeça e assobiei a melodia que o &lt;i&gt;artista de rua&lt;/i&gt; entoava com um violão desafinado, sujo. Ninguém se importava com aquela arte popular. &lt;b&gt;Estávamos no meio do deserto, e canções sobre amor ou sambas de uma nota só não eram bem vindos.&lt;/b&gt; O pedido foi feito, e aos poucos, em câmera lenta, o garçom se afastava andando de costas com um riso malicioso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa na mesa vez ou outra se voltava para os sucessos populares do &lt;i&gt;artista de beira de calçada&lt;/i&gt;, e de quando em vez ganhava um ar mais carrancudo. &lt;b&gt;As palavras vinham com perdigotos intelectuais, e os assuntos iam desde viagens a países imaginários a &lt;i&gt;Cristos&lt;/i&gt; egoístas.&lt;/b&gt; E de quando em vez o oriental se virava para mim e dizia que era um colombiano. Ele insistia em conversar com a gente naquele espanhol sofrível e com referências culturais oriundas de uma programação musical-televisiva rala, desafinada. Eu dizia que sequer conhecia os artistas daquele país. E uma fungada forçada e exagerada era suficiente para ele saber qual era a minha referência do país do qual ele acusava nacionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da mesa estava uma professora que falava pelos cotovelos. &lt;b&gt;Ela era a própria palavra, era gestos e trejeitos.&lt;/b&gt; Cada significado ou termo pronunciados por ela escorriam pelos antebraços, e os olhos brilhavam a cada anedota que só ela e o oriental – que respondia com um &lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt;Si, si&lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt;Pero no mucho&lt;b&gt;aspas&lt;/b&gt; – conheciam. Nessas horas eu me virava para o &lt;i&gt;artista popular&lt;/i&gt;, que agora já não parecia tão empolgado em se apresentar para uma platéia exótica como aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da professora estava um primo dela. Ela falava pouco, bebia água com gás e ria só para acompanhar a nossa alegria. &lt;b&gt;Passava a maior parte do tempo observando as próprias unhas e olhando de soslaio para nós enquanto fingia tocar teclado na mesa.&lt;/b&gt; Ele só abriu a boca uma vez para falar do filho que tinha oito anos e que era um desses filhotes da informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava na mesa de penetra, meio que por acaso, perdido. Meus dentes rangiam e eu sentia cada um deles trincar. &lt;b&gt;Eu podia sentir o amaro gosto dos pequenos pedaços dos meus amarelos dentes, de parte do riso que eu exibira em troca de sentimentos alheios.&lt;/b&gt; Eu sentia os pedaços fazerem cócegas em minha gengiva enegrecida pela fuligem de um ou outro cigarro ilicitamente obtido num bairro carente da cidade. E enquanto isso, o oriental me falava palavras em espanhol, e eu dizia a ele que meu patriotismo só me faz comer mandioca enlatada. Ele fechava os olhos mais ainda para afirmar que não tinha entendido e que Millôr não era um dos seus autores favoritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plena quarta-feira eu aprendi a sorrir e a chorar, mas acho que não me servem mais estes sentimentos sinceros. &lt;b&gt;Eu pensava na minha necessidade de saber mentir, e quem sabe fazer sexo com um travesti.&lt;/b&gt; Era meio dia, o sol maltratava as moleiras da gente. Pedimos outra cerveja e continuamos a contar vantagem um para o outro. Éramos bons nisso, confesso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-4370126231197372984?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/4370126231197372984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=4370126231197372984&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4370126231197372984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/4370126231197372984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/10/uma-quarta-feira-ordinria.html' title='.uma quarta-feira ordinária.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RxLNKfHmDoI/AAAAAAAAABo/wtipJLQ0k-0/s72-c/Deserto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-9147729323873884957</id><published>2007-10-02T00:20:00.000-04:00</published><updated>2007-10-02T00:32:54.725-04:00</updated><title type='text'>.ensaio aberto.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RwHHxvHmDnI/AAAAAAAAABg/bJ5QsofeUoQ/s1600-h/japas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116590308945432178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RwHHxvHmDnI/AAAAAAAAABg/bJ5QsofeUoQ/s320/japas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A melodia não era nova, é bem verdade. Aquele quê de noir no ar não me enganava. O brilho excessivo dos instrumentos disfarçava a falta de prática nos acordes, a pífia dedicação musical. O samba tatuado nas costas delas me excitava, fazia com que eu batesse o pé direito tão lascivamente que qualquer uma delas se perderia em meu quatro por quatro sacana. &lt;strong&gt;Elas assumiriam a doença no pé e a ruindade na cabeça.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ensaio era aberto ao público, aos transeuntes que traziam as previsões de seus Orixás em vagas lembranças. &lt;strong&gt;Elas elevavam o tom perigosamente, enchiam os pulmões de maldade e sopravam as partituras desafinadas.&lt;/strong&gt; O coração batendo fora do tempo dava certo charme aquele barulho concupiscente, mas não o suficiente para encantar tanto assim. E mesmo assim elas me encantaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografei em minhas retinas plúmbeas as curvas delas, todos os detalhes, todas as curvas, todas as malícias, todos os sonhos pornográficos e todos os fetiches ainda não consumados. &lt;strong&gt;Eu via oceanos a serem desbravados por minhas canoas tortas.&lt;/strong&gt; Havia, eu sabia, vilões a serem presos por todo o meu heroísmo de político. Eu via toda uma geometria labiríntica tentadora na qual eu faria questão de me perder – e só me achar nos afagos musicais de cada uma delas, nos suspiros roucos daquelas canções escritas em escala pentatônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol brilhava lá fora, e o estúdio insistia em se manter frio diante daquele clima ameaçador. A parede de vidro era a única ponte entre as deidades e o som que saía em pequenas caixas postas acima de nossas cabeças – som de radinho de pilha, igualmente distorcido como as versões ousadas e cruas que elas executavam. &lt;strong&gt;O ápice foi uma tentativa frustrada de um tango qualquer, um desses sucessos irreconhecíveis. &lt;/strong&gt;Um lá e um ré e um sol e um mi em mim de chorar, de fazer lacrimejar todos os olhos do corpo e de embaralhar as sinapses mais intrincadas. Foi demais, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns tiveram taquicardia, outros, aneurisma. Eu me contive, segurei a situação pelos cabelos e dei uns tapas de amor entremeados por rimas pobres. &lt;strong&gt;Imbriquei minhas impressões mais sinceras em meus remorsos musicais, engendrei falsas melodias e até uns refrões de apelo popular.&lt;/strong&gt; Masturbei-me lentamente. Olhos semi-cerrados, boca torta e uma corcunda saliente. Sujei a parede de vidro com meus filhos premeditadamente abortados, e elas sequer cogitaram parar com aquela sandice dodecafônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei os olhos e tentei decorar um acorde oriental, mais uma curva pornográfica. Tudo em vão: o deserto dos tons mais álacre me inundava o peito, e aquilo foi demais para as minhas linhas tortas escritas por Ele, o pagão. &lt;strong&gt;Eu estava com sede, e aqueles rios alvos e seus istmos negros não me saciariam nem em pensamento. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sabe, doutor, é por isso que sou um músico frustrado. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele se levantou, olhou pela janela e duvidou da música ambiente do consultório. Mas estava certo do silêncio que ecoava no peito ocidental demais para aquelas músicas contemporâneas. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-9147729323873884957?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/9147729323873884957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=9147729323873884957&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9147729323873884957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/9147729323873884957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/10/ensaio-aberto.html' title='.ensaio aberto.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RwHHxvHmDnI/AAAAAAAAABg/bJ5QsofeUoQ/s72-c/japas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-785160193704677550</id><published>2007-09-22T22:22:00.000-04:00</published><updated>2007-09-22T22:27:17.553-04:00</updated><title type='text'>.vermelho.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RvXONfHmDmI/AAAAAAAAABY/OihJR5LENtc/s1600-h/Caracolis+002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113219683036040802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RvXONfHmDmI/AAAAAAAAABY/OihJR5LENtc/s320/Caracolis+002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tarde quando eu passeava com uma pequena explosão em meu bolso e um pouco de pólvora no meu peito. A fuligem do incêndio de outrora denunciava o fracasso da tentativa: as velas foram insuficientes para iluminar o caminho no meio daquela escuridão toda. Eu tateava o ar em busca da linha cuja pipa dançava na extremidade a de um céu assaz cinza. Essa pipa me preencheria de alguma forma. &lt;strong&gt;Ela chegou de vestido aquarelado e com a voz meio Rembrandt.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Vazio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quase sempre. Na verdade, pela metade. Mas um copo vazio está cheio de ar, não? Preciso de umas cores fortes para sanar uns problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quem dera fosse menstruação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quem dera... Mas sinto as cólicas. Só às vezes, mas sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Falta tinta vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu tenho um tubo de guache, mas aí não poderia tomar banho de chuva. Se bem que chuva para estas bandas está difícil...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estávamos num deserto de concreto. Os prédios faziam cócegas no umbigo de Deus, e este ria como podia diante das desgraças muitas. &lt;strong&gt;Ao fundo sempre soava um country qualquer, uma voz falsa, um ritmo cansado.&lt;/strong&gt; Por um segundo a conversa parou. Ela tomou a iniciativa de voltarmos aos negócios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Ontem não agüentei e parei num orelhão. Disseram que não tinha tinta nenhuma. Parecia gravação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sempre fazem isso nas horas mais necessitadas, quando a gente precisa um pouco só para diluir em água e usar no que for possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como quem enforca agonia. Credo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É, esse povo não tem coração. O que é um pouco de tinha vermelha hoje em dia? Quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estranho... Vou antes que o pior aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qualquer cousa basta olhar para trás que estarei te vigiando com uma cor genérica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela se afastou com um olhar formal, um andar calculado. &lt;strong&gt;O vestido aos poucos manchava as ruas parcamente iluminadas pelos postes à óleo.&lt;/strong&gt; Eu a vi quando tentou voltar o olhar para mim, mas a polícia chegou e tive de correr. Corri o quanto pude, atravessei pontes, pulei muros e, essencialmente, corri. O peito encardido doía – tamanha era a falta de ar –, e quando eu pensava em parar para descansar um pouco, logo vinha um oficial todo de azul gritando e sendo o mais escandaloso que podia com os seus típicos ademanes jurídicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Corri mais um pouco até borrar a vista.&lt;/strong&gt; O vermelho já era pouco, e mesmo que ela me passou – de segunda mão, mas lhano em seu matiz canalha – era exíguo para me fazer acreditar numa possível fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei-me cair na rua úmida e esperei os azuis olhando para o céu. Eu estava desbotado por completo, seria mínimo o castigo, mas com uma considerável quantia de dor física. Eles vieram num carro azulado, e ela estava no banco de trás com os olhos chorosos, prestes a transbordar uma dor ruça, um sentimento ainda não pintado. &lt;strong&gt;Foi algo rápido, um soslaio criminoso.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espancaram-me até eu perder os sentidos, até eu perder o rumo dos pensamentos lascivos que eu guardava para o nosso re-encontro. &lt;strong&gt;A pequena explosão em meu bolso virou uma lembrança casual, um vermelho-sangue em meus olhos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-785160193704677550?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/785160193704677550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=785160193704677550&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/785160193704677550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/785160193704677550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/09/vermelho.html' title='.vermelho.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/RvXONfHmDmI/AAAAAAAAABY/OihJR5LENtc/s72-c/Caracolis+002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-666113465842377209.post-8205358228347371421</id><published>2007-09-15T02:38:00.000-04:00</published><updated>2007-09-15T02:43:38.007-04:00</updated><title type='text'>.o baile.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rut-ZgQuWaI/AAAAAAAAABQ/0R10LGfoGi0/s1600-h/brobuletau.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110317178803870114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rut-ZgQuWaI/AAAAAAAAABQ/0R10LGfoGi0/s320/brobuletau.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu a vi com a borboleta nos ombros, o rosto liso e a mente vazia de maldades lascivas. &lt;strong&gt;Quis convencê-la a me acompanhar dando cerveja importada, palavras em inglês e versos tropicalistas.&lt;/strong&gt; Eu quis impressionar mesmo, dar a ela a melhor imagem de intelectual da moda que um dia eu pudesse dar a alguém. Trazia a minha arrogância numa calça jeans desbotada, sapatos sujos, despenteado, óculos com aros grossos, barba por fazer e unhas limpas. Eu estava convincente, é bem verdade. E por isso me aproximei dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava no canto do salão vazio. Não havia ninguém dançando, só eu e ela estávamos presentes: eu porque não sabia o horário do espetáculo, ela por qualquer motivo que não me interessava no momento. &lt;strong&gt;A luz era rala, de bordel vagabundo, daqueles de putas feias e barrigudas.&lt;/strong&gt; As paredes estavam tatuadas com cópias de cópias de quadros famosos e outros tantos feitos em fundo de casa – arte näif feita com guache e giz de cera. A música estava distante, e era possível ouvir cada verso brega duas vezes – tamanha era a imensidão do salão vazio. Eu e ela apenas, dous incautos e doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Éramos antípodas naquela cena desbotada de um romance de banca.&lt;/strong&gt; Eu balançava meus pés enquanto olhava furtivamente para ela, para a sua saia de babados puídos, para a sua camisa simples e alva. Enquanto isso ela perdia o olhar em alguma estrofe borrada da canção ao fundo, imaginava flores num jardim de nossa favela sentimental e mexia os dedos com certa inquietação. Estávamos no extremo do salão, bem rente ao precipício. Esperávamos pelos outros, já era tarde. Mas ninguém apareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo aquele vazio ecoando pelo salão me atordoava, e por isso decidi ir até o bar e pagar uma bebida para ela. &lt;strong&gt;A luz avermelhada fazia manchas em minha camisa abotoada e bem passada.&lt;/strong&gt; Minha testa orvalhada, meus olhos embotados de cimento e lágrima; tudo compunha um quadro assaz fedorento, mas esteticamente apresentável para aquela circunstância. O dono do bar esfregava um copo e tinha o rosto desfigurado – como em tantos filmes se pode observar. Pedi uma cerveja importada. Voz hesitante, meio cabisbaixo. O dinheiro enrugado e úmido de suor. &lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;Dous copos, por favor&lt;strong&gt;aspas&lt;/strong&gt;. Ele me olhou de cara feia, como se não tivesse ouvido o &lt;em&gt;por favor&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei tentando me manter ereto. A garrafa numa mão, os copos na outra, e o olhar seguro, firme, hirto. Eu me considerava naquele momento um ser sexualmente nocivo aos bons costumes. Aproximei-me e perguntei se podia sentar ao lado dela. Ela me olhou indiferente, ajeitou a alça da camisa e voltou àquele autismo de fim-de-semana. Sentei-me na cadeira que trazia a marca de uma cerveja nacional qualquer e servi os dous copos da garrafa verde que comprei. Nome alemão. Ofereci um gole a ela. &lt;strong&gt;Voz suave, mas com o peso da indiferença.&lt;/strong&gt; Falei dous ou três versos doces bárbaros a ela, duas cantigas em inglês. Ela sequer alterou a respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num suspiro aliviado, ela se virou de lado e escondeu o riso numa das mãos.&lt;/strong&gt; Talvez fosse a música, talvez o cheiro da cerveja, ou talvez nem fosse algo compreensível a nós dous naquele lugar. Vi de relance a tatuagem da borboleta no ombro esquerdo, mas meus olhos a macularam em minha memória de tal maneira que poderia eu deslindá-la na mais rala poesia. Foi um movimento rápido: com o riso na palma da mão direita, ela puxou a borboleta pelo tracejado. Olhou para mim de soslaio e ameaçou balbuciar alguma cousa. Não deu tempo. Voaram as duas pelo salão e escaparam pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A cerveja importada de nome alemão esquentou. Ninguém apareceu naquele baile.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/666113465842377209-8205358228347371421?l=oumbigodecristo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/feeds/8205358228347371421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=666113465842377209&amp;postID=8205358228347371421&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8205358228347371421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/666113465842377209/posts/default/8205358228347371421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oumbigodecristo.blogspot.com/2007/09/o-baile_14.html' title='.o baile.'/><author><name>i. bê. gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12027129851197646734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vMDWC_sD0fI/Rut-ZgQuWaI/AAAAAAAAABQ/0R10LGfoGi0/s72-c/brobuletau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
